Kevin Khatchadourian é o jovem de 16 anos responsável pela chacina que matou nove pessoas em seu colégio. Apesar de parecer um grande spoiler, essa premissa é apenas o plano de fundo do thriller psicanalítico que descreve a angústia da mãe de Kevin, que escreve em cartas ao pai ausente do menino. As cartas são escritas por Eva Khatchadourian, que carrega o pesado fardo da culpa pelos atos do seu filho.
O livro começa de uma forma lenta e bastante descritiva e que, apesar de bem chata, é muito importante pra que se entenda tudo o que se passa na cabeça de Eva, uma mulher que sabe o quanto sua vida mudou depois do nascimento de seu filho e depois da quinta-feira que marcou sua vida de uma forma tão absurda. A história é narrada de um jeito a descrever o período anterior ao Kevin, o conturbado período com ele e aquele que veio depois do massacre.
A sinceridade na escrita é impressionante. A mãe de Kevin não teme em momento algum descrever seus sentimentos em relação ao filho. Ela nunca o desejou e quando ele nasce, fica bem claro que ele também não a queria pois, minutos depois de nascer, ele a rejeita. Kevin é, desde pequeno, um garoto carregado de ódio e maldade, que age calculadamente manipulando todos os que estão ao seu redor para que façam o que ele deseja. Em muitos momentos do livro, fica bem claro que o jovem despreza a mãe e há cenas pesadas e que machucam, sem piedade, o leitor.


















