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20 março 2012

Destaque do mês #6 - O lado negro de ser blogueiro literário


Ser blogueiro literário é uma alegria: conversamos com pessoas que também são apaixonadas por livros, dividimos nossas opiniões abertamente - sem o risco de censura -, somos avisados com antecedência dos lançamentos no mercado editorial e até algumas vezes, muitas, temos a sorte de ler tais títulos antes que eles sejam disponibilizados em livrarias tradicionais. Mas também, como toda regra tem sua exceção e toda felicidade pode ser momentaneamente ofuscada por um relapso de desconforto, estamos constantemente sob a mira dos holofotes de nossos leitores e de outros veículos de informação que tentam, em alguns casos, apontar os defeitos e falhas cometidas nas postagens diárias, podendo até causar certo constrangimento ou, em situações extremas, o afastamento do blogueiro em questão.

Desde muito jovens, aprendemos com o meio que vivemos a aceitar as críticas. Também haverá de se lembrar o leitor que na própria escola, o professor de Português já dizia que criticar não é ofender, todavia expor uma opinião a respeito de algo que está sendo executado, boa ou ruim. Acatamos assim que as resenhas postadas semanalmente neste blog são críticas e nada mais.

O leitor, quando deixa sua opinião em determinada postagem, à semelhança do blogueiro, está criticando a partir do momento em que toma lados abertamente. Apenas com esses comentários, enfim, somos capazes de discernir o que produzimos, de mudar, de melhorar e avançar, nunca regredir. O verdadeiro problema, entretanto, é quando a opinião passa a ser deveras pessoal e o argumento se torna ofensa, trazendo um desconforto a ambas as partes, um fato que muitos temos visto ocorrer constantemente e várias vezes, talvez por medo ou por discrição, deixamos de lado, como um sopro fétido que agride as narinas momentaneamente e logo vai embora com o vento.

Não muito tempo atrás, descobri através do Twitter o nascimento do Vergonha Literária e, verdadeiramente falando, achei a proposta do blog interessante, um meio de comunicação livre para falar daquilo que incomoda em meio à blogosfera literária, da ignorância de muitos autores de postagens incoerentes e incoesas, dos massacres de divulgações promocionais pelo Twitter e de alguns erros de acentuação ou crase "simples", por exemplo, levando em consideração o corpo geral do texto do blogueiro em questão.

A página, apesar de poucos seguidores, tenho certeza de que está dando o que falar e recebendo um bom número de visualizações diárias, tantos foram os blogs e blogueiros amplamente criticados e não apenas criticados, mas ofendidos por algumas falhas na reprodução de seu conteúdo, grandes e pequenas, e na sua forma de lidar com as redes sociais. Todos que visitaram o Vergonha Literária já devem ter reconhecido algum blogueiro em meio a vários e sentido assim, muito naturalmente, um desconforto pelo alvo indefeso, que nem sequer foi alertado de sua gafe.

Navegando pela página, na barra lateral, notar-se-á a presença do gadget de "Contato", que leva os seguintes dizeres: "Achou alguma coisa? Ficou com vergonha? [...] Manda aí!". E é neste momento que somos levados a um questionamento comum não apenas por aqueles que foram agredidos, porém por todos que não o gostariam de ser. Não seria mais fácil comunicar o autor da postagem a respeito do seu erro e evitar toda a chateação? Se o leitor se mostra hábil para mandar um e-mail para a equipe do blog em questão, por que não redirecioná-lo para o próprio autor e esperar que ele o assuma e corrija de acordo com as normas da Língua Portuguesa? Qual é a função deste Vergonha Literária e de tantos outros blogs que seguem o mesmo padrão senão a de ofender e ridicularizar os blogueiros descuidados, desestimulando-os a produzir aquilo que talvez lhes faça tão bem?

O leitor do Na Parede do Quarto provavelmente haverá de se lembrar também do artigo publicado há pouco tempo aqui, A geração alienada e varonil lhes escreve literatura, em resposta a uma senhora que redigiu um texto altamente preconceituoso para o Portal Literal da plataforma Terra, agredindo toda uma geração jovem de leitores e blogueiros, alegando causas como desestruturação familiar e social, alienação e outros equívocos em disparate. Além da generalização contida em cada único vocábulo, houve a menção aberta de blogs grandes como o Literalmente Falando e o Viagem Literária, por exemplo, considerados por ela como veículos de propagação de uma má literatura. Mais uma vez, neste caso, quem ataca baseia seus argumentos em massas da maioria e não procura se informar de maneira mais eficaz a respeito do seu objeto de ataque, julgando-o por sua aparência ou por uma única postagem. E sobra para a blogosfera literária, novamente, o peso de não apenas tentar espalhar algo bom como a Literatura por um país tão desapegado da educação como o Brasil, mas também de se fiscalizar constantemente em suas estatísticas de não estar sendo alvo de algum veículo esmagador que lhe põe a estima em baixa.

Como qualquer ser humano, somos passíveis de erros. Não temos toda uma gramática da Língua Portuguesa gravada em nossas mentes, entretanto, em vários blogs, o que vejo são textos bons e enxutos, livres de falhas, além de blogueiros totalmente conscientes, abertos para a crítica e para as dicas que seus leitores pensam em lhes oferecer. Naturalmente, como "amadores" em uma área que lida tanto com o uso da língua, precisamos nos fiscalizar e impedir a propagação de palavras com grafia incorreta, trechos incoerentes e compreensão inadequada dos diversos gêneros textuais.

O blogueiro literário deve, sim, saber distinguir uma resenha de uma sinopse, empregar a crase corretamente e se habituar às regras da Nova Ortografia, que já é vigente desde o início deste ano de 2012. Se ele não souber, contudo, que os outros o tenham em mente para auxiliá-lo e fazer com que melhore e corrija seu texto, aumentando a quantidade de bons blogs literários, em vez de contribuir para a extinção dos mesmos. Unidos e sem ofensas, tenho certeza, somos capazes. Feliz dia do blogueiro! Literário...










27 novembro 2011

Destaque do mês #5 - Curtindo, seguindo, compartilhando e retuitando Literatura

 
Curtindo, seguindo, compartilhando e retuitando Literatura
por Ana Ferreira

A gama de redes sociais disponibilizada aos internautas atualmente é extremamente extensa e abrangente. Criadas para agradar os mais diversos públicos, compartilhar e apresentar um pouco mais dos interesses alheios, é notável em todas elas uma popularização um tanto incômoda da Literatura através de trechos curtos extraídos das obras originais de autores que vêm se tornando os queridinhos da “galera”.

Fique claro, primeiramente, que não é um tipo de egoísmo literário temer por essa popularização da arte escrita. É, na verdade, uma queixa ao culto da Literatura em massa que se propaga através de palavras fáceis e rasas sobre amor e outros sentimentos universais.

Tudo começou muito antes, contudo, um bom estopim para justificar este destaque do mês poderia ser a imagem ao lado, encontrada em um compartilhamento no Facebook. Reproduzindo o texto, o autor da imagem utiliza-se da retórica de Clarice Lispector para as seguintes palavras: “Meu saco já está explodindo de ver tanta porcaria que vocês postam em meu nome nesta merda”. Direto, simples e rápido. Na legenda, ainda, o mesmo escreve: “Pras pseudo-literatas de FB/Google. Só vale compartilhar se leu AO MENOS UM livro inteiro dela... #rindomuito”.

Hão de concordar com o criador de tal imagem todos aqueles que observarem um pouco a popularidade estrondosa que Clarice Lispector, com suas múltiplas personalidades literárias, tem alcançado nas redes sociais. São perfis no Twitter, retweets numerosos, adições e adições da autora à pagina de “pessoas que me inspiram”, compartilhamentos com fotos bonitas e promessas ou lamúrias a respeito de um amor perdido. Quem nunca se deparou com essa frase: “Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania”, por acaso, em algum perfil ou descrição pessoal? Para se ter uma noção da popularidade da mesma, se procuramos por “frases de Clarice Lispector” na ferramente de pesquisa do Google, temos nada mais, nada menos que 1 milhão e 310 mil resultados. Enquanto que, se procurarmos por “Paixão Segundo G.H.”, um dos livros mais famosos de Clarice, o número é bem menos exorbitante, 175 mil resultados.

Com Caio Fernando Abreu, por exemplo, é a mesma coisa. Não há um dia sequer em minha rotina de redes sociais no qual eu não me depare com alguma frase do autor. Aquele estilo típico, descompromissado de falar, uma linguagem por vezes chula, mas agradável e bem fácil de compreender cativa os leitores de trechos e frases que não se aventurariam, jamais, a “enfrentar” um livro inteiro de qualquer um desses autores. Além deles, Tati Bernardi, por exemplo, vai conquistando seu espaço com textos mais modernos e fragmentos. Entre os clássicos dos clássicos, impossível não vermos o quanto o povo adora mandar recados românticos com poemas de Shakespeare, mas abomina ler sequer o primeiro ato de “Romeu e Julieta”, o dito amor dos amores, à primeira dificuldade encontrada em uma palavra antiquada e caída em desuso, ou à mera citação de uma figura da mitologia grega; o quanto aprecia e suspira com aquele soneto lindo de Camões em que “Amor é fogo que arde sem se ver/ É ferida que dói e não se sente/ É um contentamento descontente[...]”, enquanto tem verdadeira repugnância só de passar os olhos por um exemplar ligeiramente mais antigo de “Os Lusíadas”, o medo dos mares nunca dantes navegados...

Estaria certo o autor da imagem com a frase que poderia ter sido proclamada por Clarice Lispector, em dizer que para amar tanto um autor, a ponto de despertar com suas frases e seus sonetos, o leitor deveria ter tido contato com ao menos um livro inteiro da mesmo? Estaria sim, indubitavelmente. Para apreciar um pintor, Salvador Dalí, por exemplo, a pessoa em questão deve conhecer o mínimo de sua obra, ter, pelo menos uma vez na vida, passado os olhos por suas pinturas e reconhecer o surrealismo nelas. Com a Literatura é o mesmo pois, afinal, como julgar um autor sem conhecer a sua obra, o que o torna autor? Se me dizem que têm Meg Cabot como autora predileta, não concordarei, mas aceitarei sinceramente por saber que já leram algo dela, e não apenas um trecho engraçado em que Sam se pergunta para onde deve ir com seu namorado...

Até porque, os trechos são muitas vezes ilusórios, cheios de contextos adequados para existirem. Muitas vezes aquela frase por nós adorada não tem a mesma semântica no livro da qual foi extraída. Pode-se, facilmente, tirar um “Eu te amo” de um texto com um final diferente: “Eu te amo – mentiu.”, e o amor passará a ser sintético, puramente falso. São palavras proferidas por personagens em algum momento da história e que talvez nada tenham a condizer com a retórica do escritor em questão, justamente o que tornaria o mesmo seu favorito. Bentinho poderia achar que Capitu tinha olhos de ressaca em este famoso fragmento: “Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca.”, mas não necessariamente Machado de Assis os viu em uma paixão de infância ou nos olhos de sua mulher.

Para ter um autor como favorito, é preciso conhecê-lo. Aquele conhecimento que adquirimos através da leitura e da reprodução de suas palavras, aquele conhecimento que só se tem nos livros, integralmente. Muitas vezes aquele trecho de um compartilhamento no Facebook ou de um retweet de um amigo pode dizer tudo que sentimos no momento, o que nos leva a atribuir favoritismo àquele autor, contudo este não deixa de ser um pensamento muito vago, tendo em vista a vastidão e a ambiguidade das palavras.

Talvez haja, realmente, em meio a esses tantos ditos fãs, aqueles que apreciem a obra de Clarice Lispector, que tenham enfrentado as complicações dessa mulher múltipla em “A Hora da Estrela” e aventurado-se em “A Descoberta do Mundo”, aqueles que ainda saibam que “Clarice”, não se escreve com -SS, e sim com -C. Talvez haja o leitor convicto de Caio Fernando Abreu, conhecedor sincero de sua essência literária e de seus amores descomplicados. Talvez haja aquele que realmente ame “O Pequeno Príncipe”, que tenha sido genuinamente cativado pelas rosas das palavras de Antoine de Saint-Exupéry. Talvez ainda encontremos apaixonados shakesperianos, que se permitam ir além de um texto de e-mail famoso, “O Menestrel”, lindo, acerca do qual ainda resta a dúvida sobre a autoria ser, de fato, de William Shakespeare. Talvez encontremos por estes mares confusos, um que celebre o coração lusitano de Camões em seus 8816 versos decassílabos...

Estou compartilhando meu amor literário, retuitando essa torrente de palavras na esperança de que as compreendam como tão facilmente fizeram com sua Clarice. E que as redes sociais salvem a boa Literatura!

06 novembro 2011

Destaque do mês #4 - É conveniente, certamente


Pra eu seguir o seu blog? De novo?!
“Segue o meu blog que eu sigo o seu!”; “Achei o seu blog lindo, passa lá no meu?”; “Nossa, que resenha maravilhosa, segue o meu blog?”. Sinceramente? Não...

Ao entrar para o universo blogueiro, é comum notar o grande número de conveniências que é gerado. Você cria seu endereço, enfeita toda a página com gadgets que talvez nunca serão úteis, escreve umas dez postagens ao dia e então, bate aquele vazio típico de “quem vai ler tudo isso?”. Pois é, campeão, seguidores não surgem de uma hora para a outra e é então que descobre-se o fantástico universo da conveniência. Visite uma centena de blogs (alguns bons e outros muito ruins), siga todos e elogie a belíssima (horrorosa) aparência deles. No dia seguinte, surgirão uns 14 seguidores pingados, depois mais vários. Entre a primeira centena, talvez um venha a ser seu leitor sincero e esse vazio conveniente, muito educado e pouco honesto, passará a incomodar daqui para frente.

Não é que eu mesma nunca tenha feito isso. Fazia e aos montes. Faço, mas creio que esses elogios exagerados, essa conveniência escancarada canse muitas vezes. É uma alegria enorme, um grande sossego e júbilo para todo blogueiro receber um e-mail sobre a chegada de um novo comentário. Maior ainda, entretanto, é a decepção ao passo da descoberta de que é uma espécie de spam sobre as várias promoções que estão ocorrendo na página do comentarista em questão.

Promoção amiga...
Divulgação faz parte do universo das comunicações. Às vezes é desagradável, mas não há como evitar aqueles pedidos quase que inocentes de visita à página, de checar as novidades. Entre amigos mesmo, é totalmente natural. “Ana, sabe aquele livro que você comentou que queria ler? Então, está rolando um sorteio dele lá no blog.” Confiro com o maior prazer, não me incomoda, porém é um pequeno inferninho entrar todos os dias na minha página do Skoob e ver centenas de comentários sobre livros que estão sendo sorteados em mais de 50 blogs ao mesmo tempo, com várias promessas de que não irei me arrepender. Cansa...
Entre blogs é o mesmo. Com quase um ano de blogosfera, posso dizer que fiz amigos e que visitei páginas ótimas, de conteúdo excepcional, as quais nem sequer hesitei em indicar a outras pessoas. Não por conveniência, mas por sinceridade, por gosto, pois acho que todo blogueiro merece bons leitores que, por mais impossibilitados de comentar sejam, não deixarão de apoiar e dar vida ao endereço virtual à sua forma. Estes, não menos queridos, entram para as estatísticas, em números modestos na lista de seguidores, naquele mesmo visitante de todos os dias. Talvez não comentem o quanto adoraram a resenha, a postagem, mas estão por aí, à espreita fielmente.

Já deixei o endereço do blog em muitas páginas, já divulguei promoções no Skoob, já fui conveniente, porém jamais faltei com a sinceridade, com a preocupação em trazer um diferencial naquela divulgação chatinha. Através dessas ações, por exemplo, conquistei amigos blogueiros, leitores fiéis, participantes ativos de sorteios... Cada um com seu papel, todavia todos essenciais ao desenvolvimento deste blog.

Ao fim, posso dizer que espero sinceramente que muitos possam repensar suas atitudes. Lembrem-se de que não são os únicos que desejam alcançar mil, dez mil seguidores, lembrem-se de que às vezes devemos respeitar o espaço particular de um blogueiro (que não é apenas blogueiro, mas dono de uma vida pessoal, como todos nós) e de que uma promoção entre 25 blogs com promessas de 50 livros não fará com que ganhem a simpatia de um leitor sequer. 

É conveniente? Talvez não tanto quanto possa parecer ao princípio...

30 agosto 2011

Destaque do mês #3: Pátria amada...What?

Por motivos de organização, a coluna foi transferida, neste mês, para a terça-feira.

Pátria amada... What?
por Ana Ferreira

    Disseram-me várias vezes detestar a literatura brasileira. Que nossos autores são cansativos, têm enredos muito complicados e que pouco interessam. Quando disse-lhes que os clássicos necessitavam de um pouco mais de paciência e compreensão, alegaram que nem os novos, brasileiros, eram capazes de lhes agradar.
    Pensei que talvez fossem os nomes... Autumn, Edward. Catelyn e Harry poderiam chamar mais atenção que a senhorita “Outono”, Eduardo, Catalina, João ou algo semelhante. Provavelmente não.... Logo podemos chegar à conclusão de que o leitor brasileiro anda encabulado, encantado com tudo que vem de fora.
    Basta um estrangeiro de rosto bonito colocar os pés em terras de Pindorama que já querem saber what's your name. Basta surgir um livro novo, estadunidense, inglês ou francês – é mais chique, certainement -, com a ilustração da capa de ofuscar os olhos, que já ficamos em polvorosa, cheios de dengo e desejosos de tê-lo em mãos.
    Se perguntarem à grande parte dos que cultuam com a Literatura assiduamente quais os nomes de seus autores prediletos, certamente ouvirão Neil Gaiman, dos conhecedores de boas obras, Stephenie Meyer, das mocinhas apaixonadas, Federico Moccia, das pequenas grandes mulheres que amam, J.R.R. Tolkien, mestre dos épicos, de um fã de livros e RPG e, talvez, alguém se arrisque a dizer um Tolstói ou um Nabokov, pois Literatura Russa é “de ponta”, classicamente falando, e esse leitor certamente terá um conhecimento que abrange a áreas extensas de bibliotecas renomadas. Eis que, então, em meio a tantos nomes difíceis de pronunciar, que sempre têm seus livros traduzidos por brasileiros e brasileiras, ouvimos alguém apaixonado pela obra de Clarice Lispector ou a de Mário Quintana, nativos de corpo ou de alma do país tropical. E eu, curiosa, extasiada pela adoração do produto nacional, pergunto-lhes de qual obra desses autores gostam mais, quando me respondem, um pouco embaraçados, que adoram aquele Twitter de frases ou o famoso poema, “Da Felicidade”... “Quantas vezes a gente, em busca de aventura,/ Procede tal e qual o avozinho infeliz:/ Em vão, por toda parte, os óculos procura,/ Tendo-os na ponta do nariz!”
   Não os culpo, não nos culpo, pelo fascínio que os estrangeirismos exercem. É difícil, por exemplo, ir a um sebo e deixar de comprar aquela edição de “A Menina que Roubava Livros” por um Veríssimo empoeirado, mas cheio de conteúdo e prosa a oferecer. É duro guardar 40 reais para uma edição especial de Lygia Fagundes Telles enquanto podemos gastar 20 com um lançamento que garante ser emocionante, elogiadíssimo pelo blogueiro amigo.
    A alguns, faltou o incentivo à leitura vindo desde muito cedo. Que as escolas começassem apresentando-nos ao universo divertido e rico em magia de Pedro Bandeira, Ana Maria Machado ou Lygia Bojunga. Poderiam passar depois a uma prosa um pouco mais madura, ou talvez às crônicas cotidianas de Marina Colasanti, à graça de Luís Fernando Veríssimo, Rubem Alves... Depois viriam os clássicos, mas viriam naturalmente, aos poucos. Alguns contos de Machado de Assis preparariam o leitor para a incógnita de Capitu, as histórias da infância de rapazes travessos acomodariam o jovem com As Memórias de um Sargento de Milícias, o Modernismo, que surgiria mais tarde, seria apenas uma comodidade, um passeio gostoso pelos tempos de nossos pais e avós. Clarice sem traumas, Mário de Andrade com paixão e seu idílio de Amar, Verbo Intransitivo.
    Aos que se negam terminantemente a esses prazeres clássicos da literatura brasileira, de autores muito antigos e, infelizmente, por vezes, póstumos, surgem a todo momento novos escritores de Norte a Sul de uma das maiores pátrias do mundo. Bons, indubitavelmente. Uns que preocupam-se verdadeiramente com a qualidade de suas obras, com os detalhes mais minuciosos para lhe renderem elogios; outros, nem tanto assim... Gente que leu alguns livros na vida e considera-se erudito o suficiente para redigir uma obra com erros abomináveis de ortografia e um desenvolvimento fraco, que nada causa ao leitor.
    Atualmente, a facilidade de publicar foi duplicada, triplicada se posta ao lado da de alguns anos atrás. O número de produções independentes é cada vez maior e muitas editoras jovens investem em autores sobrenaturais pelo calor do momento, que pede vampiros, anjos e súcubos em massa. É impossível não sentir uma certa deficiência no setor, que acaba pecando algumas vezes nas correções. O leitor brasileiro não entusiasma o seu produto, não patenteia. Os autores que tinham ótimas histórias, rendem-se aos best-sellers americanos e escrevem livros à sua imagem e semelhança, com Claire(s) apaixonadas por Ludwig(s) da Silva em Sergipe, nephilins pelas ruas do Bairro da Liberdade, mocinhas que passam as duas primeiras páginas do livro no Rio de Janeiro e fogem a mundos fantásticos, ou a Las Vegas, para encontrarem o amor de sua vida, inegavelmente americano mas que, de alguma forma, compreende perfeitamente o português. O choque bizarro cultural é apenas um dos elementos que reprimem escritores em potencial.
    Não é pouca também a quantidade de gente desesperada, amedrontada, cheia de desconfiança em sua própria temática, que cria finais alternativos para personagens aclamadas pela crítica. Um Harry Potter que veio parar na Bahia, um Frodo que vive no futuro, as princesas de contos de fada vagando pelas ruas de Manhattan e mais uma série de situações que constrangem o leitor que tenta – realmente vem tentando! - apreciar a obra nacional.
   Estranharão alguns leitores o fato de a blogueira que lhes escreve talvez entrar em contradição, uma vez que é notável a maioria predominante de livros internacionais neste blog. Agradeço-lhes pela paciência, meus caros, em terem chegado até estas linhas e assumo que talvez soframos dos mesmos males. Minha autora favorita é brasileira e tenho verdadeiro fascínio pelo texto de Machado de Assis, contudo, também desconfio do que vem sido produzido recentemente na indústria editorial de nosso país. Desconfio de histórias esquisitas, com capas que em nada chamam atenção pela precariedade de alguns autores e editoras descompromissadas, e temo que percamos a nossa identidade literária, cultural...
   Não quero mais histórias de casais fugindo para a Europa por parte de autores que apenas leram artigos no Wikipédia e consideram-se conhecedores do Velho Continente. Não quero nomes americanos ou americanizados, quero mais Maria, João, Pedro, Rafael e muita marmelada. Estou farta de Halloweens eternizados, tenho sentido falta do Curupira, da Iara, do Negrinho do Pastoreio, do Saci travesso que encheu-me a infância de riso. Nem tudo na vida são anjos e vampiros, há um mistério que até hoje não foi solucionado, o do ser humano. Livrem-me, acima de tudo, de “cazas” em vez de “casas”, de “familhas” em vez de “famílias”, de crases em quaisquer preposições que envolvam a letra “a”. Ser escritor não é apenas uma questão de criatividade, de subjetividade e sentimento. Há muita Matemática, muitas Exatas envolvidas nisso. Há regras ortográficas por todas as partes, coesão e coerência, vírgulas, travessões e um conhecimento amplo da Língua Portuguesa. Não sintam-se, de qualquer forma, demasiadamente exigidos. Álvares de Azevedo, aos 16 anos, em um passado muito remoto, já traduzia Shakespeare e Lorde Byron. Morrer aos 20 não o impediu de ser um dos maiores autores da geração ultrarromântica.
    Acima de tudo, peço carinho com a nossa pátria. Peço que olhem com mais amor à riqueza que temos presente em nosso verde, amarelo e azul. Esqueçam-se um pouco do brilhantismo pop dos norte-americanos, da riqueza da cultura erudita europeia e permitam-se a livros sem traduções, puros, em nossa própria língua. Não se deixem iludir. “Dom Casmurro” pode mostrar-se tão alarmante psicologicamente quanto “Lolita”, Clarice Lispector e Virginia Woolf caminham lado a lado, os romances adocicados de José de Alencar perpetuarão em sua alma, “A Cidade do Sol” conta parte da história moderna e da represália do Afeganistão, enquanto, em terras brasileiras, grande parte dos modernistas viveu em tempos de revolução. “As Meninas” retrata do ponto de vista de 3 jovens o quão difíceis foram aqueles anos de censura e regime político. Se, ainda assim, não desistiu de seu amado sobrenatural, procure pelos títulos em blogs que divulgam cada vez mais os nossos novos autores. Se quer sentir o gosto de ser jovem, Talita Rebouças está aí para todos os momentos...
    Preencher as estantes de Brasil não se trata de devorar a lista da USP em véspera de vestibular, mas de permitir-se conhecer e reconhecer as palavras impregnadas de lirismo e de nossa terra de sol, florestas e águas. Avancemos juntos contra o movimento retrógrado, ao esquecimento e apoiemos os autores de qualidade que estão surgindo.
    Se o nosso lema é “Ordem e Progresso”, por que regressar com as letras da pátria amada, que se chama Brasil?

31 julho 2011

Destaque do mês #2: Sobre resenhas e "resenhistas"


Sobre resenhas e “resenhistas”
por Ana Ferreira

     Ler um livro, marcar algumas páginas com falas importantes que auxiliem na explicação e na defesa de pontos importantes, produzir um texto crítico atendo-se às regras da ortografia, à coesão e à coerência e não deixar de, ao fim, expressar a própria opinião. Creio que seja este o esperado de uma resenha mas, ao que parece, nem todos têm tais imprescindíveis cuidados.
    Ter um blog não é fácil e ainda mais sendo este voltado ao público que cultua com a literatura, uma classe reclusa pela falta de incentivo educacional no Brasil. Muitos blogueiros passam horas e horas comentando nas postagens de endereços de proposta semelhante à de seu blog. Naturalmente, se tratamos de livros, é comum lermos muitas informações ainda sobre eles e, honestamente falando, há muita gente desinformada.
    Presume-se que, se o seu blog for feminino, você conheça o mínimo sobre moda, esmaltes e/ou beleza; se for futebolístico, que você saiba quais foram os últimos jogos da tabela e que entenda como funciona uma partida de futebol; se for de poesia, que você saiba o que é um soneto e conheça poetas famosos para fazer referência; se for gótico, que você compreenda a ideologia e o estilo de vida; consequentemente, se o seu blog for literário, que tenha o mínimo, mas o mínimo conhecimento de Literatura, que saiba expressar-se bem e de acordo com a norma culta e que, ao fim, enfim, tenha a capacidade de produzir uma resenha comum, certo? Certo até é, mas nem todos estão respeitando ou tendo essas preocupações...
    Não me refiro à maioria quando digo que falta um pouco mais de conscientização por parte dos blogueiros literários, entretanto, o número de gente que não se atém aos mais triviais requisitos ao produzir um texto crítico é desolador. Passo quase cinco horas na frente do computador lendo sobre o mundo da Literatura, escrevendo as minhas próprias postagens minuciosamente para deparar-me com uma resenha de um “resenhista” ainda mais velho que eu, aonde encontro tal trecho: “mais Ciclano não sabia se tinha que escolher entre Fulana e Banana”. Mais? Quando exatamente nós aprendemos a diferença entre “mas” e “mais”? Na 5ª série? Ah, não venham me dizer que estou sendo exigente pois não estou. Saber diferenciar os dois vocábulos, um que expressa contrariedade e outro que dá ideia de adição, é tão simples quanto ter o conhecimento de que “casa” escreve-se com “s” e não “z”.
    Há três tipos de resenhas que demonstram o desrespeito do blogueiro ao redigir uma postagem direcionada ao seu público seleto. Um, a dos erros ortográficos mais absurdos e, não só apenas relativos à ortografia, mas também à coesão e à coerência, daquelas que ninguém entende o que o ser humano está falando. Dois, a resenha que é outra versão da sinopse por parte do blogueiro em questão, que apenas explica novamente os fatos ao redor dos quais gira a temática do livro, sem dar quaisquer opiniões ou desenvolver seu senso crítico, o que é irônico pois, afinal, o que leva os leitores ao seu blog é justamente a sua forma distinta de enxergar aquele mesmo livro que está sendo criticado em milhares de outros endereços. Três e não menos pior, a resenha cheia, cheia de spoilers, daqueles que fazem o leitor ter uma raiva enorme ao descobrir todo o final do livro.
    Um dia desses, li um spoiler terrível em uma resenha e, em vez de escrever algo vazio como “Adorei a resenha, esse livro parece ser legal”, sabendo que não tinha sido digna de adoração, dei uma dica ao blogueiro em questão, alertando sobre a informação que tinha sido dada e, não deixando de expressar a minha chateação. Agora adivinhem só que o “resenhista” não apenas sentiu-se ofendido como me ignorou completamente por eu tê-lo avisado em vez de fazer mais alguns elogios que não cabiam à situação.   Também falta sinceridade aos comentaristas, que acabam iludindo e diminuindo as chances do autor da postagem de evoluir sua crítica e ser procurado não apenas por suas promoções, porém pelo seu próprio conteúdo.
A vergonha de errar... Faz parte!
     Sei que não é agradável sermos criticados negativamente pelo que escrevemos, todavia, é apenas dessa forma que aprenderemos a enxergar os nossos próprios erros e também a corrigi-los, superá-los. Já recebi um comentário de um leitor muito chateado pela minha desatenção ao publicar algumas informações que não condiziam com o tema em questão. Naturalmente, fiquei terrivelmente envergonhada de meu devaneio e até pensei em apagar aquele comentário para, de certa forma, tornar o meu erro menor. O comentário existe no blog até hoje, nunca apaguei-o. Fico feliz, hoje, em não ter desenvolvido tal fraqueza e por ter aceitado aquela opinião da melhor forma possível, preocupando-me mais com a verossimilhança das informações pelas quais buscava e com a própria aceitação de que surgiriam muitos leitores com pontos de vista adversos que apenas enriqueceriam o meu espaço e o meu senso crítico, possibilitando o desenvolvimento de uma argumentação mais sólida, de réplicas, tréplicas e toda uma defesa trabalhada de minha opinião.
    Ser sincero ao criticar, positiva ou negativamente, um livro não é desrespeito algum, desde que você possa explicar os porquês de tais conclusões e a avaliação geral sem ser preconceituoso quanto ao gênero e/ou ofensivo. Contudo, mais uma vez tempos um impasse. Alguns blogueiros que recebem livros de editoras/autores parceiros, visando interesse próprio ou por medo mesmo, acabam sendo desonestos ao redigir uma resenha com uma série de elogios frívolos e rasos. O vergonhoso de tudo isso é que ainda acreditam na ignorância dos leitores quanto a fatos como esses nos quais os comentários positivos do autor do texto são tão genéricos. Sejamos honestos, caros blogueiros! Aproveitemos o século XXI brasileiro, é tempo de liberdade de expressão, diversidade de pensamentos e é absurdamente comum você não gostar do exemplar em questão. Não somos obrigados a amar todos os livros que recebemos das editoras parceiras pelo simples fato de recebê-los como cortesia. Uma empresa séria, ao aceitar o compartilhamento de material com o blogueiro, está sujeita às mais distintas opiniões sobre seu catálogo e, acreditem, assim como os comentários nos fazem enxergar nossos erros e acertos, as resenhas são uma luz para as editoras terem mais nitidez quanto ao conteúdo publicado.
    Ao início deste texto, enquanto citava a alienação de alguns blogueiros literários quanto à própria Literatura e ao Português culto, não pude deixar de incluir nesse meio pessoas que estão surgindo na blogosfera dos livros para aproveitarem-se do material que recebemos privilegiadamente das editoras sem terem qualquer conhecimento concreto sobre o assunto, que arrebentam em divulgação e carecem, paupérrimos, em conteúdo. É radical mas seria hipocrisia não chamar isso de oportunismo. Oportunismo barato, gente que se aproveita da facilidade de “ganhar” e se traveste de intelectual com uma resenha bilhete de três linhas apenas para dar satisfação à editora. E o pior é que os leitores ainda dão ibope... Precisam comentar coisas vazias para preencher mais um formulário das quinhentas promoções das quais participam nesses endereços.
    Se trata-se de ser um crítico profissional? Certamente não, muitos de nós mal concluímos o Ensino Médio, eu mesma. Se é direcionado a alguém em especial? Quem comete algumas das extravagâncias sabe, sem precisar ser alertado. Se tenho a pretensão de mudar a sua opinião? Apenas quero que a compartilhe comigo...
    Ser “resenhista” não é apenas escrever algumas linhas sobre o quão lindo é o mocinho da história ou sobre o quanto você adora aquele romance. Não é dizer que aquele livro deveria virar filme ou falar que a capa é linda e ponto final. Não é divulgar o seu texto crítico a um milhão de pessoas e esperar que elas adorem e lhe venerem. É muito mais que isso... É opinar, é unir todo o conjunto da obra sob uma perspectiva específica, tentando captar detalhes que não denunciem o aguardado final, é ser sincero e honesto sem ser rude, é uma questão de respeito, acima de tudo.
    Um dia desses disseram-me que as minhas resenhas são muito grandes. Achei engraçado e até considerei a ideia, mas eu realmente gosto do que faço e continuarei a escrever críticas extensas sobre os livros esperando pelas mais distintas opiniões e evoluindo juntamente delas. Se ainda tenho muito que aprender? Todos temos e precisamos da ajuda uns dos outros para crescermos e mostrarmos ao Brasil que a classe dos que cultuam com a Literatura ainda não está extinta e, para isso, a qualidade é requerida, sempre. Os bons leitores agradecem o respeito. 

 

26 junho 2011

Destaque do mês #1 - Romances Melosos

Este é um texto de caráter exclusivamente crítico que não visa ofender ou ridicularizar.
   Feitos para atingirem quase (eu disse QUASE) que exclusivamente as mulheres, os romances que seguem a linha “água com açúcar” existem desde que o mundo é mundo e continuam a ser produzidos em larga escala. O que você acha deles? Gosta? Não gosta?

   Podem me dizer que isso é tendência de autores novos, mas perdoem-me, pois não é. Os romances aguados e adocicados em todos os sentidos são escritos há tempo. Há muito tempo. Voltando um pouco nos séculos, temos, por exemplo, Jane Austen. Desculpem-me os fãs, acho que a autora tem uma escrita incrível, peculiar, todavia vá dizer que a fórmula das histórias dela não são extremamente simples, precursoras de toda uma geração romântica que nos apresenta um mocinho e uma mocinha, quase sempre passivos da ação de um (ou dois) vilão(ões) ou de seus próprios sentimentos que os impedem de ficarem juntos.
   O enredo é simples e vem vestindo várias faces e características com o passar dos anos. Princesas e príncipes, plebeias e plebeus, rainhas e reis, pessoas normais... Eles podem ser incrivelmente semelhantes, as tais das almas gêmeas ou ainda, uma aposta que também dá certo, serem completamente opostos, daqueles que soltam faíscas quando estão juntos. Tem também aquela história, aquela bem conhecida de nós todos na qual o vilão vira o mocinho (Edward Cullen, oi?).
   Caro leitor, eu ADORO romances. Sério mesmo. Tinha uma época, tempos remotos, na qual eu lia a geração romântica mesmo, aqueles livros incrivelmente melosos com uma linguagem incrivelmente poética e densa que me ensinou muito. E eu gostei, sabe? Li Camilo Castelo Branco, José de Alencar em seu período mais doce e até mesmo a não tão famosa fase de Machado de Assis da corrente literária romântica que terminavam de uma forma, ou extremamente utópica (“Felizes para sempre”) ou de uma forma extremamente trágica. Confesso que sempre adorei as trágicas, nada pessoal.
   Este é o primeiro destaque do mês que estou trazendo a vocês e achei o assunto adequadíssimo para vir à tona porque, sinceramente, tenho observado uma quantidade considerável de autores sendo extremamente tendenciosos nas fórmulas românticas, abusando do melodrama e esquecendo muitas vezes de dar essência, personalidade aos seus livros e também, nada surpreendente, às suas personagens dependentes de romances que as tornam verdadeiras parasitas. Já repararam na enorme massa de livros quase sempre jovens, infelizmente, que tendem a falar repetidamente daquela historinha da paixãozinha que surge do nada e vira um amor eterno? Tenho certeza de que sim. Fico triste, sinceramente, porque são tantas histórias que poderiam ser boas perdendo-se entre as juras de paixões tão profundas quanto um pires... Só para variar, capitalistas como somos, alguns autores deixam de importar-se com a qualidade de suas obras para vender o que o público gosta de ler. E ei, se você faz parte do público que procura um diferencial, seja exigente! Critique! Aposto que já se cansou de historinhas que passaram do prazo de validade com aqueles diálogos que até parecem ser iguais. Incrível, não?
   E sabem de uma coisa curiosa? Abri os olhos para escrever esta postagem enquanto lia Anna e o Beijo Francês. Permitam-me explicar-lhes, por favor! Não estou dizendo que o livro siga esse paralelo, adorei o livro, apesar de eu achar Anna meio boba no começo, não acho que ele seja como estes dos quais falo sobre. Mas tem uma passagem na qual Anna e St. Clair conversam e ele diz como um autor (o pai da Ana, que muita gente está dizendo ser uma crítica a Nicholas Sparks), terrivelmente, tem a capacidade de escrever de uma forma tendenciosa sobre o câncer e as pessoas se curvarem perante a essa obra. Uau, nunca tinha parado para pensar nisso porque, de certa forma, é terrível mesmo.
   E aí vem à tona o nome de Sparks. Tem tanta gente que adora os livros dele. Li A Última Música e gostei. Mas só. Pronto. Acabou. Eu também chorei, mas não por algo realmente profundo, por algo que as pessoas simplesmente choram e isso não me agrada. Se você parar para prestar atenção, as obras dele seguem um modelo. A de todos os autores, eu sei. Todavia, vamos lá... Temos uma mocinha ou um mocinho revoltado e eles descobrem com a vida de uma forma triste e também feliz o que é o amor, a mudança que eles nos provoca e o quão importante é a religiosidade, o quanto ela pode nos apoiar. Tá. É tão politicamente correto que me cansa. E é esse o poder que os romances melosos têm tido sobre mim! Eles CANSAM, sabe?
Será?
   Onde está a criatividade ao falar-se de amor? Ao ser natural, ao mostrá-lo como uma coisa da vida e não como o centro do universo. Estou cansada de mocinhas que se curvam diante de seus namoradinhos jurando amor eterno com dezessete anos. Estou cansada também de criarem e recriarem em cima de criaturas de outro mundo para mostrar quantas barreiras o amor ultrapassa quando ele pode ser tão mais simples, tão mais bonito e tão menos cansativo.
   Não é que eu não goste de romances, todavia essa coisa de “Você é a minha vida agora” me cansa e mais ainda porque eu sei que ela vai continuar a ser best-seller, vai continuar a vender horrores e vai continuar a passar na sessão da tarde. E por mais que as pessoas satirizem isso, ironizem aquela historinha água com açúcar, elas vão continuar a assisti-las e tê-las aos montes em suas estantes.
   Falar de amor é lindo, contudo está perdendo todo o seu lirismo em meio a essas histórias capengas que começam de uma forma esquisitíssima e duram quase sempre, para sempre.
   Adoro romances e vou continuar a gostar deles, mas confesso que um dia desses um título e uma história de Stephen King estavam incrivelmente mais convincentes quando eu buscava por algo emocionante. É.

   Agora deixe a sua opinião! Quero saber o que você acha a respeito dos romances melosos... Solte o verbo!