Fala-se muito em literatura erótica atualmente. É visível, no entanto, que há classificações bastante especulativas por parte dos leitores em se tratando do limiar entre o erotismo e o pornô, no sentido mais puro - adjetivo contraditório - da palavra.
Neste romance de Mario Vargas Llosa, peruano vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2010 (um dos únicos sul-americanos a conquista esta façanha, ao lado de Gabriel García Márquez), quem impera é o erotismo. Isto porque Elogio da Madrasta narra a história de Lucrecia, uma mulher que, aos 40 anos de idade, esbelta e plena em sua vida sexual ao lado do marido, Don Rigoberto, acaba se envolvendo de maneira leviana com Fonchito, de quem é madrasta, um garoto que mal entrou na adolescência e já nutre verdadeiro fascínio por ela.
O que aparentemente poderia se encaminhar para uma narrativa dramática e de forte teor, todavia, acaba ganhando certa leveza e até mesmo alguns toques peculiares de humor característicos de Vargas Llosa. Sem abrir mão da sensualidade, claro, que é o principal elemento na formação estilística do livro.
"Também foram abolidos os sentimentos altruístas, a metafísica e a história, o raciocínio neutro, os impulsos e obras de bem, a solidariedade com a espécie, o idealismo cívico, a simpatia pelo congênere; foram apagados todos os humanos exceto você e eu. Desapareceu tudo o que poderia nos distrair ou nos empobrecer na hora do egoísmo supremo que é a hora do amor. Aqui, nada nos freia nem nos inibe [...]"
p. 145


















