Acho difícil, em minha experiência pessoal como leitora, iniciar a leitura de um romance sem expectativas, sejam elas otimistas ou pessimistas. Quase impossível, até. Quando me surgiu este A Filha da Feiticeira, no entanto, poucos comentários havia lido a seu respeito, além de me lembrar apenas vagamente da história que ele traria, de acordo com a sinopse. E eis que, em meio a páginas e mais páginas, viajando por algo próximo de quatro séculos num mundo onde bruxas existem, mal me importei com a passagem das horas, apenas querendo saber quais fins levariam esta trama que tanto se destrincha pelo passado de sua heroína.
Num contexto bastante simplificado, sem as muitas divagações explicativas que o enredo merece, o livro de Paula Brackston narra a história da longa existência da feiticeira Elizabeth Anne Hawksmith, de 384 anos, imortalizada por uma maldição que a persegue. Ou por um vilão amaldiçoado, assim digamos, Gideon Masters, mago perigoso que a iniciou no mundo da bruxaria. Tal realidade de fugitiva e o seu envelhecimento tardio, então, fazem com que ela viva em constante mudança, evitando ao máximo o contato com outros seres humanos em nome de sua condição "especial", apenas vendendo seus óleos e poções naturais para o próprio sustento.
Quando num povoado da Inglaterra, contudo, Elizabeth conhece a jovem Tegan, nasce daí uma curiosa amizade entre as duas que faz com que a bruxa queira iniciar a garota no mundo da magia e dos feitiços, de forma a compartilhar seus maravilhosos e também cruéis segredos. Há em meio à euforia, porém, o medo sempre presente de que Gideon reapareça para reclamá-la e acabe fazendo algum mal a sua aprendiz, pois ele, de forma que o leitor logo nota, sempre estará por perto.


















