![]() |
| Foto: We Heart It/ Tumblr |
Este é um texto da autoria de Fabrício Carpinejar, publicado em Jornal Zero Hora e em seu blog pessoal.
Santuário Brega
Nosso amor tem direito a uma exceção cafona, a preservar um ídolo da infância acima de crítica.
É como um serviço de proteção do passado. Não deve debochar. Não deve rir. Não deve expor no Facebook e cometer bullying familiar.
Toda mulher elegante preserva um altar brega dentro do armário. Conserva uma gaveta onde guarda recortes de jornais e revistas, cifras de músicas, coleciona souvenires.
Se ela não tem um santo bagaceiro, a situação é ainda mais grave: ela é completamente brega. Ter unzinho previne outros.
Custei a aceitar a cota. No meu primeiro casamento, minha esposa era apaixonada por Dalto. Quando perdia a discussão de relacionamento, cantava em tom sarcástico:
Hum! Mas se um dia eu chegar
Muito estranho
Deixa essa água no corpo
Lembrar nosso banho
Hum! Mas se um dia eu chegar
Muito louco
Deixa essa noite saber que um dia
Foi pouco
Ela esbravejava, batia a porta na cara, me insultava, e eu ganhava seu rancor por dois dias.
.jpg)

















