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22 novembro 2011

Alguns livros que nos fizeram chorar...

Já comentei várias vezes no blog a respeito de minha séria crença que afirma: para um livro ser bom e fazer-se memorável ele deve, acima de tudo, perturbar. Talvez nos deparemos com alguns da categoria que nem sequer se destacam entre nossos favoritos, entre os bons, contudo que, em algum momento, tiveram uma carga emocional suficientemente pesada para nos emocionar... Para fazer chorar, quem sabe.

Choro mais com filmes do que com livros, pois a emoção em uma boa atuação é muitas vezes carregada de um drama típico, seja este acrescentado à fragilidade feminina e teremos uma ótima "choradeira". Mas livros também são capazes de causar esses efeitos. Especialmente aqueles mais tristes, especiais de alguma forma.

Talvez um grande romance, um drama doloroso ou um fardo de guerra. Certo é apenas que a lista de 6 obras abaixo emocionou, e muito, a blogueira que lhes escreve.

*Os títulos dos livros redirecionam para suas respectivas páginas no Skoob, caso o leitor tenha o interesse de conferir algo mais a respeito dos mesmos

Aos sete anos de idade, Gabriella Harrison se sente um estorvo na vida dos pais. Ela acredita, segundo lhe dizem, que é a culpada pelo rancor da mãe e pelo fracasso de seu pai ao tentar protegê-la. Seu mundo é uma mistura confusa de terror, traição e dor. Quando resolve se tornar freira, uma grande reviravolta está prestes a acontecer. Gabriella se envolve com um padre e se vê novamente numa situação de conflito e sofrimento. Após uma terrível tragédia que os envolve, a jovem vai para Nova York e, como única forma de se recuperar e se sentir definitivamente liberta dos traumas e problemas que a assombram, decide encarar o passado de frente.
Pois eu lhes digo que chorei, chorei de uma forma insana com esse livro. Danielle Steel não poderia ser mais dramática e causar ao seu leitor mais dor do que causa com a história de Gabriella. A menina sofre nas mãos da mãe desde cedo e vê a vida passar de uma forma trágica, cheia de reviravoltas e traumas. A carga emocional é tamanha que eu mesma me senti desolada ao longo da leitura...

Uma Crença Silenciosa em Anjos, por R.J. Ellory
 939. Em uma comunidade rural da Geórgia, no sul dos Estados Unidos, Joseph Vaugham, de 12 anos, é informado sobre o assassinato de uma colega da escola - o primeiro de uma série de crimes que, ao longo de uma década, vão arruinar as relações naquela cidadezinha. Joseph e seus amigos estão determinados a proteger o lugar, e formam um grupo batizado "Os guardiões". Mesmo depois de os crimes terem cessado, uma sombra de medo e pavor persegue Joseph. O passado parece enterrado, mas, cinquenta anos depois, ele se defronta com o pesadelo que abalou toda a sua existência. A trajetória de Joseph Vaugham é marcada por uma sucessão de tragédias pessoais: primeiro, a morte do pai; depois, a tortura, a mutilação e os assassinatos em série de jovens meninas; em seguida, o abismo da loucura da mãe, amante de um vizinho alemão na época da Segunda Guerra. 'Uma crença silenciosa em anjos 'é a história de uma superação - e do que pode ser sacrificado em nome disso. Narrada como uma alegoria sobre a natureza da injustiça, do mal e do preconceito, expõe a claustrofobia característica das comunidades fechadas, e sua intolerância à diferença. É, sobretudo, um romance sobre o poder da vontade do indivíduo diante do pior.
Não se deixe enganar pelo "anjos" no título deste livro que é um verdadeiro drama. Nada há de sobrenatural em sua temática, além, é claro, da tristeza perturbadora que segue na vida de Joseph. Tantas catástrofes e tragédias que deixam o leitor louco de dor e de sofrimento...As mortes, os estupros, a perda das pessoas amadas e mais o mistério, o suspense por detrás de todas as histórias. É de tirar o fôlego.


Lua Nova, por Stephenie Meyer 
Para Bella Swan, há um coisa mais importante do que a própria vida: Edward Cullen. Mas estar apaixonada por um vampiro é ainda mais perigoso do que ela poderia ter imaginado. Edward já resgatara Bella das garras de um monstro cruel, mas agora, quando o relacionamento ousado do casal ameaça tudo o que lhes é próximo e querido, eles percebem que seus problemas podem estar apenas começando...
Não, eu não amo Crepúsculo. Mas sim, eu chorei com Lua Nova. Encaremos bem os fatos, o livro é depressivo, é lento a ponto de dar agonia... Só surgiu para provar que Bella é uma personagem extremamente dependente, que com a sequência de pensamentos negativos e "amorosos" acaba afetando o leitor de certa forma.

A Cidade do Sol, por Khaleid Hosseini  
Mariam tem 33 anos. Sua mãe morreu quando ela tinha 15 anos e Jalil, o homem que deveria ser seu pai, a deu em casamento a Rashid, um sapateiro de 45 anos. Ela sempre soube que seu destino era servir seu marido e dar-lhe muitos filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos. Laila tem 14 anos. É filha de um professor que sempre lhe diz: "Você pode ser tudo o que quiser." Ela vai à escola todos os dias, é considerada uma das melhores alunas do colégio e sempre soube que seu destino era muito maior do que casar e ter filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos. Confrontadas pela história, o que parecia impossível acontece: Mariam e Laila se encontram, absolutamente sós. E a partir desse momento, embora a história continue a decidir os destinos, uma outra história começa a ser contada, aquela que ensina que todos nós fazemos parte do "todo humano", somos iguais na diferença, com nossos pensamentos, sentimentos e mistérios.
Também já é sabido o quão marcante foi esta leitura para mim. A história de duas mulheres que representam toda a repressão vivida no Afeganistão no período do regime taleban é cruel para alguém que vive em um país totalmente a favor da liberdade de expressão. Mariam e Laila transcendem qualquer egoísmo e pensamento mesquinho humano para serem amigas, auxiliarem uma à outra. É um livro emocionante.


A Vida em Tons de Cinza, por Ruta Sepetys
1941. A União Soviética anexa os países bálticos. Desde então, a história de horror vivida por aqueles povos raras vezes foi contada. Aos 15 anos, Lina Vilkas vê seu sonho de estudar artes e sua liberdade serem brutalmente ceifados. Filha de um professor universitário lituano, ela é deportada com a mãe e o irmão para um campo de trabalho forçado na Sibéria. Lá, passam fome, enfrentam doenças, são humilhados e violentados. Mas a família de Lina se mostra mais forte do que tudo isso. Sua mãe, que sabe falar russo, se revela uma grande líder, sempre demonstrando uma infinita compaixão por todos e conseguindo fazer com que as pessoas trabalhem em equipe. No entanto, aquele ainda não seria seu destino final. Mais tarde, Lina e sua família, assim como muitas outras pessoas com quem estabeleceram laços estreitos, são mandadas, literalmente, para o fim do mundo: um lugar perdido no Círculo Polar Ártico, onde o frio é implacável, a noite dura 180 dias e o amor e a esperança talvez não sejam suficientes para mantê-los vivos. A vida em tons de cinza conta, a partir da visão de poucos personagens, a dura realidade enfrentada por milhões de pessoas durante o domínio de Stalin. Ruta Sepetys revela a história de um povo que foi anulado e que, por 50 anos, teve que se manter em silêncio, sob a ameaça de terríveis represálias.
Livros sobre guerras já são particularmente tristes pelo contexto que apresentam. A Vida em Tons de Cinza vem para provar e cumprir com a promessa da tristeza ao retratar a morte e uma vida miserável convivendo paralelamente. Lina é uma personagem marcante que vai se fazer notável no leitor.

E quais livros já lhe emocionaram a ponto de chorar? Quais aqueles que você considera marcante em sua trajetória literária? Deixe suas impressões e compartilhe suas ideias conosco nos comentários.

Uma boa terça-feira!
 
 



01 setembro 2011

A vida em tons de cinza por Ruta Sepetys


Título: A vida em tons de cinza
Título original: Between the sades of gray
Autora: Ruta Sepetys
Tradução: Fernanda Abreu
Editora: Arqueiro* (parceira-cortesia)
Número de páginas: 240
ISBN: 978-85-8041-016-7
Gênero: Ficção americana; drama; história soviética
Lina Vilkas é uma lituana de 15 anos cheia de sonhos. Dotada de um incrível talento artístico, ela se prepara para estudar artes na capital. No entanto, a noite de 14 de junho de 1941 muda para sempre seus planos.
Por toda a região do Báltico, a polícia secreta soviética está invadindo casas e deportando pessoas. Junto com a mãe e o irmão de 10 anos, Lina é jogada num trem, em condições desumanas, e levada para um gulag, na Sibéria.
Lá, os deportados sofrem maus-tratos e trabalham arduamente para garantir uma ração ínfima de pão. Nada mais lhes resta, exceto o apoio mútuo e a esperança. E é isso que faz com que Lina insista em sua arte, usando seus desenhos para enviar mensagens codificadas ao pai, preso pelos soviéticos.
A vida em tons de cinza conta a história de um povo que perdeu tudo, menos a dignidade, a esperança e o amor. Para construir os personagens de seu romance, Ruta Sepetys foi à Lituânia a fim de ouvir o relato de sobreviventes dos gulags. Este livro descreve uma parte da história muitas vezes esquecida: o extermínio de um terço dos povos do Báltico durante o reinado de horror de Stalin.
Para Estônia, Letônia e Lituânia, essa foi uma guerra feita de crenças. Esses três pequenos países nos ensinaram que a arma mais poderosa que existe é o amor, seja por um amigo, por uma nação, por Deus ou até mesmo pelo inimigo. Somente o amor é capaz de revelar a natureza realmente milagrosa do espírito humano.

"Cinzas", de Edvard Munch
"Tristeza, pranto e ruína. Eu também via isso em Cinzas. Achava a obra genial".
p. 207

Repressão. Para compreender de maneira mais eficaz "A vida em tons de cinza", é necessário saber do poder do qual um regime político é capaz de usufruir.

O livro é narrado em 1ª pessoa por Lina Vilkas, uma jovem lituana de 15 anos que sofreu as consequências da Revolução Russa e do governo de horror do soviético comunista mais abominado de todos os tempos, Josef Stalin. Este, com as rédeas do controle de um país enorme como a antiga URSS (União Soviética), passou a invadir e a anexar os territórios vizinhos ao da potência socialista, deportando deles grupos de intelectuais que se opunham ou simplesmente eram indiferentes ao sistema político vigente. Professores, cientistas, médicos, jornalistas, escritores, músicos, historiadores, bibliotecários e estudiosos que pertenciam às classes mais abastadas eram levados em vagões de ladrões e prostitutas num tratamento desumano rumo à Sibéria, onde trabalhariam por décadas para os soldados russos em troca de míseras rações de pão diárias. A grande maioria, além de perder todo o seu patrimônio pessoal e cultural para o poder soviético, não suportava o frio rigoroso do extremo ártico e morria tremendo, doente, faminta. Gulags eram o nome dos campos de trabalho escravo administrados pela NKVD, que ficou mais tarde conhecida como KGB, o serviço secreto soviético.

 Entre as nações das vítimas de expurgo, conhecemos profundamente a histórias de três pequenos países, os Bálticos: Estônia, Letônia e Lituânia que, em meio à sua miudeza situada nas fronteiras da Rússia, dão-nos uma prévia de seu sofrimento e do horror de ter mais de 1/3 da população morta mas, ainda assim, perseverar em nome do amor quando resiste "A vida em tons de cinza".

Logo ao início do livro, Lina, seu irmão Jonas e sua mãe, Helena, são forçados a deixar o lar na Lituânia por soldados russos que tinham seus nomes gravados em uma lista. Sem saber para onde estavam indo, com o pai, professor universitário, desaparecidos, e fuzis sendo apontados para suas cabeças a todo o tempo, ficam apavorados e receosos do que estaria por vir.

As deportações começaram a 14 de junho de 1941 (data verídica) e, conduzidos pela violência e um futuro incerto, vão parar em vagões imundos, lotados de mulheres, jovens, crianças e idosos que não custam a adoecer logo nos primeiros dias de viagem. Diferentemente dos padrões de vida nos quais costumavam viver, para garantir a própria sobrevivência, comiam rações e sopas cinzentas em precariedade e quantidades mínimas. Centenas de pessoas unidas em espaços mínimos que aguardavam por notícias de fora, mulheres que depositavam todas as suas esperanças nos maridos intelectuais perdidos por trens e prisões, filhos que choravam e um caos, um verdadeiro caos.

"Vocês algum dia já pensaram enquanto vale a vida de uma pessoa? Naquela manhã, a vida do meu irmão custou um relógio de bolso."
p. 27

Em meio à desilusão e à ardente esperança de rever o pai, Lina e sua família conhecem Andrius, um jovem de idade próxima, e a mãe, a srª. Arvydas, pessoas que, como as outras, sofriam dos mesmos males e por essa desgraça, uniram-se num verdadeiro laço de amizade e amor.

A história segue e retrata a chegada dos povos bálticos à Sibéria, o trabalho escravo e o mar de desilusões que os congela. A obra de Ruta Sepetys é paradoxal. Nas mesmas páginas somos capazes de encontrar os seres humanos mais vis e também os mais puros, capazes de grandes sacrifícios para auxiliarem uns aos outros. O extremo ódio e o amor caminham lado a lado, compondo uma história melancólica, uma ficção que pode facilmente ter sido realidade.

"Mamãe empurrou depressa a sujeira, como se aquilo não a tivesse incomodado nem um pouco. Mas incomodou a mim. Tive vontade de acumular na boca todo o ódio que sentia e cuspi-lo na cara dele".
p. 107

O livro oscila entre alguns momentos do passado da família Vilkas que remetem à nova realidade e até ajudam a compreendê-la. O ceticismo de Lina e a notável antipatia a Stalin desde muito jovem fazem dela uma protagonista forte, que resiste e batalha, ainda que silenciosamente, por uma causa. Há, inclusive, um fato imprescindível à história sobre a personagem: a arte, o dom de desenhar. Através de seus rabiscos, ilustra a horrenda realidade em que foi forçada a viver e os esconde, guardando para que alguém no futuro os veja e, ao início, principalmente para tentar comunicar-se com seu pai, que reconheceria o traço da filha sob qualquer circunstância numa época em que tudo era censurado.

"O Grito" de Edvard Munch
Mesmo o título do livro possui grande ligação com a arte, e o sofrimento pelo qual passam remete muitas vezes à obra do famoso pintor Munch, inspiração de Lina, aquele do quadro conhecidíssimo, "O Grito", que transmite a agonia numa imagem distorcida, perturbadora.

Entre as outras personagens, destaque para Jonas, o pequeno grande menino que tão cedo teve de virar homem. Helena, a figura da mulher incondicionalmente mãe. Andrius, sua dedicação extrema, velada, seu amor puro e a obstinação em proteger Lina. Nikolai, a personalidade ambígua. O próprio "careca", que é a personificação do pessimismo e do medo que levaram um número absurdo de deportados a se suicidar.

"[...]o mal irá governar o mundo até o dia em que os homens e mulheres bons decidirem agir".

Trata-se aqui de um livro especial, triste, que nos reapresenta muito bem à ideologia há muito publicada e consagrada por George Orwell em "A Revolução dos Bichos", uma fábula satirizando a Revolução Russa, Stalin e Trotski, que dizia: "Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros".

Uns acreditaram que Hitler, ao invadir a União Soviética, libertaria-os de vez. Outros aguardaram pelos Estados Unidos da América em vez da vida condenada na Sibéria. Hitler veio, mas trouxe consigo algo pior ou tão ruim quanto, o nazismo. Os EUA apoiaram a URSS contra a Alemanha, contudo, logo tornaram-se os seus maiores inimigos.

Um retrato do comunismo distópico numa Lituânia desconhecida mas, acima de tudo, uma forte resistência da esperança.

"Olhe para mim - sussurrou Andrius, chegando mais perto. - Vou encontrar você - afirmou. - Basta que pense nisso. Pense em mim levando de volta seus desenhos. Imagine isso, porque estarei lá."
p. 174

Avaliação Geral:
Nota 5 de 5 (Ótimo)

Opinem, discutam, comentem!

Uma boa quinta a todos,





P.s.: Perdoem-me a aula de História, mas é uma das minhas outras paixões. Logo que concluí a leitura de "A vida em tons de cinza", fui buscar por mais informações acerca dos Expurgos, gulags e da Revolução Russa, Stalin.
P.s.2: Como Lina é uma artista e tem admiração por Edvard Munch, achei que as obras dele couberam bem à resenha.