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| Inspirado por brasileiros como Jorge Amado e Guimarães Rosa, Mia Couto é uma das principais vozes literárias da África. Foto: Blog O Único Planeta que Temos |
Não raramente ouço e leio muita gente dedicando elogios a Mia Couto. A princípio, há alguns anos, não sei se por inocência minha, ignorância ou pelo costume dos nomes brasileiros, achei que Mia fosse uma mulher. Mais tarde, todavia, pesquisei de maneira criteriosa sobre parte da obra do autor e me intriguei pela grandeza que o nome invocava.
Biólogo, escritor, natural de Moçambique, autor de livros como Terra Sonâmbula e O Último Voo do Flamingo, Mia é um dos principais expoentes da literatura africana contemporânea. Seus livros, de acordo com admiradores e críticos, são dotados daquela narração ideal em que a prosa e o lirismo se encontram e formam uma linha bem tênue, um estilo marcado por passagens belas e de extrema delicadeza. Soma-se a isso uma enorme perícia para falar da situação de África e um gosto natural pela biosfera que, não raramente, inclusive em seus títulos, fica evidente.
Decidi, desta forma, por me iniciar formalmente na literatura do autor através de um livro curioso que, ao contrário do que pode esperar, reúne diferentes ensaios feitos pelo Mia escritor, jornalista e biólogo, redigidos para palestras, conferências e demais eventos aos quais ele compareceu. Os ensaios, de acordo com o moçambicano, são intervenções e tratam de assuntos diversos no mesmo tom inconfundível com o qual narra os contos e causos de suas personagens. Giram em torno, todavia, da vida, da escrita, dos problemas enfrentados pelo continente africano, do conformismo humano, da literatura de Jorge Amado e de Guimarães Rosa, da linguística, de Barack Obama e de muitas coisas mais.






































