19 maio 2013

Entre o Agora e o Nunca, de J.A. Redmerski

"Ontem me perguntei por que eu sentia necessidade de me levantar exatamente na mesma hora do dia anterior e fazer tudo como fiz no dia do anterior. Por quê? O que motiva qualquer um de nós a fazer as coisas que fazemos, quando no fundo uma parte da gente só quer se libertar de tudo?"p. 9
New Adult é o gênero do momento. Todos os tipos de livro que explorem um pouco mais da sexualidade feminina na contemporaneidade, em meio a um instante em que as mulheres querem ser donas de si - de todas as maneiras possíveis - também estão rendendo história. E com a da mocinha Camryn não poderia ser diferente. "Mocinha", aliás, não é sequer o vocábulo adequado para caracterizar esta nova onda de personagens decididas, desinibidas e apaixonadas que estão surgindo.

Entre o Agora e o Nunca, inevitavelmente, segue esta linha. E conta com a sua parcela de pessoas complicadas. Camryn, primeiramente, está numa fase em que a vida, definitivamente, não está boa  (uma grande porcaria, para ser franca, em termos de calão): seu namorado, a quem se entregou e por quem sente um amor pleno, morreu num acidente de carro há alguns meses; seu irmão mais velho, por outra lado, vive agora nas celas de uma cadeia; seus pais se separaram e, como se não pudesse piorar, perdeu o amparo da melhor amiga, Natalie, quando esta descobriu que o namorado nutria uma paixão não correspondida por Camryn. Cansada de tudo, da dor e do cotidiano estático que leva em meio à depressão e à letargia, a protagonista, com a devida licença poética, decide jogar tudo para o alto e colocar o pé na estrada sem rumo, comprando um bilhete na rodoviária para o primeiro lugar dos Estados Unidos que vem à sua mente.

18 maio 2013

Diário de Leitura da Ana #2


Um diário, como segue a lógica de seu nome, deveria ser veiculado diariamente, mas... Não é bem assim que as coisas funcionam, então uma vez por semana já está bom, não?

A ideia do "Diário de Leitura de Ana", no geral, foi bem aceita e, apesar do atraso, resolvi gravar outro vídeo para conversar e mostrar para vocês o que estive lendo e recebendo nos últimos dias. Na semana que vem tem mais. Espero que gostem =)

17 maio 2013

Deslembrança, de Cat Patrick

Comprei este livro na Bienal do ano passado. Saudades da Bienal... Mas ok. Li-o na época e recentemente resolvi relê-lo. Lembro-me que da primeira vez que li ficava me perguntando "Mas como ela não se lembra de nada? Mas então, como ela sabe quem é a mãe dela?" E coisas que, se você não leu o livro, não entende e não vai entender mesmo até que leia, de fato.

Contudo, vamos voltar um pouco... Deslembrança é uma história super fofa de uma garota que simplesmente não tem passado. Não tem memória de um passado, somente memórias do futuro. Fantástico, não? Porém, é obvio que você deve estar se perguntando "como isso é possível?". E acreditem: a autora não deixa a desejar nas explicações. Pode ser que, até terminar o livro de fato, você se sinta um pouco confuso em relação e esse pequeno, ou melhor, enorme, quesito da história.

Em Deslembrança, London todos os dias, às 4h33min da manhã esquece  tudo que aconteceu no seu dia. Simplesmente tudo. Desde o que vestiu ao que fez ou deixou de fazer. Ela não tem memórias de experiências passada, mas tem memórias de fatos que acontecerão no futuro. Imagina você saber que a sua melhor amiga vai se magoar com aquele cara e não poder fazer absolutamente nada. E em compensação não lembrar dos bons momentos com aquela amiga. Deve ser terrível, não? Em meio a essas memórias do futuro, London tem uma que não sai da sua cabeça. A de um funeral. Mas de quem seria esse funeral. Seria de sua mãe? De seu pai que não tem mais contato com ela? London começa então a tentar entender melhor a si própria e ao seu passado, presente e futuro, que estão totalmente ligados.

16 maio 2013

Meu amor, meu bem, meu querido, de Deb Caletti

A primeira impressão que se tem deste livro e de sua protagonista é semelhante àquela causada por alguns juvenis da autoria de Meg Cabot. Ruby tem 16 anos, não é a garota mais popular da escola (nem tampouco é oprimida, mas apenas "calada", como ela se define), está envolvida num romance meio complicado e adora empregar ironia em comentários absolutamente irrelevantes como se fosse a coisa mais engraçada do mundo; quando não é, claro. Mas nem mesmo os livros vivem apenas de primeiras impressões.

Dona de um tom de sarcasmo que aos poucos vai se alinhando à narração, a protagonista de Meu amor, meu bem, meu querido não tem uma personalidade tão instigante quanto aquelas que outras personagens deste mesmo gênero têm. Conta a seu favor, todavia, com uma história leve e às vezes bizarra que traz em sua essência uma mensagem simples - sem floreios literários - sobre amor, família e união.

Tudo começa na cidade de Nine Mile Falls, num verão em que os paraquedistas planam numa rua perto da casa de Ruby McQueen e um vizinho vindo de longe chega. Morador de verdadeira mansão, Travis Becker é tão jovem quanto ela, lindo, e não nega o gosto forte por adrenalina em situações perigosas, o típico mauricinho. Num encontro ocasional, então, passa a ver na moça uma pessoa corajosa e disposta a acompanhá-lo como parceira romântica em suas missões. Ela, talvez um tanto quanto deslumbrada pela atenção que recebe do rapaz cobiçado, passa a alimentar uma relação nada saudável, que a faz agir de uma forma que não gostaria, além de viver mentindo para a mãe.

10 maio 2013

No Escuro, de Elizabeth Haynes

Até onde vai o amor? Até onde vai a obsessão de alguém? O quanto uma pessoa pode viver na escuridão?

Catherine vive uma vida agitada e normal. Até conhecê-lo. Ele é o tipo de cara que é sonho do toda garota. Cuidadoso, atencioso, fofo, preocupado e superprotetor. Mas, como dizem, tudo em excesso faz mal. Lee é perfeito, até demais. Só que toda essa perfeição não passa de um rótulo, já que, a partir de um determinado momento, ele começa a demonstrar seu verdadeiro eu: paranoico, ciumento e controlador. Assim, Lee começa a controlar a vida de Catherine.Segue-a pelas ruas, controla seus horários, controla o que ela faz ou deixar de fazer e controla até mesmo as roupas que a moça usa.

À medida que Catherine fica mais tempo com Lee, mais presa a ele permanec, com mais dificuldade de se retirar da relação. O pior de tudo é que Catherine está sozinha nessa, nem com as suas amigas pode contar mais.

Paralelamente à narrativa de Catherine sobre seu relacionamento com Lee, existe uma protagonista que vive o presente, onde Lee está preso. Não vou contar aqui os motivos e o que o leva a ser preso, isso já seria spoiler. Só que é claro que o relacionamento absurdo que ela tinha com Lee apenas poderia deixar péssimos rastros para trás. E é o que acontece, por causa do vilão, Catherine desenvolve TOC (Transtorno obesessivo compulsivo), uma doença que a faz desenvolver a obsessão de, por exemplo, verificar todas as trancas da casa e se está tudo realmente fechado.

09 maio 2013

Traços do Nordeste brasileiro nas xilogravuras de J. Borges



Enxada na terra desde a infância sob o sol escaldante nordestino e, acima de tudo, trabalhador de árduas jornadas, José Francisco Borges não nega as fortes origens. Nascido a 1935 em Bezerros, Pernambuco, na terra do frevo e do maracatu, ficou conhecido mundialmente pela assinatura J. Borges, que acompanha desde 1964 os rodapés de xilogravuras e cordéis já vistos e prestigiados em todo o mundo.

Sua história como artista, na verdade, começou de maneira inusitada. Frequentador da escola por pouco mais de um ano, Borges, aos 29, apreciava a literatura de cordel, mas tinha vergonha dos versos que escrevia. Certo dia, contudo, criou a xilogravura que seria gravada por Mestre Dila no cordel "O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina". A repercussão positiva do público fez com que, a partir daí, o artista se dedicasse intensamente a esta forma de literatura folclórica.

O seu trabalho, que teve como padrinho o escritor Ariano Suassana, foi levado ao conhecimento do meio acadêmico e muito celebrado dali em diante. De maneira típica, cheia de alegorias e de riqueza, J. Borges representa em seus cordéis traços comuns da cultura e do cotidiano do povo nordestino, como os personagens Lampião e Maria Bonita, o sagrado e o profano, os crimes, o diabo, o cangaço, as lendas populares e a vida do sertanejo, de maneira geral, com todas as suas alegrias e dificuldades.

08 maio 2013

Teorema Katherine, de John Green

Colin acabou de levar seu 19° pé na bunda de uma Katherine, o que o deixa completamente arrasado, então resolve cair na estrada, dirigindo o Rabecão do Satã, com seu amigo Hassan no banco do carona. Entretanto, Colin não é um garoto comum, ele é um (quase) prodígio, aspirante a gênio que se sente desconsolado por ter acabado o seu colegial sem descobrir a cura de nenhuma doença ou ser responsável por qualquer outro ato de genialidade.

Incentivado pelo seu pai, Colin passava a maior parte do tempo tentando se tornar uma pessoa importante, o que o levou a gastar um bom tempo de sua vida fazendo anagramas, decorando informações e aprendendo diversos idiomas para no fim, se tornar uma pessoa extremamente solitária e dependente de suas namoradas
.
Hassan, conhecendo Colin mais do que ninguém, sabia quão arrasado estava o amigo e propôs a ele uma viagem sem rumo, apenas pegar o carro e dirigir por ai até a dor do pé na bunda diminuir. Quando Colin concorda, os dois pegam a estrada e acabam indo parar na cidade de Gutshot, onde ele tem seu primeiro momento "eureca" e tem a ideia de representar os relacionamentos em um teorema, onde seria possível descobrir o tempo que duraria o relacionamento e quem terminaria com quem. O Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines se mostra muito mais complicado do que Colin imaginou que seria, mas ele não perde a esperança de desenvolver a função que pode lhe trazer a Katherine XIX de volta.

07 maio 2013

Conhecendo novos artistas - Cimorelli



Já conhecem o grupo Cimorelli? Se você gosta de navegar pelo Youtube vendo covers, com certeza já viu algum delas. Composto por 6 irmãs, Christina, Katherine, Lisa, Amy, Lauren e Dani, elas gravaram vários vídeos cantando as músicas do momento, algumas até a capella, e isso chamou a atenção de uma menina na Inglaterra, que mostrou para sua mãe o cover de "Party In The USA", da Miley Cyrus. Mas esta mãe não era uma "simples" mãe. Ela era também a gerente da cantora Jessie J! E gostou tanto das meninas que arrumou um contrato com a Universal em 2010. Lançaram seu primeiro EP em 2011 com covers escolhidos pelos fãs (Skyscraper, Dynamite, Price Tag, What Makes You Beautiful e All I Want For Christmas Is You) e uma música original (Million Bucks). No seu segundo EP, Believe It, lançado no final de 2012, incluem 3 músicas originais e um cover de Natal.

Wings


05 maio 2013

Encerrada - Promoção de "A Síndrome E."

Promoção encerrada: resultado disponível no Rafflecopter e em imagens abaixo:


E as promoções quinzenais estão oficialmente em funcionamento! Agora, entrando na onda da Semana de Thrillers promovida por alguns blogs em parceria com a Editora Intrínseca, sortearemos um dos lançamentos mais instigantes do mês: A Síndrome E., de Frank Thilliez.

Ficou curioso? Então confira a sinopse do livro abaixo:
Um estranho caso vem atrapalhar as férias de verão de Lucie Henebelle, tenente de polícia em Lille. Seu ex-namorado ficou cego depois de assistir a um filme mudo, anônimo, com um roteiro enigmático, concebido por uma mente doentia.
Simultaneamente, o comissário Franck Sharko, veterano da Divisão de Homicídios e analista comportamental na Divisão de Repressão à Violência passa por um tratamento na tentativa de curar a esquizofrenia. No norte da França, cinco cadáveres não identificados foram encontrados sepultados a dois metros de profundidade mutilados de maneira atroz e em estado de decomposição avançada e Sharko cede ao chamado da aventura.
Enquanto Lucie descobre os horrores escondidos no estranho filme, um misterioso informante do Canadá aponta-lhe o elo existente entre aquele rolo e a história dos cinco cadáveres. Um único e mesmo caso, graças ao qual Lucie e Sharko, tão diferentes e ao mesmo tempo tão próximos em sua concepção do ofício, irão se encontrar.
Das favelas do Cairo aos orfanatos do Canadá nos anos 1950, os dois colegas irão se deparar com um mal desconhecido, batizado como “síndrome E”. Uma realidade assustadora que revela como o ser humano pode ser capaz das maiores atrocidades.
 Agora vem com a gente, porque tem promoção!

04 maio 2013

A Queda dos Reinos, de Morgan Rhodes

Gosto muito de romances épicos e de aventuras, embora não pertençam ao gênero que cultuo com mais frequência. Foi sob esta premissa, então, que comecei a ler A Queda dos Reinos numa tarde dessas, de maneira extremamente descompromissada, e que acabei também me surpreendendo com a vastidão de conteúdo e de ação que a história tinha a oferecer. Repleto de intrigas, conflitos, surpresas e dono de enorme fluidez, é um daqueles livros cuja leitura a gente conclui em questão de umas poucas horas sem sequer notá-las.

Marcadas por uma narração que se divide entre as perspectivas de quatro personagens principais (semelhante à da série Crônicas de Gelo e Fogo, mas sinalizada pelos nomes de três diferentes reinos em vez de aqueles pertencentes ao elenco), o leitor conhecerá aqui as histórias de Cleo, Magnus, Jonas e Lucia num momento em que elas convergem e passam a representar uma única narrativa. Quatro jovens de idades e criações distintas que, em nome de uma guerra próxima entre os reinos de Auranos, Limeros e Paelsia, acabam irreversivelmente conectados.

03 maio 2013

Tudo aquilo que nunca foi dito, de Marc Levy

Já imaginou como seria se pudéssemos voltar atrás e dizer Tudo aquilo que nunca foi dito? O que você diria e a quem você diria?

Julia tem uma vida estável, do jeito que ela sempre procurou ter. Dona de um ótimo emprego, ocupa uma generosa posição na empresa e está prestes a se casar com um homem estável, bom para ela. O que poderia acontecer? Bem, a Julia, "aconteceu" o seu pai. Anthony Walsh, um empresário de sucesso que sempre teve dificuldade de se entender com a filha, estraga até seu casamento. Contudo, esta será a ultima vez em que ele terá a chance de interferir na vida da moça, já que subitamente morre.

Assim, é necessário que Julia desmarque o casamento para ir ao velório e enterro de seu falecido pai. O que a protagonista não esperava, porém, era que, a partir disso, surgissem diversas situações que mudariam seu destino para sempre... Após o velório,   ela recebe uma inesperada caixa em seu apartamento. Digo aqui, é uma cortesia de seu falecido pai, mas não contarei a vocês o que há na caixa. Estragaria a surpresa!

Entretanto, o mistério da caixa não é o foco do livro: logo no começo da leitura você já descobre o que havia nela. A questão é que Julia tem uma oportunidade de reatar as coisas com seu pai. Imagine, uma ultima oportunidade de conhecer de verdade seu pai e a si mesma? É esse o presente que recebe.

Um balanço do "Um livro por mês, todos os meses do ano" em abril


Abril foi marcado pela volta dos que não foram. Muita gente que participava do desafio desde o início e não pôde dar sua contribuição literária em alguns meses resolveu que estava na hora de voltar a participar. Acredito que o tema, neste caso, tenha ajudado bastante: foi a vez de ler aquela romance beeeeeeeeem água com açúcar. 

Assim, é fácil de se deduzir, por exemplo, que um dos autores mais lidos no mês tenha sido Nicholas Sparks. No geral, todavia, os participantes souberam fazer uso da imaginação e dos livros dos quais já dispunham em casa para gerar uma grande variedade dentro do gênero romântico. Ainda que a maioria tenha sido de romances contemporâneos, vimos chick-lits, juvenis e romances de banca em meio a todos eles.

Verdade seja dita, acima de tudo, que foi um dos meses em que a participação de todos foi mais evidente. Isso se não contarmos a quantidade de pessoas (mais de 10) que ingressaram nos últimos 3 dias. Maio promete, meus caros! E a blogueira que aqui lhes fala agradece, mais uma vez, pelo ingresso e pela colaboração de cada participante.

Mas e então, Ana, quem foi o resenhista do mês?

30 abril 2013

Comandante, de Rory Carroll

Sempre que uma figura polêmica nos deixa, é comum que se sigam a ela, além do luto, diferentes biografias que tentem reproduzir os motivos responsáveis por conduzi-la à condição de pessoa notabilíssima. Muitas vezes dotadas de uma qualidade questionável, todavia, estas biografias não raramente se mostram equivocadas, divulgando materiais falsos, sem apuração de informações ou qualquer senso de responsabilidade além da própria vontade de aumentar o caráter protagonizador de quem se foi.

À morte de Hugo Chávez, o emblemático presidente da Venezuela, irromperam biografias com visões das mais variadas: direitistas e esquerdistas, favoráveis e contrárias, racionais e passionais...  Anos de amor e de ódio serviram de combustível para narrar a importância e o impacto do líder nas vidas de extremos das classes sociais venezuelanas. Em terras brasileiras, naturalmente, dada a proximidade com o pais de origem do presidente, não tardou até que também chegassem as tais obras. Do relato de Rory Carroll, correspondente por anos no Guardian, enfim, o leitor tem a chance de ser contemplado com uma narrativa que pretende, acima de todas as coisas, não cair no sensacionalismo e nem tampouco na parcialidade demasiada. Pretensão esta que, felizmente, ao final da leitura, foi alcançada pelo jornalista.

Aparentemente, ao início, o próprio título Comandante sugere que a visão do autor será, de certa forma, saudosista. Uma vez acompanhando aquilo que a narrativa traz consigo, porém, cheguei rapidamente à conclusão de que as recomendações de jornais na contracapa não eram, aliás, enganadoras. Carroll, de alguma forma, após longa experiência jornalística em nações paupérrimas e em zonas de conflito (Iraque, Afeganistão e África do Sul, por exemplo), possibilita ao leitor o conhecimento de Chávez e de seu governo desde o início de sua militância sem ser tendencioso, mas com base em grande material recolhido durante entrevistas. As entrevistas, inclusive, falam por si no quesito imparcialidade: são membros da alta elite de Caracas e defensores da direita contrariando cidadãos pobres do campo que idolatram a figura do comandante; ministros que temem sua liderança e revolucionários que, por outro lado, a desafiam.

27 abril 2013

Trinta horas

Imagem: Open Your Mind/ We Heart It

Descobri muito cedo que reclamar da vida era uma conduta inata do ser humano. Ainda que nossos percursos tenham um longo trecho bom pela frente – ou ruim, nunca se sabe -, sempre haverá algo de que reclamaremos, por menor e menos relevante seja. A tal pedra no meio do caminho de Drummond, este senhor que a poesia tão delicadamente agraciou.

De minha parte, como universitária e meio jornalista (jornalista por inteiro só quando estiver formada, pode ser?), as reclamações são referentes ao tempo. A este titã ingrato que me consome e é consumido por mim de maneira tão voraz; ao senhor Cronos que, de persona cruel, acabou por me submeter à irreversível ditadura de suas horas. A cada ação, a cada novo trabalho, a cada simples ato de procrastinar, tenho a impressão de estar sendo perseguida por um som muito sutil, ao fundo, de um relógio a tiquetaquear. Ou talvez seja apenas complexo de cronista em crise; talvez seja também inspiração vinda do subconsciente de um daqueles contos alucinantes de Edgar Allan Poe. Sei lá.

Peço cordialmente, no entanto, caro leitor, que releve minha intertextualidade aparentemente infundamentada. É coisa de umas orações e nada mais.

Engraçado, meio estranho – caótico – que vinte e quatro horas não sejam suficientes. E são, de certa forma. São desde que o mundo está aí, independentemente dos caprichos de alguns prosadores e reclamões. Estranho como, quando damos maior atenção a algo, o passado simplesmente já passou; e que o presente, por sua vez, este instante ínfimo que tanto inquieta os pensadores (e as donas de casa e os operários que sobem a construção) mal possa ser captado por quem vislumbra fragmentos de um tempo que, como já bem diziam as tias, as avós e todo o resto da família, passa muito rapidamente.

26 abril 2013

Um Motim No Tempo, de James Dashner

Quem nunca pensou em viajar no tempo?

Um motim no tempo é o primeiro volume da série Infinty Ring, escrita por James Dashner. É um livro sobre tecnologia, ciência, historia, presente, passado, futuro e viagens no tempo.

Sera e Dak são dois melhores amigos. Dak, fanático por fatos históricos e história em geral; Sera, um gênio da ciência. Acabam se envolvendo com o Infinty Ring, um anel que possibilita a viagem no tempo. Soa fantástico, não? Eles também acreditavam nisso... Até se darem conta dos problemas que desencadearam e da confusão em que se meteram.

Deste modo que Sera e Dak acabam descobrindo muitas coisas que eles não sabiam, além de a confirmação de outras que já supunham, como, por exemplo, de que há algo errado com o mundo e a sociedade onde eles vivem. A SQ controla tudo. De uma filosofia completamente oposta da SQ, existem os Guardiões da História. Um grupo secreto desde os tempo de Aristóteles. A missão deste grupo é repassada a cada geração, como acontece com o SQ também, que, assim como os Guardiões da História, existem há muitos anos.

25 abril 2013

Diário de leitura da Ana #1


Demorei para colocar em prática as mudanças do blog, mas agora algumas delas estão chegando. A princípio, estou incorporando as tão desejadas promoções quinzenais. Depois, para dinamizar o canal do blog no YouTube como ele merece, chega a primeira edição do Diário de leitura da Ana.

A proposta, como já comentada anteriormente, é de criar um vídeo mais espontâneo e um diálogo com vocês, de forma que eu possa mostrar os livros que estive lendo e recebendo, além de outras divagações aleatórias que envolvam, claro, a literatura. Espero que apreciem a ideia e sua versão inaugural.

Minha cara de nojinho HAHAHAHAHHA

24 abril 2013

O poder da escrita de Mia Couto

Inspirado por brasileiros como Jorge Amado e Guimarães Rosa, Mia Couto é uma das principais vozes literárias da África. Foto: Blog O Único Planeta que Temos






Não raramente ouço e leio muita gente dedicando elogios a Mia Couto. A princípio, há alguns anos, não sei se por inocência minha, ignorância ou pelo costume dos nomes brasileiros, achei que Mia fosse uma mulher. Mais tarde, todavia, pesquisei de maneira criteriosa sobre parte da obra do autor e me intriguei pela grandeza que o nome invocava. 

Biólogo, escritor, natural de Moçambique, autor de livros como Terra Sonâmbula e O Último Voo do Flamingo, Mia é um dos principais expoentes da literatura africana contemporânea. Seus livros, de acordo com admiradores e críticos, são dotados daquela narração ideal em que a prosa e o lirismo se encontram e formam uma linha bem tênue, um estilo marcado por passagens belas e de extrema delicadeza. Soma-se a isso uma enorme perícia para falar da situação de África e um gosto natural pela biosfera que, não raramente, inclusive em seus títulos, fica evidente.

Decidi, desta forma, por me iniciar formalmente na literatura do autor através de um livro curioso que, ao contrário do que pode esperar, reúne diferentes ensaios feitos pelo Mia escritor, jornalista e biólogo, redigidos para palestras, conferências e demais eventos aos quais ele compareceu. Os ensaios, de acordo com o moçambicano, são intervenções e tratam de assuntos diversos no mesmo tom inconfundível com o qual narra os contos e causos de suas personagens. Giram em torno, todavia, da vida, da escrita, dos problemas enfrentados pelo continente africano, do conformismo humano, da literatura de Jorge Amado e de Guimarães Rosa, da linguística, de Barack Obama e de muitas coisas mais.

21 abril 2013

Promoção de "A Filha da Feiticeira" - Encerrada

Promoção encerrada: nome da vencedora abaixo e no widget do Rafflecopter

Em março, teve resenha de "A Filha da Feiticeira" aqui no blog:
"Num contexto bastante simplificado, sem as muitas divagações explicativas que o enredo merece, o livro de Paula Brackston narra a história da longa existência da feiticeira Elizabeth Anne Hawksmith, de 384 anos, imortalizada por uma maldição que a persegue. Ou por um vilão amaldiçoado, assim digamos, Gideon Masters, mago perigoso que a iniciou no mundo da bruxaria. Tal realidade de fugitiva e o seu envelhecimento tardio, então, fazem com que ela viva em constante mudança, evitando ao máximo o contato com outros seres humanos em nome de sua condição "especial", apenas vendendo seus óleos e poções naturais para o próprio sustento."Trecho da resenha escrita por mim - link

Desta vez, no entanto, para a alegria geral, trago uma promoção do livro em parceria com a Editora Bertrand Brasil.

Ficou curioso para ler este romance? Então fique atento às regras abaixo para participar:

1. Ser seguidor do blog pelo Google Friends Connect.
2. Ter endereço de entrega no Brasil
4. Preencher com seus dados o que é requerido abaixo:

20 abril 2013

Desculpa, quero me casar contigo, de Federico Moccia

Aos desavisados, Ana Beatriz evitou dar spoilers do livro que precede este resenhado hoje.

Federico Moccia é um daqueles autores românticos até o último fio de cabelo. Suas histórias trazem, numa narração às vezes lírica, contos de amores quase que inabaláveis. Amores vividos com intensidade, de forma bela e sincera. Melosa também, por que não? Com Desculpa, quero me casar contigo, continuação de Desculpa se te chamo de amor, as coisas não poderiam ter sido diferentes. Talvez apenas um pouco mais complicadas, quem sabe.

Após viverem real idílio em uma paradisíaca ilha italiana, no auge de sua paixão, Alex e Niki acabam fadados à mesmice do cotidiano. Ela está na universidade e ele, por outro lado, atravessa um bom momento de sua carreira como publicitário. O relacionamento dos dois, no entanto, ainda que bem, parece necessitado de um novo fôlego, de outra empreitada. Também as Ondas - Olly, Diletta e Erica - melhores amigas da protagonista, enfrentam uma nova fase. No limiar entre a rebeldia da juventude e a consciência da maturidade, seguem adiante com seus amores, desamores e todas as descobertas que, de uma hora para outra, podem mudar abruptamente suas vidas.

19 abril 2013

As primeiras luzes da manhã, de Fabio Volo

Elena vê seu casamento em crise. Cada dia que passa existe um maior distanciamento entre ela e Paolo, seu marido. Ela realiza que a sua vida não está funcionando do jeito que esperava. O casamento e Paolo não correspondem às suas expectativas.

O casal vive uma rotina vazia. Sem conversas, sem discussões, sem vida. Paolo aparenta estar feliz com a comididade, já Elena está começando a se sentir inquieta com isso. Nada mais lhe agrada, muito pelo contrário. É quase como se Elena rejeitasse qualquer coisa vinda de Paolo.
"Com o tempo, alguns assuntos se tornaram tabus, e, então, por medo de falar demais, acabamos falando pouco. Às vezes me pergunto se não foram todas essas coisas não ditas que nos afastaram."
Em "As primeiras luzes da manhã", Elena desabafa quase diariamente em seu diário. Concomitantemente, existem capítulos que têm a narração da "Elena atual" falando sobre suas impressões ao reler o diário. É como se a protagonista escrevesse para ela própria no futuro. Assim acompanhamos suas inseguranças e sua história.