15 março 2011

Leia: O Perfume - Patrick Süskind

   Olá blogueiros!

   Infelizmente, não me foi possível postar o texto da semana no domingo. Estava com matéria acumulada de provas para estudar e acabei ficando um pouco ausente. Hoje, entretanto, venho com uma dica de livro um tanto diferente. Um clássico contemporâneo...
   Se você está acostumado a ler histórias mais leves, tipicamente juvenis, prepare-se para entrar no mundo, na alma, no espírito e no olfato deste repugnante assassino...

    Editora: BestBolso. Por ser um clássico, é facilmente encontrado em outras editoras. 
   Número de páginas:  280  
   França, século XVII. O recém-nascido Jean-Baptiste Grenouille é abandonado pela mãe junto a restos de peixes em um mercado parisiense. Rejeitado também pela natureza, que lhe negou o direito de  exalar o cheiro característico dos seres humanos, pelas amas de leite e por instituições religiosas, o menino Grenouille cresce sobrevivendo ao repúdio, a acidentes e doenças. Ainda jovem descobre ser dotado de imensa sensibilidade olfativa e parte em busca do aroma perfeito, do perfume que lhe falta para seduzir e dominar qualquer pessoa. 
    Nessa busca obsessiva, ele usurpa a essência dos corpos de suas vítimas. Com uma linguagem impetuosa e frenética, Patrick Süskind        conquistou leitores de todo o mundo. O Perfume foi traduzido para mais de 40 países e chegou ao cinema com uma superprodução memorável    de Tom Tykwer, estrelada por Ben Winshaw, Dustin Hoffman e Alan Rickman.

    O Perfume está longe, muito longe de ser uma história comum. Ainda mais de causar opiniões amenas, o típico meio-termo. Quem se interessar pelo livro corre o risco de adorá-lo ou quem sabe, não menos provável, odiá-lo.
   Jean-Baptiste Grenouille é o tipo de protagonista pelo qual sentimos duas coisas ao mesmo tempo: nojo e fascínio. Um ser humano que, como o próprio livro relata, optou desde o seu nascimento pela sobrevivência. Ao contrário (ou não), do que muitos podem ter pensado ao ler a sinopse, não se trata aqui de uma vítima, mas de uma verdadeira e muito engenhosa negação da natureza. Grenouille não faz o perfil de qualquer um dos personagens padronizados. Não é o herói, não sente qualquer amor ou compaixão por outros, nem por si mesmo, assim como está longe de ser o vilão. Não visa prejudicar qualquer um em especial, além de ausentar-se nele aquele ódio pela falta de atenção, a vingança em nada lhe inspira. Trata-se, real e assustadoramente, de um monstro. Um monstro insensível que não exala cheiro e, entretanto, tem o nariz mais aguçado entre todos os homens.

“Enquanto os olhos mortiços se voltavam para o indefinido, o nariz parecia fixar objetivo determinado, e Terrier tinha a sensação muito estranha de que esse objetivo era ele, o próprio Terrier. As asinhas do nariz, em torno dos dois buraquinhos, inchavam como uma flor prestes a se abrir. Ou, antes, como as cúpulas daquelas plantinhas carnívoras no jardim botânico dorei. E, igual a elas, parecia sair deles um estranho fluxo. Para Terrier era como se a criança o visse com as narinas, como se ela o olhasse de um modo agudo e escrutinador, de um modo mais penetrante do que se poderia fazê-lo com os olhos [...]”

   A criança, que foi negada por várias amas de leite e afastada de um convento para um internato até os seus oito anos de idade, tendo inspirado várias tentativas de assassinato por parte de seus colegas, que a temiam extremamente, cresceu e tornou-se um jovem esquisito que - repugnado pelos instintos naturais de todos os seres humanos, calculista, resistente a qualquer praga ou doença -, lançar-se-ia na busca pelo perfume perfeito.
   É admirável a forma com a qual o livro é narrado, com os aromas mais improváveis dos quais nunca nos tocamos. Quase somos capazes de sentir todos os cheiros que a Paris suja do século XVIII exalava. Grenouille, entretanto, por entre toda a sujeira, inala uma fragrância maravilhosa, nunca antes sentida. Algo incomum, que vem de uma jovem ruiva sozinha no meio da noite. Presenciamos o primeiro, e asqueroso, assassinato.
   O personagem, então, passa a conhecer os mais diversos aromas e torna-se perito na arte de produzir essências com os mais diversos (e comuns). Almíscar, flor-de-laranjeira, óleos de rosas, lírios, narcisos, jasmins... Ao lado do fracassado perfumista Baldini, Grenouille conhecerá as várias técnicas para a extração de seu grande projeto, do melhor perfume e que vem, algum tempo depois ele descobre, da origem mais improvável, mais repugnante, o cheiro das virgens.

“...as pessoas podiam fechar os olhos diante da grandeza, do assustador, da beleza, e podiam tapar os ouvidos diante da melodia ou de palavras sedutoras. Mas não podiam escapar ao aroma. Pois o aroma é um irmão da respiração – ele penetra nas pessoas, elas não podem escapar-lhe caso queiram viver. E bem para dentro delas é que vai o aroma, diretamente para o coração, distinguindo lá categoricamente entre atração e menosprezo, nojo e prazer, amor e ódio. Quem dominasse os odores dominaria o coração das pessoas.”

   Estejam preparados para uma leitura forte, aromática e que explora os confins da alma do ser humano mais nojento e asqueroso que pode existir, um usurpador de essências cândidas, um assassino.


10 comentários:

Raphilicious disse...

Huuuuuuuum... sinto um cheirinho maravilhoso!!! *-* Nao sei se seria um m livro que eu me animariaa ler, mas eu gosto do enredo por ser historia de epoca!

Beijos! :*

Douglas disse...

Esse livro tem a mesma estória do filme?
Acho que estou tão acustumado em ler romances sobrenaturais juvenis, que tenho medo de sair do tema e jugar o livro errado.

Rhay disse...

Nossa, que história , OMG
Deu vontade de ler agora. Tem um enredo bem forte, e intrigante.
Gosto mais de histórias assim do que romances , porque né?!

Boa dica viu?! XOXO,R.

Jusley Lira disse...

hum... deu até vontade de ler
adorei a dica, parece realmente fascinante o livro ...

Beijus
Be Porcelain doll

Ingrid - Cor e Make disse...

Deve ser muito interessante!

cor-e-make.blogspot.com

Robledo Filho disse...

Ana! Como você sabe, sou inteiramente apaixonado por livros que ultrapassam a barreira do romance infanto-juvenil e adentram campos de profundidade maior, explorando cada mínimo pedaço da alma humana. Quando você mencionou "O Perfume" lá na minha resenha de "Precisamos falar sobre o Kevin", confesso que não liguei o livro à obra instantaneamente; agora, contudo, arrependo-me de não ter feito uma pesquisa imediata e de ter esperado pela sua resenha.
A história parece realmente fascinante: eu nunca pensei em ler um livro que abordasse a confecção de perfumes, mas isso não quer dizer que seja um tema ruim. Por si só, a natureza "monstruosa" de Grenouille já me atraiu bastante, e me encontro numa fase favorável à leitura de livros mais profundos e psicológicos.

Parabéns pela resenha e pela fantástica indicação, Ana!

=*
http://livrosletrasemetas.blogspot.com/

Bruna Tenório disse...

Ultimamente só tenho tempo para ler sobre Normas Regulamentadoras de segurança do trabalho, haha. Vou ter que deixar para ler esses livros nas minhas férias...

Ana Ferreira disse...

Douglas, na realidade, o livro, ao que me parece, é bastante diferente do filme homônimo. Nas telas, vejo um pouco mais do erotismo que não é tão presente no livro. Enquanto no filme ele se relaciona com os virgens, no livro ele nem sequer as toca se não for para aplicar suas técnicas de extração de perfume. Vejo muitas diferenças, embora o filme seja significativamente elogiado.

Robledo, tenha certeza de que depois de ler "Precisamos Falar Sobre Kevin", você está muito mais que apto literariamente para ler "O Perfume". Confesso que também tenho uma certa tendências a personagens sombrios.
Espero que, caso seja de seu interesse lê-lo, não se desaponte com a leitura.

Obrigada a todos pelos comentários :)

Gabriele Santos disse...

eu já tinha ouvido falar desta história por causa do filme e eu tenho aqui em casa mas nunca tive coragem de assistir.
kkkkkkkkkkkkkk
Mas depois da sua resenha, deu vontade conferi o livro. Não sei por que, mas ficou aquele desejo de adentrar na mente deste frio assassino.
quem sabe o leia...

Eduarda Menezes disse...

Já vi esse filme mas nunca li o livro! Confesso que estava até gostando da história, ainda mais com o Alan Hickman presente para dar o ar de sua graça na história, mas odiei de verdade o final! Não sei se mudaram alguma coisa pois não li o livro mas pelo menos o final do filme não gostei nem um pouquinho. Até cheguei a ganhar o livro depois, mas como já tinha visto o filme não me animei para ler!

Bjo!