17 abril 2011

17
abr
2011

A Última Música, Nicholas Sparks

A Última Música – Nicholas Sparks

Editora Novo Conceito, 376 páginas


   “Aos dezessete anos, Verônica Miller, ou simplesmente Ronnie, vê sua vida virar de cabeça para baixo quando seus pais se divorciam e seu pai decide ir morar na praia de Wrightsville, na Carolina do Norte. Três anos depois, ela continua magoada e distante dos pais, particularmente do pai. Entretanto, sua mãe decide que seria melhor os filhos passarem as férias de verão com ele na Carolina do Norte.
   O pai de Ronnie, ex-pianista, vive tranquilamente na cidade costeira, absorto na criação de uma obra de arte que será a peça central da igreja local. Ressentida e revoltada, Ronnie rejeita toda e qualquer tentativa de aproximação dele e ameaça voltar para Nova York antes do verão acabar. É quando Ronnie conhece Will, o garoto mais popular da cidade, e conforme vai baixando a guarda, começa a apaixonar-se profundamente por ele, abrindo-se para uma nova experiência que lhe proporcionará uma imensa felicidade – e dor – jamais sentida.
   Uma história inesquecível de amor, carinho e compreensão – o primeiro amor, o amadurecimento, a relação entre pais e filhos, o recomeço e o perdão – A ÚLTIMA MÚSICA demonstra, como só Nicholas Sparks consegue, as várias maneiras que o amor é capaz de partir e curar seu coração.”

   Antes de falar qualquer coisa sobre o livro, declaro que foi o primeiro título que li do tão adorado e renomado Nicholas Sparks. Se gostei do livro? Sim, gostei. Dificilmente não gostaria. Se esperava mais? Certamente...
   Não me compreendam mal, isso não quer dizer que eu não tenha gostado da história e tudo mais. Aqui, a questão é mais pessoal. Em um livro, prezo muito a narração longa e detalhada, pois acredito que seja esse o diferencial entre a riqueza de uma obra literária e de um filme adaptado, por exemplo. Em A Última Música, entretanto, ao menos no começo, eu senti a forte presença de um texto roteirístico, que dá muito valor às falas e ações. Com o desenvolver da história, felizmente, a narração ganhou caráter mais significativo e importante. Nicholas Sparks passou a explicar mais os sentimentos de cada personagem e acabou, de uma forma ou de outra, atendendo a alguns dos meus requisitos literários.
   Tratando-se de personagens, achava a protagonista Ronnie extremamente chata no início da história. Sabe aquele típico rebelde sem causa com síndrome de perseguição (sentimentos acho-que-sou-o-centro-do-universo)? Pois bem, esta era a Ronnie para mim. Uma adolescente que discutia com a mãe, não falava com o pai há 3 anos por ele ter ido embora – e ela nunca tinha se importado em saber o porquê -, saía de casa sem hora para voltar e ainda, em um momento de carência no qual muito provavelmente queria apenas chamar atenção, roubou em Nova York. Com o passar da história e o decorrer dos fatos, especialmente em momentos com o seu demasiadamente sereno pai, Steve, e o adorável e apaixonante Will - que apesar de todas as características para ser fútil e esnobe, foi um doce em todos os instantes, tolerante e sempre sustentou Ronnie em cada queda sua - a mocinha cresceu, apareceu e mostrou ter um grande coração.
   Will é o típico herói do romance. Ele é quase perfeito: bonito, educado, atleta, endinheirado e ainda trabalha para ser independente. Venhamos e convenhamos, é o estereótipo do par ideal de toda protagonista de histórias amorosas. Além disso, Ronnie e Will fazem o já conhecido por todas nós casal dos opostos. Ele, o popular da escola e ela, a oprimida, repelida pelas outras garotas que não estão no mesmo nível intelectual ou de maturidade. Ah vá! Quando soube do romance, achei o modelo meio passado, uma vez que, centenas de outros livros de sucesso seguem essa mesma linha, mudando apenas os nomes e as características dos personagens. Nicholas Sparks subiu um pouco no meu conceito quando fez que a sua Veronica amadurecesse e explorou muito bem o sentimento puro entre os dois, de amor mesmo, sabe? As descrições, embora simples, trazem um quê de grandiosidade. A relação entre eles é bonita, é pura e sincera, sem apelos sexuais (como em outras séries famosíssimas das quais não citarei os nomes). Sparks visivelmente não vende sexo, não acelera nada: tudo segue a ordem natural dos fatos.
   Outros personagens como Steve, Jonah e Blaze também emocionam muito ao longo da história. Há muitas guinadas na vida de todos eles e nós acompanhamos sempre curiosos para saber o que vai acontecer no capítulo seguinte. Devo ressaltar que, apesar de serem narrados em 3ª pessoa, cada capítulo leva o nome de uma das personagens e, indiretamente, narra sob a visão desta mesma. Aprecio isso em alguns momentos, pois tudo torna-se mais explicativo e poucos fatos não ficam esclarecidos para o leitor. Há, entretanto, particularmente falando, uma falha no que diz respeito à desenvoltura do autor, que torna tudo muito mais fácil e não desafia as dificuldades literárias de um escritor para chegar à sua plenitude. Em uma história narrada sob o ponto de vista de uma só personagem, fica mais complicado esclarecer tudo o que se passa pelas entrelinhas. Conta vantagem, todavia, o autor que é capaz de realizar tal feito sem perder nem coesão nem coerência e se auto desafia a superar a história que dá importância a muitas personagens quando, na verdade, há apenas um protagonista.
   O autor trabalha com contrastes que valem ser lembrados. Enquanto os irmãos Ronnie e Jonah estavam acostumados com o ambiente caótico e cosmopolita de Nova York, são obrigados a morar em Wrightsville, um lugar extremamente tranquilo, na costa da Carolina do Norte. Há as duas faces extremas da protagonista: a rebelde e inabalável, e a doce e sensível. Há até mesmo núcleos extremos da história. De um lado os corretos como Will, Jonah, Steve, Megan e Harris, por exemplo; passando pelos mais complexos que agem às vezes erroneamente - contudo não ruins, apenas incompreendidos ou egoístas mesmo - como Kim, Susan, Tom e Scott, indo aos mais errados, nem sempre de corações impuros, mas que simplesmente não seguem o regimento educado da sociedade, tais como a própria Ronnie (no início, ao menos), Blaze, Marcus, Teddy e Lance.
   Os núcleos de Nicholas Sparks certamente irão lhe emocionar, causar-lhe raiva, paixão, pena, dor, medo, carinho, adoração, tristeza e todos os outros sentimentos comuns e puros da vida cotidiana que o autor realmente sabe levar à sua obra simples, mas não menos valiosa.
   Sparks, com A Última Música, não se tornou um dos meus autores favoritos, porém emocionou-me ao ponto de chorar de indignação e, ao fim enfim, fazer-me sorrir e valorizar cada pequeno momento, menor seja ele.