05 junho 2011

05
jun
2011

Para sempre - 50 cartas de amor de todos os tempos

Para sempre – 50 cartas de amor de todos os tempos
Organizado por Emerson Tim com cartas de 24 autores e personalidades notáveis
Editora Globo, 165 páginas
ISBN: 978-85-250-4664-2
Gênero: Coletânea de cartas pessoais
Nota: 3 de 5 (Bom)
“A internet, o e-mail e os sites de relacionamento aproximaram as pessoas e democratizaram o conhecimento, contudo extinguiram uma atividade que, em certas mãos, tornou-se ao longo da história uma verdadeira arte - escrever cartas. Certas cartas eram guardadas ao longo de toda a vida, e as que integram este livro falam sobre o amor e fazem parte de uma coletânea que se concentra nos últimos três séculos do milênio passado. O leitor poderá encontrar, além de autores brasileiros e portugueses, textos originalmente escritos em latim, francês, inglês. Cícero; Plínio, o Jovem; Beethoven; Victor Hugo; Chopin; Machado de Assis; Olavo Bilac; Fernando Pessoa, entre outros fazem parte desta obra. “

   Falar de amor não é fácil. Amor é pessoal, é único para cada um, para cada dois, para cada quantos e para cada pessoa, coisa, objeto aos quais abranjam-se o amor de que se fala.
   Não sei expressar ao certo a minha opinião sobre este livro sem ser parcial, sem deixar marcado o gênero de amor que gosto de ter contaminado nas páginas em que toco. É impossível ler este livro e não tomar partido dos causos e das causas de algum dos autores, de não querer saber um pouco mais dos idílios que envolviam grandes homens, grandes e maleáveis pelo sentimento nobre que rege tantos romances. Henrique VIII para sua Ana Bolena, um caso que acabou sendo estopim para os atos de um dos maiores precursores da Reforma Protestante; Voltaire, distante de sua obra densa e filosófica falando com a mulher amada de uma forma tão humana; Beethoven sendo dominado pelas sinfonias dos sinais da paixão; Victor Hugo sem Os Miseráveis; Machado de Assis e sua adorada Carolina, companheira de toda a vida; Franz Kakfa sem a carapaça de barata da metamorfose, transparentemente apaixonado e outros, tantos outros... Cícero, Plínio, o Jovem, Tsui Inging, Sra. Shiguenari, D. Pedro I, Alfred de Musset, Fréderic Chopin, Gonçalves Dias, Eça de Queirós, Rui Barbosa, Cruz e Sousa, Olavo Bilac, Gibran Khalil Gibran, Augusto dos Anjos, Fernando Pessoa, Katherine Mansfield, Antonio Gramsci, Vladímir Maiakóvski.
   Escritores, compositores, maestros, músicos, reis, damas notáveis. Todos personagens de uma história, de um contexto histórico. Todos vivendo sua própria história à parte. Passíveis de erros, de dor, de sofrimento, de paixão, de traição, de cobiça, de luxúria, de amor, de humanidade. Vemos a sensibilidade transpassar as linhas particulares de cada caso.
   Tsui Inging, uma moça jovem e apaixonada, por exemplo, sentia falta de Yuan Chen, seu homem que partia em guerra.

   “E quanto aos nossos juramentos de amor, da minha parte, nada mudou. Serei sempre fiel à minha promessa. Fomos formalmente apresentados por minha mãe, e, na ocasião, não pude resistir a seus encantos e me entreguei completamente a você. Você me seduziu com a sua música, e eu perdi o domínio de mim mesma, e me ofereci para você da forma mais sincera e verdadeira. ''
                                                                   p. 30

   Machado de Assis, que ressalta as qualidades intelectuais da mulher numa forma de amor mais contida, um companheirismo mútuo.

   ''Tu pertences ao pequeno número e mulheres que ainda sabem amar, sentir e pensar. Como te não amaria eu?
                                                                  p. 87

   Olavo Bilac, que vive o idílio do amor à primeira vista...

   “Amei-te no primeiro dia em que te vi: amei-te em silêncio, em segredo, sem esperança de te possuir e sem refletir. Não quis saber quem eras, nem quis saber se me poderias amar: amei-te e amo-te cada vez mais.”
                                                                  p. 111

   A leitura do livro é agradável, é rápida e, no mínimo, interessante. Apesar de possuirmos aqui 50 cartas valiosas de amor de todos os tempos, não espere captar todo o amor de cada um que o sentiu. Esse tipo de amor único, ficou pessoal e limitado aos dois que compartilhavam tal sentimento.