11 agosto 2011

Encontrei na escola #2: Um certo capitão Rodrigo por Erico Verissimo

Olá blogueiros!
  A postagem era para ter ido ao ar na semana retrasada mas, por conta de outros livros que chegaram após e durante a leitura, acabei passando outras resenhas à frente. 
                                                       
Título: Um certo capitão Rodrigo
Autor: Erico Verissimo
Editora: Globo (embora a capa seja da Cia. das Letras, que é a edição mais nova e mais facilmente encontrada)
Número de páginas: 224
ISBN: 85-250-0507
Gênero: Literatura brasileira; ficção histórica

Rodrigo Cambará,
impetuoso capitão gaúcho,
desbrava pampas e corações.
É livre como o vento,
e seu heroísmo
deixa marcas na História.
Ainda há heróis no nosso tempo?

   Não é fácil falar sobre Erico Verissimo sem pensar na forma cativante com a qual ele conduz suas histórias. São livros com uma temática simples, sem muitas reviravoltas e que, todavia, ainda assim, emocionam o público e tornam suas personagens únicas. Assim é Rodrigo Cambará, impetuoso capitão gaúcho, desbravador de pampas e corações.

"- Não tem medo de ir para o inferno?
  Rodrigo cruzou as pernas, atirou o busto para trás e recostou-se contra a porta da capela.
- Padre, ouvi dizer que no céu não tem jogo nem bebida nem carreiras nem baile nem mulher. Se é assim, prefiro ir pro inferno."
p. 55

   "Um certo capitão Rodrigo" é um retrato da vida deste homem que ama a liberdade, a farra, a guerra. Um revolucionário que já viu de tudo pelo mundo, já esteve na presença de todo o tipo de mulher e, por acaso, em uma tarde de outubro de 1828, entrou na vida do pacato povoado de Santa Fé, Rio Grande do Sul.
   A história inteira gira em torno da trajetória do capitão após este ter se decidido a parar seu nomadismo de guerreiro, fixando-se naquele humilde lugar. Logo ao início, através do primeiro contato dele com Nicolau e Juvenal Terra, por exemplo, nota-se a apreensão dos habitantes em relação àquele homem calejado e festeiro. Seus modos, como lhe diz Juvenal, não condizem com a vida com a qual aquele povo está acostumado. Ali, em Santa Fé, os homens eram trabalhadores, acordavam antes do raiar do sol para cuidar da lavoura e do gado; as mulheres, por sua vez, eram direitas, dedicadas à família e a seus maridos; as moças jovens, ao contrário das chinas (termo típico da região ao referir-se às mulheres vulgares, da vida, por assim dizer)
   É natural que ao chegar Rodrigo, por sua aparência que beira o atraente aventureiro, as pessoas  permaneçam em dúvida quanto à sua conduta. Logo, entretanto, o homem de modos rudes e também cativantes, acaba por conquistar a simpatia da classe modesta daquele lugar. Ele conquista, incluisve, o coração de Bibiana Terra, virgem moça que até então nunca tinha deixado enamorar-se por um rapaz. Até surgir o capitão, seu capitão. Este, por sua vez, jamais desejara tanto uma mulher quanto ela.
   O tema central de "Um certo capitão Rodrigo" é, principalmente, o desenvolvimento de seu romance com a moçoila submissa, ternamente apaixonada. Rodrigo é, sem sombra de dúvida, uma personagem complexa, que causa adoração e raiva. O leitor certamente sentirá simpatia pelo protagonista, desde seu modo engraçado de se falar, até os momentos nos quais o sangue quente do homem que já viu tantas guerras vinha a todo vapor.
   Bibiana lembra a avó Ana Terra (protagonista de outro volume da mesma trilogia de "Um certo capitão Rodrigo", embora as personagens não tenham um vínculo concreto entre si). É quieta, teimosa e carrega consigo o fardo de amar um homem de coração livre, que nunca pertencerá a alguém além de si mesmo, por mais apaixonado que possa parecer.
   O romance de Verissimo em questão vem com menos poesia e lirismo que em Clarissa, por exemplo, mas a sua marca é incontestável no que diz respeito às personalidades das personagens e à exaltação do estado, não do país. Características regionalistas são altamente visíveis em seu texto. Fala-se de Rio Grande do Sul, de imigração alemã, das Revoluções Farroupilhas que, a propósito, têm papel muito importante em certo ponto da história.
  Por algum motivo que não sei ao certo como explicar, fiquei realmente ligada a esse livro. A leitura fluiu  rapidamente e, apesar de tudo, o desbravador de corações, Rodrigo, soube cativar-me igualmente à colega Bibiana. Um anarquista, ateu e, acima de tudo, amante da vida e dos prazeres da Terra. 
   Não temos aqui o herói brasileiro, porém o herói gaúcho, a marca do povo do Sul. Não temos também o herói romântico, perfeito... Talvez o realista, cheio de defeitos e que encanta por ser, afinal, humano.
   Indico a leitura da obra de Erico Verissimo a todo nativo do Rio Grande do Sul que quer conhecer um pouco mais de sua história. 
   Definindo Rodrigo Cambará em uma frase completamente anarquista...

"Se hay gobierno, soy contra."

  E que venha "Ana Terra".
Avaliação geral:
Nota 4 de 5 (Muito Bom)
  Uma boa noite a todos,



  

11 comentários:

Aione Simões disse...

Ana, mais uma ótima resenha!
A história parece ser muito bem construida e muito bem inserida no contexto histórico!
Fiquei surpresa em você ter dito que a leitura fluiu muito rápido! Geralmente, livros desse gênero e época costumam ser mais demorados de se ler, por melhor que sejam!
Mas acho que varia muito do livro e da pessoa lendo né?
Beijos!

Gabriele Santos disse...

Ainda vou ler um livro de Verissimo. Eu fiz um trabalho sobre ele ano passado e tinha que ler 'Um lugar ao sol' só que (cof, cof, cof) não deu tempo de ler todo rsrs.
Me simpatizei pelo capitão Rodrigo, acho que, se vier a ler, nossa relação será de amor e ódio, assim como nossas relações normais do dia a dia.
Mais uma belissima resenha Ana \o/
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sobre o comentário lá no blog, não quis dizer que devemos unir-nos para sempre a uma pessoa só, apenas que o brincar de pega-pega não é tão saudável quanto as pessoas acham ser. Apenas acho que conhecer mais profundamente as pessoas é uma experiência incrível e que muitos deixam passar por achar irrelevante. Queria que apenas as pessoas dessem a chance de ser eterno enquanto dure, permanente e firme enquanto durar.
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Beijos, beijos.

Camila Costa disse...

ótima resenha!
Nunca li nenhum livro do Veríssimo, mas vejo só elogios por aí;
me simpatizei com o personagem, acho que gostaria de escrever uma resenha sobre o livro
beijos Ana ^^

Cabelos ao Vento

♥ Nessa ♥ disse...

Olá!!
Para mim estes livros fazem parte dos clássios!!! Não tem quem não conheça Érico verissimo, vale muito apena ler!! bjs
http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com

Natália Maia disse...

Muito boa a resenha! Nunca li nada do Érico Veríssimo, mas tenho muita vontade! Minha irmã adora (:
Natália Maia - viciadasemlivros.wordpress.com

Livros e Tsurus disse...

Ótima resenha!
Gosto bastante dos livros do Érico Veríssimo. Esse eu ainda não li, mas parece ser bom.

Um dos meus livros preferidos do Érico é Música ao Longe, você já leu?

Beijos*

http://livrosetsurus.blogspot.com

Alinne disse...

Ótima resenha.
São muito bons os livros do Erico Verrissimo,já li alguns. Mas este ainda não tive a oportunidade, parece ser bem legal, ainda mais porque tem todo esse contexto histórico.
Beijos.

Books E Desenhos

Julia G disse...

Adorei a resenha do livro. Eu sempre gosto de ler esses livros "de escola", até para sair um pouco das leituras às vezes menos ricas dos YA e juvenis. Adorei a descrição "Talvez o realista, cheio de defeitos e que encanta por ser, afinal, humano", pois muitas vezes o que lemos não condiz com a realidade, e fazer um pouco parte do mundo real é bom também.

Beijos
Conjunto da Obra

Robledo Filho disse...

Como vários dos seus comentaristas, Ana, eu não li nada do Erico Veríssimo... Tenho esse "Um certo capitão Rodrigo" aqui em casa, assim como dois volumes da extensa saga "O tempo e o vento", mas nunca soube apontar por onde começava a grande história. Por exemplo, a Internet aponta que o livro que você resenhou, cronologicamente, é "do ponto de vista cronológico, é o terceiro episódio do primeiro volume de O continente, parte da trilogia O tempo e o vento". A sua análise deu a crer que é perfeitamente possível entender a obra sem ter lido os livros anteriores, mas eu realmente gostaria de começar do começo e, daí, ler as publicações em ordem. Tenho fé de que um dia conseguirei reunir toda a longa saga de Erico, e assim ter acesso a esse tão elogiado autor.

Como sempre, resenha impecável. Parabéns.

=*
Livros, letras e metas

Anônimo disse...

eu li ana terra por obrigaçao, não achei nada demais, inclusive foi um dos livros selecionados pelo colegio que menos gostei.

Teorias de Gi disse...

Adorei a resenha e fiquei interessada, gosto de personagens digamos assim nem tão perfeitos e um pouco engraçado, vou procurar na escola pq sei q na minha tem pq quase peguei ele uns tempo atras ai vi outro e resolvo trocar na hora!!!