Autores: Lygia Fagundes Telles, Marques Rebelo, Marina Colasanti, Machado de Assis, O. Henry, Luís Fernando Veríssimo, João do Rio, Elias José, Orlando Bastos, João Antônio e William Shakespeare
Editora: Ática
Número de páginas: 157
Gênero: Literatura Brasileira; Antologia de contos
Quando na escola? Muito provavelmente no estudo dos contos, uma vez que não possui uma corrente literária definida, abrangendo várias épocas.
O amor pode estar escondido em uma floresta ou de seres encantados ou em um inacreditável engarrafamento de tílburis e carroças.
Pode durar toda a vida ou ser tão passageiro quanto uma ilusão. Pode ser o sonho de uma tecelã ou virar o pesadelo que abala uma antiga amizade. Não importa. Inspiração para escritores de todas as épocas, o amor será sempre um tema capaz de seduzir qualquer um de nós.
Mais uma vez trago ao leitor um tema tão discutido em todo o mundo e na mais pura literatura. Amor, novamente. Amor que neste vigésimo segundo volume da popular coleção Para Gostar de Ler cria-se e recria-se sem ser piegas, sem ser demasiado. Nem muito, nem pouco. Apenas na dose certa."Marina sorria, confirmando. Ele sorria também. Diversas vezes, ele olhou pra trás e a encontrou olhando. Trocaram sorrisos e olhares. Os dois estavam vivendo uma ternura primeira e não sabiam escondê-la."Elias José
O mais interessante da coletânea é, muito provavelmente, a diversidade de estilos que ela abrange. Temos o amor cotidiano no texto de Lygia Fagundes Telles; a delicadeza, por Marques Rebelo; a fantasia e a metáfora embutida nos contos de fada de Marina Colasanti; a ironia e o realismo nu, desprovido de subjetivismos no eterno Machado de Assis; a crítica à sociedade por meio de um amor "por acaso", de O. Henry; o humor que divide a coletânea por parte de Luís Fernando Veríssimo; a paixão feroz e ilusória, um feliz descoberta através da retórica de João do Rio; a inocência do amor infantil cedida gentilmente por Elias José; um texto fascinantemente cruel, fantasioso e melancólico por Orlando Bastos; os sentimentos contraditórios do homem, de João Antônio e, encerrando com grandiosidade, a comédia de Shakespeare, tão conhecida por todos nós "Sonho de Uma Noite de Verão".
Sei que muitos não se interessam por contos, o que acho uma pena. Contudo, garanto que não arrepender-se-iam se, por acaso, resolvessem conhecer um pouco mais do universo desses textos curtos que falam tantas coisas em tão poucas linhas, com um valor inestimável.
Nesta obra, por muitas vezes, o texto conversa com o leitor e o convida a aventurar-se pelos tantos amores apresentados. Difícil é não reconhecer-se em algum dos personagens, não sentir o que eles sentiram de forma tão brasileira, à exceção do estadunidense O. Henry e de William Shakespeare. São histórias que se misturam e casam-se entre si de maneira muito desproposital.
Destaque para o conto de Machado de Assis, "Fernando e Fernanda", uma história entre dois namorados que se desencontram em seu amor; para a ironia e a crítica engajada de O. Henry em "Manon e o arqueiro"; para a geniosidade de Orlando Bastos em trazer a pureza do amor misturada de maneira muito tênue à loucura e à desgraça em "Os Amantes".
Histórias de Amor, com suas poucas 157 páginas, promete ser um bom entretenimento ao leitor desinibido de preconceitos contra textos compactos e que pretende conhecer, intimamente, as tantas faces desse sentimento complexo pela eloquência que infalível dos queridos autores brasileiros.
"Nem uma palavra. Estavam num outro mundo. Ele caiu de joelhos, ela pendeu, estavam os dois. Era frenética e deliciosa. Deliciosamente deliciosa. A própria paixão a vibrar. E Geraldo voltou ao casinhoto, outro homem, aturdido, sem compreender o que via, a lembrar-se dos seus abraços e das palavras suas."João do Rio
Avaliação Geral:
Nota 4 de 5 (Muito Bom)
Uma boa quinta-feira a todos!