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20 janeiro 2013

Os meus autores do coração


Ainda que alguns leitores se recusem a escolher um livro ou um autor predileto pela extensa variedade com a qual a Literatura nos presenteia, sou da crença de que, mesmo que muito internamente, todos tenhamos os nossos favoritos.

Pensando nisso, resolvi trazer neste domingo, para vocês, uma pequena lista de 6 autores que admiro  com todo o meu senso crítico e, principalmente, com o coração. Porque, venhamos e convenhamos, algumas palavras vão muito além daquilo que a superfície expressa.

1. Machado de Assis
Vocês provavelmente já se cansaram de me ouvir parafraseando Machado de Assis por aqui. Mas eu, como tantas outras pessoas no Brasil e no mundo, não consigo deixar de achar a escrita do autor genial a cada novo romance, a cada novo conto e crônica. Suas palavras complicadas e seu estilo rico em intertextualidade, que muitas vezes assustam os leitores jovens, causam em mim um encanto semelhante ao de Capitu em Bentinho. Aprecio muitíssimo também os recursos estilísticos ousados dos quais se utilizava, em pleno século XIX, para falar diretamente com seus leitores. E a ironia, ah, a ironia machadiana! Isso sem contar o fato de que para um mulato, numa sociedade fluminense arraigada de preconceitos, era inimaginável vir a se tornar o maior nome da Literatura no Brasil.
Livro predileto: Dom Casmurro
Conto predileto: A Missa do Galo
Vale a leitura: Helena. Um romance que, apesar de pertencer à sua fase romântica, tenho em alta estima pela escrita melancólica e adorável.
"Está morto: podemos elogiá-lo à vontade."
Machado de Assis

26 abril 2011

Sobre cenários literários...

   Ao ler um livro, é impossível não nos atermos aos detalhes, desde a composição emocional da personagem em questão até os cenários, os tantas vezes imaginados cenários nos quais se passam as nossas histórias favoritas.

   Quem nunca parou para pensar, nunca constituiu em sua mente a imagem do local aonde aquela cena inesquecível do clímax do livro se passava? Pois foi pensando nisso que selecionei fotos de algumas das paisagens mais queridas por diversos escritores e acrescentei algumas informações a respeito de gêneros, livros, além de trechos passados nos mesmos.

Castelos
    Para os fãs da literatura fantástica ou ainda da medieval, o cenário é bastante conhecido e, normalmente, querendo ou não, é desenvolvido em algum lugar afastado que localiza-se na Antiga Europa.
   Autores prestigiadíssimos como J.R.R. Tolkien e J.K. Rowling consagraram suas sagas adoradas mundialmente (O Senhor dos Anéis e Harry Potter, respectivamente) em castelos, por exemplo.
"- Vocês vão ter a primeira visão de Hogwarts em um segundo - Hagrid gritou por cima do ombro -, logo depois dessa curva.
   Ouviu-se um Aooooooh muito alto.
   O caminho estreito se abrira de repente até a margem de um grande lago escuro. Encarrapitando no alto de um penhasco na margem oposta, as janelas cintilando no céu estrelado, havia um imenso castelo com muitas torres e torrinhas."
ROWLING, J.K.; Harry Potter e a Pedra Filosofal, p.99 ; Editora Rocco

 Escolas e Internatos
   Os leitores dos mais aos menos assíduos já estão cansados de saber que o cenário predominante da literatura juvenil hoje e sempre é o das escolas. Desde tempos mais remotos, quando eram internatos ou instituições de ensino para moças, os lares do aprendizado preencheram a cabeça de muitos jovens com aventuras e histórias extraordinárias.

   Quase todos os personagens queridinhos atualmente passaram pela escola em algum momento de suas trajetórias literárias. Lá conheceram seus amigos,os primeiros romances e paixonites despertaram, as responsabilidades da vida lhes foram impostas.
   Em obras contemporâneas, temos os exemplos das amigas que se conheceram em Gossip Girl e Pretty Little Liars. Tratando-se de paixões, quase todos os juvenis encontram o amor de suas vidas eternas na escola. Haja visto os mais vampirescos tais quais, impossível não citar, Crepúsculo, Vampire Diaries e toda essa linha de caninos maiores (porém de muita duvidosa braveza). Isso não é, afinal, novo. As escolas vêm de muito tempo atrás nas histórias e aparecem em clássicos no formato de academias (A Inglaterra vitoriana de Jane Austen), seminários (Os polêmicos de Machado de Assis e outros realistas brasileiros como Gonçalves Dias e Raul Pompéia), internatos, até chegarem às escolas que temos atualmente.

   “A carruagem sobe a colina que vai dar na porta principal de Spence. Estico a cabeça para fora da janela para olhar o enorme edifício. Tem alguma coisa se projetando do telhado. É difícil distinguir o que é naquela luz fraca do anoitecer. A lua sai de trás das nuvens e eu as vejo claramente: gárgulas. O luar passeia sobre o telhado, iluminando pedaços das figuras – dentes afiados, uma boca arreganhada, olhos raivosos.
   Bem-vinda à escola para moças, Gemma. Você vai aprender a bordar, a servir chá, a fazer reverência. Ah, por falar nisso, você corre o risco de ser exterminada no meio da noite por uma das terríveis criaturas aladas do telhado.”
BRAY, Libba; Belezas Perigosas, p. 39; Editora Rocco


Bibliotecas
   As bibliotecas costumam ser um apêndice das próprias escolas ou castelos, mas têm uma história toda especial à parte.
   Quem não se lembra de Hermione, Harry e Rony na seção reservada da Biblioteca de Hogwarts em busca de informações secretas? Quem não se empolgou com Dan Brown pelas bibliotecas do Vaticano? E quem não se envolveu nos romances escondidos que passaram entre a poeira e os livros com diversas personagens modernas?

   “O tal Isaac nos convidou a entrar com um leve assentimento. Uma penumbra azulada cobria tudo, insinuando apenas os traços de uma escadaria de mármore e uma galeria de afrescos repleta de figuras de anjos e criaturas fabulosas. Acompanhamos o vigia através daquele corredor palaciano e chegamos a uma grande sala circular, onde uma autêntica basílica de trevas jazia sob uma cúpula esfaqueada por focos de luz que desciam desde o alto. Um labirinto de corredores e estantes repletas de livros se erguia da base até a cúspide, desenhando uma colméia em cuja trama viam-se túneis, escadas, plataformas e poentes que deixavam adivinhar uma biblioteca gigantesca, de geometria impossível. Olhei para meu pai, boquiaberto. Ele me sorriu, piscando o olho.
   - Daniel, bem-vindo ao Cemitério dos Livros Esquecidos.”
ZAFÓN, Carlos Ruiz; A Sombra do Vento, p. 9; Editora Suma de Letras

Igrejas
   As casas religiosas servem, muitas vezes, de paisagem para os segredos dos refugiados ou não sob seus dogmas. São lugar de encontros proibidos, paixões oprimidas, proteção e, muitas vezes, significam completamente o contrário, fazendo a linha mais gótica e pitoresca, deixando um cenário tão divino completa e erroneamente macabro.
  “Ela não respondeu à própria pergunta, mas, quando Gabriella levantou os olhos apavorados, tudo o que pôde ver foi uma cruz enorme com um Cristo moribundo e coberto de sangue, que a fez berrar ainda mais alto por tudo o que aquilo significava.”
STEEL, Danielle; Um Longo Caminho para Casa p. 80; Editora Record

Cemitérios
    Inspirando mais medo e fazendo parte, especialmente, das literaturas gótica e fantástica, os cemitérios fazem alusão nas obras a coisas ruins, sombrias e relativas naturalmente à morte.

   São sempre descritos com poucas cores e uma tristeza toda característica que só os santuários dos mortos podem ter.
   Autores contemporâneos como, por exemplo, Lauren Kate (de Fallen) fazem alusões aos cemitérios em suas obras. Olhando mais para trás, temos o macabro Edgar Allan Poe e Patrick Süskind, com O Perfume.
“O mato rasteiro dominava tudo. E não satisfeito de ter-se alastrado furioso pelos canteiros, subira pelas sepulturas, infiltrara-se ávido pelos rachões dos mármores, invadira as alamedas de pedregulhos esverdinhados, como se quisesse com sua violenta força de vida cobrir para sempre os últimos vestígios de morte. Foram andando pela longa alameda banhada de sol. Os passos de ambos ressoavam sonoros como uma estranha música feita do som das folhas secas trituradas sobre os pedregulhos. Amuada mas obediente, ela se deixava conduzir como uma criança. Às vezes mostrava certa curiosidade por uma ou outra sepultura com os pálidos medalhões de retratos esmaltados.
   - É imenso, hein? E tão miserável, nunca vi um cemitério mais miserável, que deprimente – exclamou ela, atirando a ponta do cigarro na direção de um anjinho de cabeça decepada. – Vamos embora, Ricardo, chega.”
TELLES, Lygia Fagundes; Antes do Baile Verde p. 140; Companhia das Letras


   Espero que tenham gostado da postagem de hoje!
   Comentem sobre seus cenários favoritos e até mesmo os trechos. Quinta-feira trarei mais algumas paisagens famosas literariamente.
   Aguardem!





24 fevereiro 2011

A Trilogia Gemma Doyle

 Olá blogueiros!
 Vocês provavelmente estão estranhando duas postagens literárias na mesma semana, mas é que estamos mudando algumas coisas e, a partir da semana que vem, entrarei com uma nova coluna. Que é surpresa, haha! Por enquanto, vamos ficando com a dupla dica de livros que lhes proporciono e aproveitando!
   Sobre a Trilogia Gemma Doyle, sou suspeitíssima para falar. Simplesmente porque adoro, adoro de paixão os livros e porque tenho uma história com eles. Mais alguém aqui acredita que cada livro é uma história à parte da própria história? Comigo, pelo menos é assim e esta que lhes conto hoje começou em 2008...
   Estava eu, aos meus 13 anos, passeando pela Siciliano, procurando novidades pelas prateleiras quando deparei-me com uma capa extremamente exótica, maravilhosa, e com um título bastante chamativo:  Belezas Perigosas, o primeiro volume da trilogia lançada pela Rocco Para Jovens Leitores. A sinopse não era menos atraente. Jovens estudantes em uma Academia para Moças da vitoriana Inglaterra de 1800 (e bolinha...), Gemma Doyle, uma garota que crescera na Índia, louca para viver em Londres, atormentada por uma tragédia que se abatera sobre sua família, atormentada por uma magia assustadora, por visões que a seguiam e por um misterioso e ameaçador rapaz enviado para solicitar (não muito educadamente) que ela fechasse suas visões. Eu simplesmente me encantei com o livro, mas na época, o preço estava, digamos, "salgado" e acabei esquecendo-me dele por um tempo. 
   2010, muitas leituras depois, passeando pelo site da Submarino, pesquiso o título novamente e o encontro muito mais acessível. Comprei-o sem hesitar e definitivamente, matei a vontade. Terminei de lê-lo no mesmo dia em que ele chegou e já fui correndo atrás de notícias sobre a continuação. É por essa paixão, por esse favoritismo e carinho que despertei pela série, que a trago hoje aqui como dica de leitura.

Belezas Perigosas - Libba Bray/ Rocco para Jovens Leitores, 323 páginas
    O que provavelmente vai agradar os leitores, é a excentricidade do livro, o exotismo e, deve-se ressaltar, a construção intelectual muitíssimo bem feita dos personagens.
   Embora tenha achado estranha no começo, gosto muito da narração do livro, que é feita no presente, e tem o toque ácido e rebelde todo especial da Gemma. Dela, que eu também não gostava, mas que aos poucos, promete conquistar o leitor.
   Gemma Doyle é uma das protagonistas mais legais de todas as séries que já li. Primeiro, pelo fato de ela não ser melosa, enjoada e viver em crise existencial (Bella Swan feelings). Segundo, ela é completamente humana, tem qualidades e defeitos. Ao mesmo tempo que é corajosa, destemida e leal, é egoísta, taciturna e orgulhosa. Terceiro, ela não comenta a cada dois parágrafos o quanto está confusa e/ou apaixonada, simplesmente porque ela não está, ou ainda não, e porque é total e completamente independente.
   O cenário em que o livro se passa é fascinante: da Índia colônia inglesa à (suja), irreverente capital mundial, Londres. A maior parte do livro é narrada na Academia Spence, aonde Gemma, após sofrer um grande trauma, foi obrigada a se matricular. Naquela época, século XIX, a mulher tinha um papel completamente submisso na sociedade. As moças eram educadas desde cedo a serem boas esposas e a aprenderem apenas o essencial para isso. Por menos incrível que pareça, era exatamente com isso que toda garota sonhava: casar-se com um homem jovem e rico e servi-lo até a morte, deprimente, não? Gemma, porém, é a rebelde. Tem pavor só de pensar nisso e despreza muitas de suas colegas de escola por sua frivolidade. Até o dia em que conhece a pouco confiante e autoflageladora, Ann; a vulgar, interesseira (sim, para mim ela é muito interesseira em alguns momentos) e idealizadora da liberdade, Felicity; a vaidosa e doce Pippa. Juntas, as 4 criarão uma estranhíssima amizade; viverão muitas aventuras entre os Reinos (que contam com a presença de muitas criaturas fantásticas e mitológicas) e saídas escondidas da escola à noite para cavernas e o acampamento cigano, onde encontra-se alojada a nossa incógnita, o indiano Kartik. E é com esse delicioso toque exótico que espero que o livro conquiste cada um de vocês! Esta leitura vale a pena.


   Anjos Rebeldes - Libba Bray/ Rocco para Jovens Leitores, 472 páginas
   Anjos Rebeldes é maior e, em muitos termos, melhor que Belezas Perigosas!
  O mistério acerca de alguns personagens e certos romances desenvolvem-se num embalo gostoso, que ajudam o leitor a compreender muitas das coisas que aconteceram no primeiro volume da série.
   Gemma está crescendo, ficando mais madura e "misteriosa". Kartik aparece bem mais e ganha importância mais que evidenciada neste volume em relação ao outro. Felicity me incomoda muitas vezes e Ann começa a planejar ir atrás do sonho de sua vida. Surge o galante Simon Middleton e deixa nossa protagonista bastante confusa. Os mistérios em relação à Ordem, aos Reinos e aos Rakshana estão se esclarecendo e Gemma teme que logo tenha que tomar uma decisão que possa alterar o curso de tudo. Paralelamente, os problemas com sua família surgem e seu pai está cada vez pior com o vício, o ópio...
  O que então fazer? Quais alianças fechar? Em quem acreditar? São as várias questões que envolvem Anjos Rebeldes.

   O terceiro livro, infelizmente, ainda não foi lançado pela Rocco. O nome dele em inglês é The Sweet Far Thing e graças às fofas da comunidade "Traduções e Digitalizações", tem sua maioria em português prontinha para quem quiser ler. O link é este.
   Espero que aproveitem as dicas!