Mostrando postagens com marcador lygia fagundes telles. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lygia fagundes telles. Mostrar todas as postagens

20 janeiro 2013

Os meus autores do coração


Ainda que alguns leitores se recusem a escolher um livro ou um autor predileto pela extensa variedade com a qual a Literatura nos presenteia, sou da crença de que, mesmo que muito internamente, todos tenhamos os nossos favoritos.

Pensando nisso, resolvi trazer neste domingo, para vocês, uma pequena lista de 6 autores que admiro  com todo o meu senso crítico e, principalmente, com o coração. Porque, venhamos e convenhamos, algumas palavras vão muito além daquilo que a superfície expressa.

1. Machado de Assis
Vocês provavelmente já se cansaram de me ouvir parafraseando Machado de Assis por aqui. Mas eu, como tantas outras pessoas no Brasil e no mundo, não consigo deixar de achar a escrita do autor genial a cada novo romance, a cada novo conto e crônica. Suas palavras complicadas e seu estilo rico em intertextualidade, que muitas vezes assustam os leitores jovens, causam em mim um encanto semelhante ao de Capitu em Bentinho. Aprecio muitíssimo também os recursos estilísticos ousados dos quais se utilizava, em pleno século XIX, para falar diretamente com seus leitores. E a ironia, ah, a ironia machadiana! Isso sem contar o fato de que para um mulato, numa sociedade fluminense arraigada de preconceitos, era inimaginável vir a se tornar o maior nome da Literatura no Brasil.
Livro predileto: Dom Casmurro
Conto predileto: A Missa do Galo
Vale a leitura: Helena. Um romance que, apesar de pertencer à sua fase romântica, tenho em alta estima pela escrita melancólica e adorável.
"Está morto: podemos elogiá-lo à vontade."
Machado de Assis

03 abril 2012

Trechos: Lygia Fagundes Telles

Quero ficar só. Gosto muito das pessoas, mas às vezes tenho essa necessidade voraz de me libertar de todos."
Disparadamente minha autora favorita, Lygia Fagundes Telles é paulistana e nasceu a 19 de abril de 1923, quarta filha do casal Durval de Azevedo Fagundes e Maria do Rosário Silva Jardim de Moura. Logo jovem, desenvolveu o interesse pela leitura através das histórias que ouvia entre as rodas de pajens e crianças durante suas viagens em decorrência do trabalho do pai, advogado, que se mudava constantemente para o ofício.

Aos 15 anos, em 1938, publicou seu primeiro livro de contos, chamado Porão e Sobrado. Em 1941, iniciou o curso de Direito na Faculdade do Largo do São Francisco e lá, nas rodas literárias, conheceu nomes como Mário e Oswald de Andrade, Paulo Emílio Sales Gomes, com quem se casaria mais tarde, entre outros. Para garantir seu sustento, colaborava com jornais e trabalhava como assistente do Departamento Agrícola do Estado de São Paulo.

Lygia participou ativamente de protestos contra o Estado Novo e sua ditadura ao lado de artistas como os Andrades, Tarsila do Amaral,  Anita Mafaldi e Heitor Villa-Lobos. Após sua primeira publicação, voltou ao mercado editorial com Praia Viva em 1944 e fortaleceu sua eloquência com o romance Ciranda de Pedra. Consagrou-se verdadeiramente, entretanto, com os famosos Verão no Aquário, Antes do Baile Verde, As Meninas, Seminário de Ratos, A Estrutura da Bolha de Sabão, As Horas Nuas e A Noite Escura e Mais Eu, consecutivamente.

Seu trabalho, no geral, rendeu-lhe muitos prêmios importantes, dos quais destacam-se 3 Jabuti de Melhor Livro do Ano e Ficção; o prêmio Coelho de Neto, concedido pela Academia Brasileira de Letras e o Camões, em 2005, o mais importante da literatura em língua portuguesa.

Fonte: Releituras 

"Quero te dizer que nós, as criaturas humanas, vivemos muito (ou deixamos de viver) em função das imaginações geradas pelo nosso medo. Imaginamos consequências, censuras, sofrimentos que talvez não venham nunca e assim fugimos ao que é mais vital, mais profundo, mais vivo. A verdade, meu querido, é que a vida, o mundo dobra-se sempre às nossas decisões."
(TELLES, Lygia Fagundes - As Meninas - 2009)

"[...] quando na realidade o amor é uma coisa tão simples... Veja-o como uma flor que nasce e morre em seguida porque tem que morrer. Nada de querer guardar a flor dentro de um livro, não existe nada mais triste no mundo do que fingir que há vida, onde a vida acabou."
(TELLES, Lygia Fagundes - Verão no Aquário -  2010)

"A beleza não está nem na luz da manhã nem na sombra da noite, está no crepúsculo, nesse meio tom, nessa incerteza."
(TELLES, Lygia Fagundes - Antes do Baile Verde - 2009)

"Por que não lhe disse antes?
Apertá-lo demoradamente contra o meu peito e dizer: não disse porque pensava que tinha pela frente a eternidade. Só me resta agora esperar que aconteça outra vez, vislumbro esse encontro - mas vou reconhecê-lo? E vou me reconhecer nos farrapos da memória do meu eu?
Peço que me faça um sinal e responderei ao código secreto na mente e no silêncio dos navios que se comunicam quando cruzam no mar."
(TELLES, Lygia Fagundes -  A Disciplina do Amor - 2010)

"A perplexidade do moço diante de certas considerações tão ingênuas, a mesma perplexidade que um dia senti. Depois, com o passar do tempo, a metamorfose na maquinazinha social azeitada pelo hábito de rir sem vontade, de falar sem vontade, de chorar sem vontade, de falar sem vontade, de fazer amor sem vontade... O homem adaptável, ideal. Quanto mais for se apoltronando, mais há de convir aos outros, tão cômodo, tão portátil. Comunicação total, mimetismo: entra numa sala azul, fica azul, numa vermelha, vermelho. Um dia se olha no espelho, de que cor eu sou? Tarde demais para sair pela porta afora."
(TELLES, Lygia Fagundes - Antes do Baile Verde - 2009)

"Com a ponta da língua pude sentir a semente apontando sob a polpa. Varei-a. O sumo ácido inundou-me a boca. Cuspi a semente: assim queria escrever, indo ao âmago do âmago
até atingir a semente resguardada lá no fundo como um feto".
(TELLES, Lygia Fagundes - Antes do Baile Verde - 2009)


08 setembro 2011

Oito contos de amor por Lygia Fagundes Telles

Perdoem o atraso!
Título: Oito contos de amor

Autora: Lygia Fagundes Telles
Editora: Ática
Número de páginas: 87
ISBN: 85-08-05853-5
Gênero: Literatura brasileira; Antologia de contos
Quando na escola? Durante o estudo da corrente literária do Modernismo, que normalmente ocorre ao 3º ano do Ensino Médio, ou o conhecimento dos contos, sem nível estudantil certo.

O amor transforma uma simples ajudante de cabeleireiro na persistente Pomba Enamorada, numa espera sem fim. Um homem à beira da morte vê num colar de pérolas a saída para suspender o esquecimento inevitável da mulher que ainda é sua. A lembrança do primeiro amor de uma menina atravessa os anos encerrada num enfeite de cerejas de cera. Uma bolha de sabão paira no ar, transparente, fragilíssima, e no entanto impenetrável...
Banal, sublime, vago, fulminante... O amor tem todas as formas e está em toda parte. Mas é sempre mistério. Lygia Fagundes Telles, com a maestria de sua arte, sonda as profundezas desse abismo. Não para desvendar-lhe o segredo, mas para nele mergulhar o leitor. Nos oito contos deste livro, mesmo quando não mencionado, o amor é o personagem principal.

Acho um pecado colocar uma obra de minha autora predileta na seção “Encontrei na escola”, que tende a ser vista como a daqueles livros chatos para o estudo... Muito pelo contrário, grande parte da riqueza literária está contida aqui. Mais acentuada, porém, intrínseca em sua grandeza incalculável, majestosa, impregnada de lirismo e mistério. Com esta antologia não poderia ter sido diferente. Apesar das poucas páginas, garanto que a leitura vale a pena.

Somos apresentados a oito contos que têm como tema central o sentimento que mais mexe com nossas cabeças, o utópico e por vezes catártico, amor. A antologia é composta por “As cerejas”, “Pomba enamorada ou uma história de amor”, “As pérolas”, “Herbarium”, “A chave”, “Apenas um saxofone”, “O encontro” e “A estrutura da bolha de sabão”.

É importante ressaltar o quão peculiar a escrita de Lygia pode ser. O leitor deve se deparar com contos refinados, que admitem interpretações lentas, que tendem a surgir com o tempo e sobre as quais a própria autora, numa entrevista ao início do livro, comentou.

“Não espero ser compreendida, espero ser lida. Se possível, amada – confessei a um leitor que parecia preocupado, gostava dos meus livros mas muita coisa não conseguia compreender. Não tem importância, respondi.”
Lygia Fagundes Telles

Entre os oito selecionados para a coletânea que vieram de outros livros da autora, deparamo-nos com as mais distintas vertentes do amor e do desamor. Histórias de idílios da juventude, de mocinhas que se desiludem em saber o quão triste pode ser a rejeição, ciúmes que assumem tons de Bentinho em “Dom Casmurro” como no célebre conto, “As Pérolas”, paixões que transcendem o tempo e a própria realidade...

Um exemplo da criatividade e até de um lado mais bem-humorado da autora pode ser visto no texto muito sutil e paralelamente distópico, “Pomba enamorada ou uma história de amor”, que nos narra a vida de uma moça que não consegue se desapegar de uma paquera de bailinhos juvenis, cheia de viço e de disposição para amar incontestavelmente, ao longo de todo o seu trajeto.

A nostalgia chega a palpitar, a doer em “Apenas um saxofone” num sentimento descontrolado, exagerado em que a paixão sufoca, é letal e promete tirar o ar do leitor. “A estrutura da bolha de sabão” nos presenteia com uma das mais belas metáforas sobre o amor, tão fino quanto a película que envolve a espuma, que deve ser soprado com cuidado para não ser demais, facilmente levado pela ventania, que fascina, encanta...

“Nossa vida foi tão maravilhosamente livre! E tão cheia de amor, como nos amamos e rimos e choramos de amor naquele décimo andar, cercados por gravuras de Fra Angelico e retratos dos seus antepassados.”
p. 67

Nessa mistura sentimental envolvente que promete ao leitor respirar novos ares literários, Lygia coordena com maestria seus contos e seus tantos modos de amar.

“A palavra escrita é como uma tatuagem, escrever é um ato de amor.”
Lygia Fagundes Telles

Avaliação Geral:

Nota 4 de 5 (Muito Bom)

Uma boa quinta-feira a todos e não deixem de conferir a promoção que está rolando AQUI no blog.

03 maio 2011

Dê uma chance aos sebos!

    Há poucos que não conheçam o serviço dos sebos, mas, para quem ainda assim não sabe do que se trata, eu explico-lhes: sebos são lojas que vendem produtos usados dos quais as pessoas simplesmente se cansaram ou talvez pelos quais nunca tenham nutrido um real interesse. Produtos estes que são, quase que invariavelmente, os livros, nosso assunto de hoje, gibis, Cds antigos, revistas, filmes e outras coisas que você acha em pouquíssimos locais do mundo contemporâneo.
   Não que todos os sebos vendam apenas artigos velhos, mas uma boa maioria sim. É bem fácil, na realidade, você encontrar neste tipo de comércio apenas uma mercadoria de segunda mão a um preço mais acessível e que pode estar tão ou mais bem cuidada que um livro best-seller encontrado em lojas âncoras, por exemplo. Já aconteceu isso comigo... Fui comprar um livro que estava mais acessível numa dessas lojas bem populares e ele acabou vindo riscado na capa brilhante que deveria ter vindo lisinha...
   Conheço muitas pessoas que têm preconceito contra sebos, o que é péssimo. Gente que tem uma imagem extremamente distorcida de produtos que consideram sujos e velhos. Não que eu também não adore meus livros novinhos exalando a papel das livrarias convencionais, mas livros não têm idade para serem bons, nem são apenas aparência, muito pelo contrário... A essência dos nossos xodós é justamente o conteúdo! E tenha certeza de que bons sebos têm isso de sobra...

5 vantagens de comprar em sebos

1ª- Você economiza! A diferença de custo entre um livro novo e um de segunda mão (bem cuidado), pode chegar a 70% sobre o valor do novo exemplar. Por exemplo, você paga 40 reais em um produto de uma livraria convencional e encontra o mesmo, talvez um pouco mais amarelado, por 12 reais.
2ª Você tem a chance de conhecer títulos antigos e que podem ter o mesmo encanto sobre você de um lançamento da sua editora favorita.
3ª O conhecimento literário torna-se naturalmente mais abrangedor. Passeando com os olhos por um sebo você descobre muita coisa, acredite!
4ª Aprender a cuidar melhor dos seus livros. Comprando exemplares um pouco mais antigos de um livro, requer mais cuidados se você quiser que ele dure. Cuidados estes que você acaba utilizando com os mais novos também.
5ª São ótimos para pesquisas escolares! Primeiramente, pelo fator preço. E segundo, alguém no seu ambiente escolar ainda pesquisa e/ou faz trabalhos com o auxílio de livros? Não... Infelizmente, a grande maioria utiliza-se de ferramentas de busca (WIKIPÉDIA?)e é bem comum acontecer de o professor encontrar, por exemplo, figuras idênticas em dois ou três trabalhos de uma mesma classe. Os números são assustadores, as pessoas estão ficando preguiçosas. Faça a diferença!

     Para você que se interessou pelos serviços dos sebos, indico o Sebo do Messias, uma loja que funciona desde 1970 e é a maior virtual no quesito de raros e antigos, que entrega para todo o Brasil.
    Livraria e SEBO DO MESSIAS, localizada na Praça João Mendes, 166 e 140, com filial na Rua Quintino Bocaiúva 166, transformou-se ao longo dos seus 38 anos de existência em um respeitado ponto comercial da região central de São Paulo. Uma de suas principais características é possuir um significativo diferencial no atendimento: a ênfase ao preparo profissional de seus funcionários, a organização dos materiais revendidos, tornando a arte de frequentar o mundo dos sebos gratificante. Em seu projeto comercial, o SEBO DO MESSIAS enfatiza o bom atendimento aos seus clientes e bons preços em suas mercadorias, tornando a cultura mais acessível a todos e contribuindo para o desenvolvimento cultural de seus frequentadores.
Atualmente o SEBO DO MESSIAS, como é popularmente conhecido, é composto por três grandes lojas, todas estabelecidas no centro velho de São Paulo. 
  
   Eu comprovo a qualidade da loja. Ano passado, na Bienal de SP, eles estavam com um estande grande e maravilhoso. Tinha de tudo e a um preço excelente. Vi até a Totia Meireles comprado por lá. Chique, não?
   O tratamento foi muito bem feito, apesar da quantidade grande de pessoas que estavam presentes e não teve cliente insatisfeito.
   A loja virtual é muito segura e aceita variados tipos de pagamento: boleto bancário (minha forma de compras, mamis não confia em compras por cartões de crédito virtuais, fora que eu mesma posso pagar), cartões de crédito (Visa, Mastercard, American Express, Dinners Club e Hipercard). Eles vendem livros, DVDs, Cds, Lps, gibis e revistas. Além disso, há uma descrição de todos os produtos sobre a conservação destes, que pode aumentar ou diminuir o preço.

    Algumas ofertas...

Nota
A presente obra encontra-se em bom estado de conservação, contendo, apenas, algumas manchas amareladas causadas pelo tempo.
 Dados Técnicos
Ano: 1983
Edição: 5ª
Número de Páginas: 247
Formato: Ver Curiosidades
Editora: Circulo do Livro
Conservação da Capa: Bom Estado
Conservação do Miolo: Bom Estado
Acabamento: Capa Dura
Idioma: Português




Nota
A presente obra encontra-se em bom estado de conservação, contém apenas, uma marcação à caneta e a corretivo na primeira página.
Dados Técnicos
ISBN: 8501062901
Tradutor: Ruy Jungmann
Ano: 2002
Edição: 4ª
Número de Páginas: 284
Formato: 14 x 21
Editora: Record
Conservação da Capa: Ótimo Estado
Conservação do Miolo: Ótimo Estado
Acabamento: Brochura
Idioma: Português


Nota
Não constam, no exemplar, marcações à caneta, a lápis ou folhas rasgadas.
Dados Técnicos
Ano: 2002
Número de Páginas: 162
Formato: 14 x 21
Editora: Harper Collins Publishers
Conservação da Capa: Ótimo Estado
Conservação do Miolo: Ótimo Estado
Acabamento: Brochura
Idioma: Inglês






Nota
Não constam, no presente exemplar, riscos à caneta, marcações a lápis ou folhas rasgadas.
Dados Técnicos
ISBN: 9788598078298
Tradutor: Antônio E. de Moura Filho
Ano: 2007
Número de Páginas: 318
Formato: 16 x 23
Editora: INTRÍNSECA
Conservação da Capa: Ótimo Estado
Conservação do Miolo: Ótimo Estado
Acabamento: Brochura
Idioma: Português



Nota
Não consta no presente exemplar, riscos à caneta, marcações a lápis ou folhas rasgadas.
Dados Técnicos
ISBN: 8533608810
Ano: 2003
Edição: 2ª
Número de Páginas: 297
Formato: 14 x 21
Editora: Martins Fontes
Conservação da Capa: Ótimo Estado
Conservação do Miolo: Ótimo Estado
Acabamento: Brochura
Idioma: Português



   E para aqueles que não se sentirem à vontade de fazer compras pela internet, que tal procurarem por suas cidades um bom sebo? Aposto que não irão se arrepender.
   Beijos!






26 abril 2011

Sobre cenários literários...

   Ao ler um livro, é impossível não nos atermos aos detalhes, desde a composição emocional da personagem em questão até os cenários, os tantas vezes imaginados cenários nos quais se passam as nossas histórias favoritas.

   Quem nunca parou para pensar, nunca constituiu em sua mente a imagem do local aonde aquela cena inesquecível do clímax do livro se passava? Pois foi pensando nisso que selecionei fotos de algumas das paisagens mais queridas por diversos escritores e acrescentei algumas informações a respeito de gêneros, livros, além de trechos passados nos mesmos.

Castelos
    Para os fãs da literatura fantástica ou ainda da medieval, o cenário é bastante conhecido e, normalmente, querendo ou não, é desenvolvido em algum lugar afastado que localiza-se na Antiga Europa.
   Autores prestigiadíssimos como J.R.R. Tolkien e J.K. Rowling consagraram suas sagas adoradas mundialmente (O Senhor dos Anéis e Harry Potter, respectivamente) em castelos, por exemplo.
"- Vocês vão ter a primeira visão de Hogwarts em um segundo - Hagrid gritou por cima do ombro -, logo depois dessa curva.
   Ouviu-se um Aooooooh muito alto.
   O caminho estreito se abrira de repente até a margem de um grande lago escuro. Encarrapitando no alto de um penhasco na margem oposta, as janelas cintilando no céu estrelado, havia um imenso castelo com muitas torres e torrinhas."
ROWLING, J.K.; Harry Potter e a Pedra Filosofal, p.99 ; Editora Rocco

 Escolas e Internatos
   Os leitores dos mais aos menos assíduos já estão cansados de saber que o cenário predominante da literatura juvenil hoje e sempre é o das escolas. Desde tempos mais remotos, quando eram internatos ou instituições de ensino para moças, os lares do aprendizado preencheram a cabeça de muitos jovens com aventuras e histórias extraordinárias.

   Quase todos os personagens queridinhos atualmente passaram pela escola em algum momento de suas trajetórias literárias. Lá conheceram seus amigos,os primeiros romances e paixonites despertaram, as responsabilidades da vida lhes foram impostas.
   Em obras contemporâneas, temos os exemplos das amigas que se conheceram em Gossip Girl e Pretty Little Liars. Tratando-se de paixões, quase todos os juvenis encontram o amor de suas vidas eternas na escola. Haja visto os mais vampirescos tais quais, impossível não citar, Crepúsculo, Vampire Diaries e toda essa linha de caninos maiores (porém de muita duvidosa braveza). Isso não é, afinal, novo. As escolas vêm de muito tempo atrás nas histórias e aparecem em clássicos no formato de academias (A Inglaterra vitoriana de Jane Austen), seminários (Os polêmicos de Machado de Assis e outros realistas brasileiros como Gonçalves Dias e Raul Pompéia), internatos, até chegarem às escolas que temos atualmente.

   “A carruagem sobe a colina que vai dar na porta principal de Spence. Estico a cabeça para fora da janela para olhar o enorme edifício. Tem alguma coisa se projetando do telhado. É difícil distinguir o que é naquela luz fraca do anoitecer. A lua sai de trás das nuvens e eu as vejo claramente: gárgulas. O luar passeia sobre o telhado, iluminando pedaços das figuras – dentes afiados, uma boca arreganhada, olhos raivosos.
   Bem-vinda à escola para moças, Gemma. Você vai aprender a bordar, a servir chá, a fazer reverência. Ah, por falar nisso, você corre o risco de ser exterminada no meio da noite por uma das terríveis criaturas aladas do telhado.”
BRAY, Libba; Belezas Perigosas, p. 39; Editora Rocco


Bibliotecas
   As bibliotecas costumam ser um apêndice das próprias escolas ou castelos, mas têm uma história toda especial à parte.
   Quem não se lembra de Hermione, Harry e Rony na seção reservada da Biblioteca de Hogwarts em busca de informações secretas? Quem não se empolgou com Dan Brown pelas bibliotecas do Vaticano? E quem não se envolveu nos romances escondidos que passaram entre a poeira e os livros com diversas personagens modernas?

   “O tal Isaac nos convidou a entrar com um leve assentimento. Uma penumbra azulada cobria tudo, insinuando apenas os traços de uma escadaria de mármore e uma galeria de afrescos repleta de figuras de anjos e criaturas fabulosas. Acompanhamos o vigia através daquele corredor palaciano e chegamos a uma grande sala circular, onde uma autêntica basílica de trevas jazia sob uma cúpula esfaqueada por focos de luz que desciam desde o alto. Um labirinto de corredores e estantes repletas de livros se erguia da base até a cúspide, desenhando uma colméia em cuja trama viam-se túneis, escadas, plataformas e poentes que deixavam adivinhar uma biblioteca gigantesca, de geometria impossível. Olhei para meu pai, boquiaberto. Ele me sorriu, piscando o olho.
   - Daniel, bem-vindo ao Cemitério dos Livros Esquecidos.”
ZAFÓN, Carlos Ruiz; A Sombra do Vento, p. 9; Editora Suma de Letras

Igrejas
   As casas religiosas servem, muitas vezes, de paisagem para os segredos dos refugiados ou não sob seus dogmas. São lugar de encontros proibidos, paixões oprimidas, proteção e, muitas vezes, significam completamente o contrário, fazendo a linha mais gótica e pitoresca, deixando um cenário tão divino completa e erroneamente macabro.
  “Ela não respondeu à própria pergunta, mas, quando Gabriella levantou os olhos apavorados, tudo o que pôde ver foi uma cruz enorme com um Cristo moribundo e coberto de sangue, que a fez berrar ainda mais alto por tudo o que aquilo significava.”
STEEL, Danielle; Um Longo Caminho para Casa p. 80; Editora Record

Cemitérios
    Inspirando mais medo e fazendo parte, especialmente, das literaturas gótica e fantástica, os cemitérios fazem alusão nas obras a coisas ruins, sombrias e relativas naturalmente à morte.

   São sempre descritos com poucas cores e uma tristeza toda característica que só os santuários dos mortos podem ter.
   Autores contemporâneos como, por exemplo, Lauren Kate (de Fallen) fazem alusões aos cemitérios em suas obras. Olhando mais para trás, temos o macabro Edgar Allan Poe e Patrick Süskind, com O Perfume.
“O mato rasteiro dominava tudo. E não satisfeito de ter-se alastrado furioso pelos canteiros, subira pelas sepulturas, infiltrara-se ávido pelos rachões dos mármores, invadira as alamedas de pedregulhos esverdinhados, como se quisesse com sua violenta força de vida cobrir para sempre os últimos vestígios de morte. Foram andando pela longa alameda banhada de sol. Os passos de ambos ressoavam sonoros como uma estranha música feita do som das folhas secas trituradas sobre os pedregulhos. Amuada mas obediente, ela se deixava conduzir como uma criança. Às vezes mostrava certa curiosidade por uma ou outra sepultura com os pálidos medalhões de retratos esmaltados.
   - É imenso, hein? E tão miserável, nunca vi um cemitério mais miserável, que deprimente – exclamou ela, atirando a ponta do cigarro na direção de um anjinho de cabeça decepada. – Vamos embora, Ricardo, chega.”
TELLES, Lygia Fagundes; Antes do Baile Verde p. 140; Companhia das Letras


   Espero que tenham gostado da postagem de hoje!
   Comentem sobre seus cenários favoritos e até mesmo os trechos. Quinta-feira trarei mais algumas paisagens famosas literariamente.
   Aguardem!





08 fevereiro 2011

Uma Chance à Literatura Brasileira

Muitos jovens alegam não gostar dos livros nacionais. Dizem que a Literatura Brasileira é chata, pesada ou ainda, que muitas vezes trata de assuntos desinteressantes, com linguagem complicada e pouco atraente a quem busca dinamismo, ação e emoções. Fortes emoções.

   Se você é um destes jovens, tudo bem. Com algumas dicas, tentaremos te convencer de que nem só de clássicos com palavras difíceis vive o universo literário brasileiro.

Situação: Você está no Ensino Médio e não há uma só disciplina que não aborde o tema vestibular. Em Literatura não seria diferente: os livros que caem na lista da Fuvest e Unicamp são INEVITAVELMENTE solicitados aos alunos.
   Autores como Machado de Assis, José de Alencar, Guimarães Rosa, José Américo de Almeida, João Cabral de Melo Neto, Euclides da Cunha e Lima Barreto, por exemplo, têm seus livros preenchendo quase todas as estantes da biblioteca e quando você pega um deles para ler sente-se inútil. Sem o dicionário, impossível. É aí que está um dos grandes erros de quem educa, o que talvez te faça crer em um sentimento seu de repúdio à literatura. Puro engano, que fique claro.
Consequência: Você fica traumatizado e passa a amaldiçoar cada novo clássico que passa por suas mãos num domingo preguiçoso e chuvoso que antecede a prova de Literatura. O que é uma lástima...

   Já diziam vários inominados que não há neste mundo quem não goste de ler, há apenas quem ainda não encontrou o livro certo, aquele que o impulsionará a ir atrás de outro, outro e outro...
   Uns encontram o livro certo mais cedo, logo quando aprendem a ler. Outros o encontram no meio do percurso, um pouco mais velhos. E outros simplesmente desistem... Algo que nós não queremos que vocês também façam!
   Talvez esse também não seja o seu problema... Você já gosta de ler, certo? Mas evita ao extremo qualquer título assinado por um brasileiro, pois acredita que só de Capitus e Bentinhos viva a nossa literatura. Um erro e um grande preconceito, não só seu, porém de muitos outros jovens que, sem sequer conhecer o produto das suas origens, adquirem bestsellers americanos em massa. Olá, Brasil! Nós também produzimos livros, e de qualidade, senhores, senhoras e senhoritas!
   Para resolver esse problema, selecionei três livros brasileiros que poderão proporcionar um grande prazer a todos vocês, e sem terem que consultar um dicionário o tempo todo, ainda que seja bom para adquirir um vocabulário mais extenso...

1. De Amor e Amizade – Crônicas para Jovens, Clarice Lispector
Rocco Jovens Leitores | Na cotação: R$13,79 a R$20,00 | Na Submarino

   Clarice Lispector, embora também seja pedida em muitas listas de vestibular, não faz o estereótipo clássico pesado, de folhas amarelas com palavras antiquadas. Clarice é modernista, é inspiradora e encanta com sua forma fascinante e muito palpável de falar sobre sentimentos. E melhor, para jovens.
   As crônicas são leves, rápidas e nos fazem refletir, muitas vezes, sobre situações comuns a respeito de amor e amizade. Uma leitura rápida, leve e deliciosa. Duvido que você não saia adorando Clarice depois deste livro.
   Destaque às crônicas “Amor Imorredouro”, “Quem Escreveu Isto?”, “Por Não Estarem Distraídos”, “Lúcio Cardoso”, “As Dores da Sobrevivência” e “Sérgio Porto”.

“Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.”
p. 43 (Por Não Estarem Distraídos)

2. Antes do Baile Verde – Contos, Lygia Fagundes Telles
Companhia das Letras  | Na cotação: R$26,20 a R$37,00 | Fnac

   Para quem gosta de romances longos, é sempre interessante passar pela origem de qualquer um deles: os contos. Um dos textos mais magníficos e versáteis de toda a literatura.
   Lygia Fagundes Telles conduz todos os seus contos com maestria e com uma atmosfera exótica, daquelas que te faz sempre duvidar do que ocorrerá. Os finais surpreendem, e as histórias muitas vezes não têm problemáticas enormes, que envolvam acontecimentos super, ou hiper dramáticos (guerras entre vampiros e lobisomens... agora são anjos, né? Casos à parte) estão vetados. Lygia é autora das minúcias, dos pequenos detalhes que nos rondam no cotidiano, o que apenas contribui para sua genialidade.
   Os contos têm os famosos finais abertos, que sempre deixam um quê de dúvida no ar, uma liberdade gostosa e frases atípicas. Sim, as frases que encerram os contos de Antes do Baile Verde (que dá nome a um conto, diga-se de passagem) são talvez o que há de mais incrível na literatura da autora.
   Destaque aos contos: “Apenas um Saxofone”, “O Moço do Saxofone”, “Antes do Baile Verde”, “Meia-noite em Ponto em Xangai”, “Venha Ver o Pôr do Sol”, “As Pérolas” e “O Menino.”

“Depois, os uivos foram ficando mais remotos, abafados como se viessem das profundezas da terra. Assim que atingiu o portão do cemitério, ele lançou ao poente um olhar mortiço. Ficou atento. Nenhum ouvido humano escutaria agora qualquer chamado. Acendeu um cigarro e foi descendo a ladeira. Crianças ao longe brincavam de roda.”
P. 144 (Venha Ver o Pôr do Sol)

3. Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios, Marçal Aquino
Companhia das Letras  | Na cotação: R$32,90 a R$45,00  | Fnac

    Este livro, na realidade, está na minha lista de desejos. Li ótimas críticas a respeito dele e sou encantada pela história, sem contar o título, que é muito impactante. Belíssimo.
  No momento em que narra os fatos de Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios , o fotógrafo Cauby está convalescendo de um trauma numa pensão barata, numa cidade do Pará que algum tempo antes fora palco de uma corrida do ouro. Sua voz é impregnada da experiência de quem aprendeu todas as regras de sobrevivência no submundo - mas não é do ambiente hostil ao seu redor que ele está falando. O motivo de sua descida ao inferno é Lavínia, a misteriosa e sedutora mulher de Ernani, um pastor evangélico. A trajetória do fotógrafo, dado a premonições e a um humor desencantado, vai sendo explicada por meio de pistas - a história de Chang, morto num escândalo de pedofilia; o mistério de Viktor Laurence, jornalista local que prepara uma vingança silenciosa; a vida de Ernani, que no passado tirou Lavínia das ruas e das drogas. Mesmo diante de todos os riscos, Cauby decide cumprir seu destino com o fatalismo dos personagens trágicos. Nunca acreditei no diabo , diz ele, apenas em pessoas seduzidas pelo mal .
   Deu para notar que o livro é dramático. E aparentemente, ótimo. Quem lê recomenda! E ainda hoje, fuçando pela Internet descobri que ele virou um filme, protagonizado pela Camila Pitanga.

   Espero que algum dos três livros incentive-os a conhecer um pouco mais da literatura moderna brasileira. Eu não dei muitas dicas, pois a postagem ficaria muito grande, entretanto, quem realmente se interessar pelo assunto pode estar procurando por sites, blogs literários (que têm apoiado muito os nossos novos autores) e até a rede social dos leitores, o mais indicado, na minha opinião, Skoob.

   Para quem não se incomoda e, inclusive, gosta dos clássicos, são boas dicas de uma literatura mais contemporânea e atual.
   Para quem ainda alega detestar o produto brasileiro, eu peço paciência. PACIÊNCIA, meus caros. Talvez vocês tenham julgado demais o livro e não tenham se permitido ao prazer que ele poderia ter proporcionado. Quem sabe mais tarde vocês não deem uma nova chance ao título? Acontece com muita gente...
   Para quem está em época de vestibular e deve, inevitavelmente ler os clássicos, que tal perder um pouco daquela neura que outros alunos pregam e curtir o livro, entrar no clima da história? A profundidade sentimental e a complexidade deles contribuem muito para o desenvolvimento da capacidade de interpretação e também produção de texto do aluno e do ser humano. Quanto às palavras difíceis, a preguiça não acrescenta em nada. A preguiça limita e o dicionário está aí para essas coisas. Nada que um Aurélio, um Sacconi ou um Silveira Bueno não resolvam. Novos vocábulos devem ser sempre bem-vindos!
   E se, ainda assim, você diz não gostar de ler. Aguarde e o livro certo estará em suas mãos um dia. Basta ter vontade. Afinal, não é possível que entre milhares, milhões de títulos nenhum te cative, não é mesmo?

    Uma boa semana a todos,