16 junho 2011

Entre os Atos, Virginia Woolf

Título original: Between the Acts

Autora: Virginia Woolf
Tradução: Lya Luft
Editora: Novo Século
Número de páginas: 200
ISBN: 9788576791751
Edição: São Paulo, 2008
Gênero: Ficção Inglesa

“A plateia reunia-se outra vez. A música os chamava. Novamente derramavam-se pelas veredas, pelos gramados. A brisa soprava mais forte. Atravessando a relva ao som do gramofone, parecia uma deusa, uma divindade flutuante, abundante, uma cornucópia a transbordar.”



Entre os Atos é um livro sublime, poético, que requer uma leitura feita em pequenas doses para haver maior compreensão e absorção da obra e do estilo intimista de Virginia Woolf que, em alguns momentos, a propósito, lembra-me Clarice Lispector.
   Deve-se ressaltar que a autora ganha imenso mérito ao narrar toda a história no espaço de um dia e, ao mesmo tempo, reproduzir neste único dia, séculos e séculos da Inglaterra, da eterna e imutável condição humana a qual Shakespeare não poderia fazer melhor alusão: somos os atores do teatro da vida, a plateia que interage entre um ato e outro.
   Ao início do livro, é provável que o leitor confunda-se um pouco. Há muitas personagens e relações sentimentais entre elas que requerem atenção especial. Somos apresentados numa manhã, em uma província interiorana inglesa beirando o início dos anos 40, aos membros de uma família típica. Temos Isa, a dama romântica e também descrente, que oscila entre seu amor, seu ódio e suas paixões; a Sra. Haines, que passará a ser uma figurante da plateia da vida pulsante no texto woolfiano; a Sra. Switihin, frívola e esquecida, repetitiva, ingênua; Sr. Bartholomew, meio taciturno, nostálgico e quieto; Giles, o marido de Isa, homem de poucas palavras intolerantes às hipocrisias de conversas retóricas e diálogos infundamentados. Temos também alguns empregados e ajudantes da casa. Srtª Sands, Candish... Os pequenos filhos de Isa... Srtª La Trobe que, de acordo com a crítica, foi criada para desempenhar o papel da própria Virginia Woolf, o de mostrar aos espectadores os atos de nossas almas teatrais que vêm de anos e anos. Importantíssimos são, além destes, os persongens que surgem figurando polêmicas sentimentais entre os membros familiares da história: a exótica, narcisista e desapegada Sra. Manresa e William Dodge, um de meus favoritos, o homem que questiona a vida e tem pontos de vista geniais. Todos estes então, juntar-se-ão na casa de Pointz Hall para, juntos, assistirem a uma peça de teatro da vila ali próxima e desta peça, destes atos e entre estes atos, nascerá a história, a essência do livro.
   Agora pense em todos estes nomes, pense em uma forma de atrelá-los em um único dia de uma forma extremamente lírica, com questionamentos e abordagens existenciais a respeito do ser humano, de nossas emoções... Pense em uma forma de unir amor, paixão, ódio, asco, ciúme, raiva, repulsa, impulso hipocrisia neste curto espaço que torna-se tão longo, tão abrangente com a narrativa de Virginia Woolf. Ela descreve os cenários esplendorosamente de modo com que estes interajam com a ação e façam parte dela, é incrível e notável como cada espaço gera um ato, um diálogo. Como cada trecho da peça de teatro caseira rende um novo turbilhão emotivo aos espectadores, como eles se modificam, como oscilam na ansiedade de que acabe logo e, ao mesmo tempo, na esperança de que não acabe para que mais um ato inicie-se.
   Volto a dizer que Entre os Atos requer um leitor em estado literário manso, adequado para desfrutar lentamente da obra e compreender, aceitar e fazer jus ao seu final, à sua última página, à última frase, especificamente, que me ganhou pelo livro inteiro.

Avaliação final:

(4 de 5: Muito Bom)

 "Ficaram à escuta. Outra voz, uma terceira voz, dizia algo também muito simples. E eles estavam sentados no banco de tábuas, na estufa, com a videira sobre suas cabeças, ouvindo a Srta. La Trobe, ou seja lá quem fosse, exercitando escalas ao piano."


Ps.: Se você estiver participando da promoção do livro O Máximo e as Máximas de Machado de Assis e for comentar nesta resenha, preencha o formulário novamente AQUI.

7 comentários:

Luana Farias disse...

Nossa que legal, diferente acho que não leria, mas cada um com seu gosto.

Bjs

*♡* Jane dos Anjos *☆* disse...

Boa dica de livro, no momento estou lendo a Casa de André Vianco... até agora estou amando o livro... bjs meninas...♥

Raissa G.S. disse...

Parace ser um livro muito bom, obrigada pela dica.
Beijinhos, Raissa
www.giirlstyle.blogspot.com

Vanessa disse...

Não é o gênero que eu gosto de ler, mas parece ser bacana. Me interessei (: Adorei a resenha.

Beijos, Vanessa.
This Adorable Thing

Nathália Risso disse...

Oi Aninha :)
Já tinha ouvido falar da autora, mas nunca desse livro! Não é meu gênero de leitura, mas parece ser bem interessante! Ótima resenha :)
Obrigada pela visita e pelo comentário!
Tem post novo no blog: Novidades Literárias #5! Passa lá!
Tem ainda a promoção Harry Potter Para Sempre!http://migre.me/53HH9 Participe :)
Beijos, Nath
@brgnat
Books In Wonderland - http://booksinwonderland.blogspot.com

Robledo Filho disse...

Ana, que resenha incrível. Isso vai parecer mentira, mas eu senti um leve arrepio quando li o trecho que você destacou, em azul, logo no início da resenha. O fato de que a história tem muitos personagens me parece realmente um obstáculo, mas você me conhece e sabe que gosto dessas narrativas profundas, poéticas e líricas... E esse aí acaba de ir diretamente para a minha wishlist.

Obrigado pela indicação fantástica!
=*
http://livrosletrasemetas.blogspot.com/

Tarsila Rodrigues disse...

Ana, vai para minha lista de desejados! Motivos:

1 - Eu já queria ler algo de Virginia Woolf
2 - A tradução é de Lya Luft, que AINDA não li, mas também quero
3 - (E mais importante) Lembrou a Clarice. *-*

Obrigada pela recomendação!

Beijos