28 julho 2011

28
jul
2011

Quando Ela Se Foi por Harlan Coben

Título: Quando Ela Se Foi

Título original: Long Lost
Autor: Harlan Coben
Tradutor: Marcelo Mendes
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 250
ISBN: 978-85-8041-011-2
Edição: São Paulo 2011
Gênero: Ficção policial americana
Onde comprar:  R$16,50 na Fnac
   Um dos autores mais premiados e lidos no mundo, Harlan Coben traz uma nova história com o carismático Myron Bolitar em uma busca frenética por três continentes. Dez anos atrás, Myron Bolitar e Terese Collins fugiram juntos para uma ilha. Durante três semanas, eles se entregaram um ao outro sem pensar no amanhã. Depois disso, eles se reencontraram apenas uma vez, quando Terese ajudou Myron a salvar seu filho. E ela foi embora, sem deixar vestígios.Agora, no meio da madrugada,ela telefona:“Venha para Paris.” Terese pede a ajuda de Myron para localizar o ex-marido, Rick Collins, que telefonara depois de anos implorando que ela o encontrasse em Paris. Eles logo descobrem que Rick foi assassinado e queTerese é a principal suspeita do crime. Mas algo ainda mais atordoante é revelado: perto do corpo havia longos fios de cabelo louros e uma mancha de sangue que o exame de DNA revelou pertencer à filha do casal. Só que sua única filha morrera em um acidente de carro muitos anos antes. Logo Myron se vê perseguido nas ruas de Paris e de Londres. As agências de segurança de quatro países parecem querer as mesmas informações de que ele precisa para desvendar a morte de Rick e o destino da filha que Terese pensava ter perdido para sempre. Em uma busca desesperada, Harlan Coben cria um mundo de armadilhas imprevisíveis em que conflitos religiosos, política internacional e pesquisas genéticas se mesclam a amizade, perdão e a chance de um novo começo. 

   Primeiramente, os devidos agradecimentos à Editora Arqueiro pela confiança e envio do livro.

"- Quero ajudar - falei.
    Mais silêncio.
- Esqueça que eu liguei, Myron. Se cuida.
   E desligou."
p. 11


    Estava atrás de uma obra de Harlan Coben há algum tempo, por conta dos vários elogios a elas direcionados e, honestamente falando, eu esperava mais.
   "Quando Ela Se Foi" tem uma história intrigante, entretanto, alguns pontos mal esclarecidos e outros que não cabem às respectivas situações deixaram-me receosa por um bom tempo, até de fato mergulhar na história e começar a formular as minhas próprias hipóteses: efeitos de um verdadeiro romance policial.
    Myron Bolitar tem cerca de 40 anos (não me lembro de sua idade exata ter sido citada) e leva uma vida comum. Trabalha numa agência que apoia artistas ao lado das amigas Esperanza e Bi Cindy, é namorado de Ali e acredita amá-la, apesar da distância recém adquirida entre os dois. Myron tem Win como melhor amigo, e este último cumpre o melhor papel de ricaço que domina o mundo e pode tirá-los de qualquer confusão. Qualquer confusão mesmo, o que às vezes faz com  que o livro pareça um legítimo filme de ação.
   A vida tranquila e normal de Myron acaba no mesmo dia em que Terese, um antigo caso vivido muito intensamente em um passado remoto, liga pedindo que ele vá a Paris encontrá-la, após 8 anos, sem um motivo aparente. Ele jurou que não iria a seu encontro contudo, por um problema que teve em sua cidade, acaba deixando o país rumo à França e ao mistério envolvendo o ex-marido morto de Terese, Rick Collins, e, ainda, sua adorada filha Miriam - que todos acreditavam estar morta - pela qual a mãe sofreu arduamente ao longo de 10 anos escondida na Angola.
   No quesito personagem, Myron deixa muito a desejar por seus sentimentos contraditórios e, principalmente, genéricos. Destaco algumas características e atos que me incomodaram de verdade, entre eles: um homem de 40 anos combinar hora e lugar para brigar com outro da mesma idade, uma personagem que emana tranquilidade ao levar uma vida correta e que explode nos instantes mais absurdos, ainda, por fim, um péssimo, péssimo e inadequado senso de humor.

"Quando chegou a minha vez, a agente da imigração olhou para o passaporte, depois para meu rosto, de volta para o passaporte e mais uma vez para mim. Demorou-se um instante. Sorri para ela, mas sem exagerar na dose do charme Bolitar. Não queria que a pobrezinha arrancasse as roupas ali, na frente de todo mundo."
p. 33

   Entre as outras personagens, Terese é uma verdadeira incógnita. O leitor passa toda a história duvidoso quanto a seu passado e seus sentimentos. E isso não muda muito ao fim. Muitos fatos, como o auxílio dela ao filho de Bolitar anos atrás, não são bem esclarecidos e acabam por nos deixarem confusos. Até voltei algumas páginas para ter certeza de que tal coisa não tinha sido comentada ou explicada, receosa de minha própria desatenção.
   A narração em primeira pessoa por parte de Myron foi a escolha mais correta. O toque pessoal que a personagem dá à obra faz com que o leitor tenha inúmeras dúvidas e hipóteses quanto ao final. Garanto que não adivinharão!

"- Ele falou que iria me contar algo que mudaria minha vida para sempre.
   Recostei-me na cadeira, preocupado."
p. 42

   Não pude deixar de notar o patriotismo americano de Harlan Coben em alguns momentos que, novamente, foram de um senso humorístico completamente dispensável e tosco, embora esse vocábulo também não seja algo que eu goste de usar para descrever as coisas.

"Haviam monitores bem antigos, daqueles grandalhões que ocupam quase metade da mesa, fotos pessoais, flâmulas de times de futebol, um pôster da Coca-Cola, um calendário de mulheres peladas... A atmosfera do lugar, que abrigava o alto escalão da polícia francesa, não era lá muito diferente de uma oficina mecânica em Hoboken."
p. 48

   Notei, inclusive, um certo realismo/paralelismo com algumas histórias da organização terrorista mais conhecida no mundo, A Al-Qaeda. Para quem assiste aos noticiários e acompanhou o anúncio da morte de Osama Bin Laden e de seu substituto como líder, um médico egípcio, notará uma personagem visivelmente inspirada. Não falarei mais que isso para não fornecer spoilers.
   Apesar de muitos assuntos interessantes terem sido mal explorados e a narração ter pecado pelo excesso de ironismo do autor, Harlan Coben soube, de alguma forma, atar terrorismo, religião e genética em um final, no mínimo, inesperado. A obra que se passa num período de tempo bastante curto recompensará o leitor atento ao fim que, ainda assim, não apaga certas queixas que não pude deixar de fazer enquanto lia. Para os fãs de romances policiais, é bastante válido. Para os fãs de Agatha Christie, não esperem assustadoras reviravoltas entre as personagens, apenas uma saída e uma solução de um crime e de uma vida muito distintas de todas com as quais já devem ter se deparado.

"- Está disposto a ir tão longe  assim, Bolitar?
- Até onde for preciso."
p. 109

Avaliação Geral:
3 de 5 (Bom)

Beijinhos e até mais,