15 setembro 2011

Heresia por S.J. Parris

Título: Heresia
Título original: Heresy
Autora: S.J. Parris
Tradução de: Vera Ribeiro
Editora: Arqueiro *(parceira-cortesia)
Número de páginas: 358
ISBN: 978-85-8041-002-0
Gênero: Romance inglês; suspense histórico
Inglaterra, 1583: o país enfrenta um período conturbado, marcado por conspirações para derrubar a rainha Elizabeth, que é protestante. Muitos de seus súditos estão insatisfeitos com o governo e anseiam pelo retorno do país à religião católica. Em meio a esse clima de conflitos religiosos, o monge italiano Giordano Bruno chega a Londres, tentando escapar da Inquisição, que o acusou de heresia por sua crença num Universo heliocêntrico. O filósofo, cientista e estudioso de magia logo é recrutado pelo chefe do serviço de espionagem real e enviado a Oxford. Oficialmente, ele vai participar de um debate sobre as teorias de Copérnico, mas, em sigilo, deve se infiltrar na rede clandestina dos católicos e descobrir o que puder sobre um complô para derrubar a rainha. No entanto, quando um dos membros mais antigos de Oxford é brutalmente assassinado, a missão secreta do filósofo é desviada de seu curso. Enquanto ele tenta desvendar o crime, outro homem é morto e Giordano Bruno se vê envolvido numa sinistra perseguição. Alguém parece estar determinado a executar uma sofisticada vingança em nome da religião. Mas, afinal, de qual religião? À procura de pistas, o monge percorre os labirintos da biblioteca de Oxford e visita tabernas infames e livrarias misteriosas fora dos muros da universidade, chegando a lugares que ele nunca soube que existiam e fazendo descobertas que poderiam ameaçar a estabilidade da Inglaterra. Envolvido em uma rede de intrigas e traição, ele percebe que às vezes nem mesmo os mais sábios conseguem discernir a verdade da heresia. Alguns, no entanto, estão dispostos a matar para defender suas crenças. Baseado em fatos reais da vida de Giordano Bruno, Heresia exigiu uma pesquisa minuciosa da autora, que investigou a fundo a trajetória do monge e o contexto político e religioso da época em que ele viveu. O resultado é um suspense histórico repleto de reviravoltas surpreendentes.

“Eu não temia morrer por minhas convicções, contanto que já houvesse determinado por quais delas valia a pena morrer.”
p. 12

Antes de o leitor adentrar o universo de “Heresia”, é imprescindível que compreenda e coloque-se no contexto histórico da época, século XVI, um período muito, muito distante da realidade contemporânea. Uma época em que ter concepções distintas de uma religião ou trocar de credo era um crime tão abominado quanto um latrocínio no século XXI, por exemplo.

O livro pode ser considerado sob alguns pontos de vista um relato sincero da vida do protagonista que, a propósito, foi uma personagem verídica na história mundial, e a disputa de domínio entre a Santa Igreja Católica e a Protestante, os famosos evangélicos, pentecostais, ecumênicos e assim em diante.

Giordano Bruno, o real, foi condenado à fogueira por sua heresia e crenças firmemente atreladas a teorias de alguns cientistas que já tinham tido o mesmo trágico destino que o seu, especialmente Copérnico e o heliocentrismo. Suas convicções e algumas ideias que mais tarde viriam a tornar-se reais e óbvia para nós, fizeram dele um em muitos homens considerados traidores, mortos. A autora do livro, S.J. Parris, após notável pesquisa entre os arquivos do ex-monge, antigo seguidor do catolicismo, trouxe-nos um livro que, embora em si seja notabilíssima a presença de fatos atrelados à realidade, é, em sua essência, muito mais ligado à característica de suspense e a uma temática intrigante que, embora possa ser um pouco lenta às vezes, promete deixar o leitor a uma base de nervos, dando inúmeros palpites sobre as mortes misteriosas em Oxford e torcendo por Giordano, simplesmente Bruno, que é muito mais afável que era de se esperar pela história do homem que inspirou-lhe a personificação.

A narrativa começa em ritmo lento, em meio às fugas do monge por entre a Itália, fugido do mosteiro, acusado pela Inquisição de heresia em nome da forte crença de que em um dos livros proibidos pela Igreja Católica, residiriam algumas das respostas às maiores questões filosóficas e existenciais do ser humano, livros reais, a propósito.

Após cerca de não muito mais de uma dezena de páginas, despedimo-nos quase que por completo do contexto atrelado à realidade para embarcarmos numa trama que deve interessar infinitamente mais ao leitor, em seu caráter fictício e de suspense, com ares de “aventuras” de Sherlock Holmes e um protagonista que promete conquistar pela paixão à sua causa.

Calejado nas mais distintas experiências de fuga e com profundo conhecimento do homem, Bruno, um italiano, nativo do país da Igreja Romana, chega à Inglaterra, tipicamente protestante, sob a proteção de Henrique II, com uma missão que promete render-lhe altos lucros, uma vez que possa infiltrar-se no que mais tarde viria a se tornar a conceituada Universidade de Oxford em busca de ditos papistas (seguidores do papa, católicos) que se juravam fiéis à sua Rainha e à Igreja Protestante. O destino desses homens, traidores? Mortes horrendas, torturas, esquartejamentos, fogueiras e tudo de mais desumano que se possa imaginar. Era uma guerra de crenças cegas, de ignorância na qual qualquer reflexo de intelectualidade avançada e ligada à Ciência traria ao indivíduo os mais dolorosos fins. O que Dr. Bruno não esperava, entretanto, era que o colégio escondesse tantos segredos e que, logo à sua segunda noite no lugar em que esperava lecionar e ser aclamado em debates teólogos, acabaria testemunhando uma morte terrível do subdiretor do local, seguida de muitos enigmas e outras que mais tarde revelar-se-iam assassinatos frios, seguidores de um padrão doentio através das mãos de um homem entre eles.

Ao iniciar a leitura, é comum achá-la, por vezes, parada, mas quando chegamos à primeira morte, é inevitável não nos extasiarmos pelo que estrá por vir, sentindo-nos autênticos “detetives”. São muitas dúvidas, pistas, pessoas e tudo isso, incrivelmente, em um tempo mínimo. A temática principal da obra gira em torno do tempo de aproximadamente uma semana, que causa verdadeiros estragos e sentimentos intensos, incrivelmente possam parecer, concretos.

Entre as personagens de Parris, não destaco muitas às quais tenha realmente me afeiçoado, além do protagonista, que me ganhou pelo simples motivo de não perecer a religiões tão grandiosas com suas crenças extremamente condenáveis. Além disso, é admirável o sentimento de justiça e compaixão em Giordano, ainda que em meio de tanta hipocrisia e negação à realidade. Sidney, seu amigo fiel, também foi-me de considerável simpatia e demonstrou-se um leal companheiro. Li em algumas resenhas a afeição que demonstraram por Sophia Underhill, todavia confesso que, ao fim do livro, acabei decepcionando-me com ela e achando-a muito semelhante à maioria das moças, que fariam as mesmas coisas em nome dos mesmos sentimentos.

“Mais uma vez, senti aquela fisgada peculiar de solidão que só os exilados conhecem de verdade: a sensação de que eu não fazia e nunca faria parte de grupo algum.”
p. 113

No geral, asseguro a qualidade do livro e o interesse que ele provocará no leitor após este estar completamente envolvido com a trama. Ao fim, enfim, posso dizer que alguns fatos me chatearam e igualmente a irresolução de outros. Contudo, ao que parece, “Heresia” é o primeiro volume de uma série e pretendo acompanhá-la para saber o que vem por aí. Muita coisa, creio eu.

 Avaliação Geral:
Nota 4 de 5 (Muito Bom)

Uma boa quinta-feira a todos,

15 comentários:

Francielle Couto disse...

Oi, Ana!

Heresia é o tipo de livro que me chama a atenção desde sua capa, até a essência de sua temática, soando como música para mim. S2 Saber sobre o que se trata me lembra bastante sobre o livro/filme O Nome da Rosa, do Umberto Eco, que também aborda uma série de crimes misteriosos cometidos dentro de uma abadia medieval, que assim como em Heresia, possui ares de Sherlock Holmes em meio ao enredo. É muito interessante a conjunção, ainda mais por envolve contextos históricos, e isso me agrada muito.

Fiquei muito instigada sim, Ana, pois até então não eu não tinha tido a oportunidade de conferir uma resenha se quer sobre esta obra. Apesar de observar que você se chateou com alguns pontos da história, ver a nota atribuída ao livro me despertou muito interesse, e não apenas pelo rumo que a história tem, mas também por saber que estamos falando de uma série de livros. É, eu tento fugir, mas é impressionante como as sagas me perseguem, ahahaha! Adicionarei Heresia no skoob agora mesmo. ;)

Um abraço!
http://www.universoliterario.blogspot.com/

Aione Simões disse...

Oi Ana!
É bom saber que o livro cativa após um início mais lento!
Gosto de livros repletos de informações histórias, mas fiquei feliz em saber que a trama fictícia dá o bom suspense e nos prende à leitura!
E que os próximos livros acabem com a decepção causada por esse em você!
Beijos!

Marina Oliveira disse...

Quero muito ler esse livro... Adoro esse tipo de história. *-*
Adorei sua resenha, me deixou mais curiosa ainda. Ultimamente só havia lido resenhas de pessoas que se decepcionaram um pouco com o livro, foi bom ler uma positiva.
Beeeijos

Marina Oliveira
http://distribuindosonhos.blogspot.com

Beatriz disse...

Eu não li Heresia, confesso que é um livro que não me chama muita atenção sabe?

danamartins disse...

às vezes eu não dou muito "certo" com livro mais a ver com a história... apesar de gostar de história. HUAHA
acho que também evito livro assim pra tentar ficar um pouco longe da faculdade, mudar um pouco o.o não tenho história exatamente direta, mas tem bastante comportamento e contexto...
o que não falta é coisa pra comparar com matéria da faculdade HUAHA
é bom mudar um pouco, né?

Julia G disse...

Ana, já tive mais curiosidade de ler esse livro, mas fui desanimando. Li um livro no mesmo estilo há algum tempo, e achei tão enfadonho e cansativo que não me deu ânimo nenhum de ler qualquer história do tipo tão cedo.

Beijos

Camilla Costa disse...

eu amoooo livros que retratam aquela época da Inglaterra; realmente é inconcebivel nos dias de hoje que um país inteiro siga a mesma religião e quem não seguir perde a cabeça aprendi muito lendo os livros da Philippa Gegory sobre as mulheres de Henry VIII vale muito a pena!
Agora voltando a Heresia; é um livro que eu leria sem pensar dua vezes e a resenha está ótima *-*
beijooos Ana

Lu Tazinazzo disse...

Gostei muito dessa resenha. Vou colocar seu banner no meu blogroll ok?

Beijos

Lu Tazinazzo
http://aceitaumleite.blogspot.com

Robledo Filho disse...

Ana! Antes de qualquer outra coisa: você não acha que a Arqueiro tem uma predileção meio incomum por sinopses humanas? Às vezes acho que eles deviam revelar um pouco menos sobre suas obras nesses pequenos resumos...

Mas voltemos ao livro: esbarrei nele durante a minha ida à Bienal e o tema chamou a minha atenção. Eu sou fascinado por esses séculos de perseguição e fanatismo religioso, marcados pela perseguição incansável da Inquisição e pelo surgimento de pequenos clubes de pensadores - pessoas que eram sábias o bastante para questionar os dogmas, mas também conscientes demais para trazerem suas observações a público. Confesso que achei a história um pouco cansativa, principalmente pelo aparente excesso de detalhes, mas acredito que essa minha impressão seja apenas um pré-julgamento nocivo: pensei o mesmo de Anjos e Demônios, por exemplo, e muito me atraiu a leitura da obra de Dan Brown.

Em suma: parece um livro excelente, ainda que pouco focado em questões mais profundas (embora eu tenha gostado muito do último quote que você destacou). Uma leitura excelente para aquela hora em que você sente uma vontade absurda de conhecer a história de outras eras e outros povos!

=*
Livros, letras e metas

Robledo Filho disse...

Sinopses humanas = sinopses enormes!!!!! *Robledo, o jegue*

Carol Espilotro, disse...

Oi Ana!

Nem tenho muito o que falar sobre o livro porque a sinopse e o nome calaram minha boca, me chamara totalmente atenção. Sua resenha esclareceu várias coisas e me fez querer o livro agora : D ótima resenha e espero que goste do livro também

Beijos, World of Carol Espilotro

Fábrica dos Convites disse...

Pelo visto tenho mais uma série para ficar de olho. Bjs, Rose.

Michelle' disse...

Não sei se leria, mas a resenha ficou ótima e parece ser muito instigante!
Eu tenho o marcador desse livro mas nunca tinha visto nenhum blog falando sobre ele.
Eu gosto um pouco mais de livros com a ação do início ao fim!
Quem sabe um pouco mais pra frente? ^^
Beijinhos

Bruna disse...

Oiii adorei o seu blog, fofo fofo... e conheci através do equalize na leitura onde tinha um texto sobre ser blogueiro!

Adorei viu! Estou seguindo!

Beijos

Bruna in Wonderland
www.brunainwonderland.com.br

Teorias de Gi disse...

Eu gosto deste tipo de história, me lembrou os livros de Dan Brown q reparei não ter resenha alguma dele pelo menos não q eu tenha visto, reparei tbm q não tem reseha de nenhum livro q eu tenha lido e eu ja li bastante livros...mas isso não é problema...acho q tenho q ir dormir ja são 02:37 da madrugada e devo dizer q seu blog me tirou o sono...me desculpe ficar comentando assim tudo em cima da hora, ultimamente ando sem tempo a net q tenho em casa é muito ruim, mas adorei passar todo este tempo aqui lendo...beijusssss Ana!!!