Título: Não sou este tipo de garota
Título original: Not that kind of girl
Autora: Siobhan Vivian
Tradutor: Marsely de Marco Martins Dantas
Editora: Novo Conceito
Número de páginas: 248
ISBN: 978-85-63219-38-1
Edição: Ribeirão Preto 2011
Gênero: Juvenil (YA book); Ficção norte-americana
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A vida é feita de escolhas, e Natalie Sterling se orgulha de suas decisões. Mas será que agora conseguirá escolher o caminho certo? Ainda continuará sendo o mesmo tipo de garota até a formatura?
Primeiramente, os devidos agradecimentos à Editora Novo Conceito por ter me enviado dois kits maravilhosos do livro. Obrigada pela confiança.
“Eu sempre achei que soubesse que tipo de garota eu era, só que não sabia.”
p. 231
Ao começar a ler o livro, confesso que fiquei um pouco confusa e hesitante por não saber bem do que se tratava. Normalmente, as sinopses desencadeiam uma série de possibilidades na mente do leitor e a de Não sou este tipo de garota acabou por não causar expectativas em mim, comecei a lê-lo sem saber ao certo aonde deveria chegar, o que foi interessante, de qualquer forma.
Natalie Sterling é a típica protagonista jovem ligada às causas feministas. É mandona, determinada, estudiosa e aspira a tornar-se a presidente estudantil de sua turma. Além de quê, ignora por completo os rapazes que considera serem precariamente dotados no quesito intelectual. Melhor amiga de Autumn, esta mais tranquila e juvenil que já passou por maus bocados na escola em um episódio retrógrado com um namorado que a envergonhou completamente. Juntas, elas iniciam o seu último ano no colégio e querem viver intensamente cada instante para terem boas recordações dos tempos que não voltam mais...
Agora, o que dizer, achei a amizade das duas, pelo menos ao início, muitíssimo estranha. Natalie é extremamente protetora e ciumenta, chega a ser chata. Em contrapartida, Autumn quer apenas levar uma vida de uma adolescente comum e se divertir de vez em quando e, acreditem, é a própria melhor amiga dela que a diz que não deve se humilhar e se misturar àqueles que tanto lhe caçoaram no passado. Possessiva, arrogante, todavia focada, demorei um bom tempo para realmente simpatizar com a protagonista de nossa história.
Sterling é complexada, tudo para ela é uma questão de reputação. A excelente aluna aos olhos da Srtª Bee, a filha que nunca desaponta os pais, a amiga que está lá para todos os momentos, a certinha que nunca dormirá com um dos rapazes que jogam futebol americano... Mas as coisas começam a mudar, a linha entre o certo e o errado, a garota perversa e inofensiva, confiável e hipócrita, controlada e insensata passa a ser muito tênue, especialmente quando a mocinha toma partido das atitudes da irresponsável Spencer, uma garota de 14 anos de quem ela foi babá alguns anos antes e que não tem noção alguma da sensatez. Mais tarde, também, surgirá um caso na vida de Natalie que a protagonista tentará manter em sigilo de todas as formas e que, com o tempo, fará com que perceba que a única pessoa de quem está escondendo seus problemas é de si mesma, o maior foco do livro.
“-Não. Não quero – disse com firmeza. - Não sou desse tipo.
p. 152
O valor da amizade, autorreconhecimento, o viver da paixão, a descoberta do amor, a naturalidade sexual e aceitação são algumas das questões que envolvem o livro que, a propósito, inicia o Selo Jovem da Editora Novo Conceito. O que me impressionou, contudo, foi o avanço do YA em tratar de uma conturbação tão madura. Aqueles que esperam um ar mais tranquilo e inocente de livros juvenis vão se surpreender com a proposta deste.
Sem muitas reviravoltas, a história de Natalie fará com que muitas adolescentes identifiquem-se com seus principais medos, seus receios e o drama de estar tornando-se uma adulta. A insegurança e a aceitação dominam a temática e acabam por proporcionar muitos conflitos psicológicos relativos à conduta.
Se fosse para dizer que faltou algo, diria que foco nos sentimentos das outras personagens, que acabam sendo colocadas em segundo plano pela narração da protagonista. Naturalmente, a história deveria girar em torno dela, entretanto, muitas das angústias que compartilhava com os outros jovens deixam-nos confusos quanto à mutualidade emocional.
O livro é muitíssimo bem feito, a capa tem um acabamento ótimo com o selo jovem vindo acompanhado da Editora Novo Conceito.A diagramação conta com graciosos ornamentos florais ao início dos capítulos.
Não sou este tipo de garota é mais uma prova de que os juvenis estão crescendo e ganhando consistência no quesito maturidade.
Avaliação Geral:
Nota 3 de 5 (Bom)