
Título original: Juliet Immortal
Autora: Stacey Jay
Tradução de: Patrícia Dias Reis Frisene
Editora: Novo Conceito* (parceira-cortesia)
Número de páginas: 237
ISBN: 978-85-63219-57-2
Gênero: Romance; Literatura norte-americana
PRÉ-LANÇAMENTO!
Julieta Capuleto não tirou a própria vida. Ela foi assassinada pela pessoa em quem mais confiava, seu marido, Romeu Montecchio, que fez o sacrifício para assegurar sua imortalidade. Mas Romeu não imaginou que Julieta também teria vida eterna e se tornaria uma agente dos Embaixadores da Luz. Por setecentos anos, Julieta lutou para preservar o amor e as vidas de inocentes, enquanto Romeu tinha por fim destruir o coração humano. Mas agora que Julieta encontrou seu amor proibido, Romeu fará de tudo que estiver ao seu alcance para destruir a felicidade dela.
"Para que serve a imortalidade, quando o amor é tão frágil e nenhuma vida humana tão longa?"É em um clima completamente romântico, dos pés à cabeça, que iniciamos a leitura de Julieta Imortal, um livro meigo, que traça uma analogia à obra shakesperiana, conhecida por provavelmente todos os seres humanos, Romeu e Julieta.
Agora, venhamos e convenhamos, manipular um clássico, o clássico dos clássicos ao seu bel prazer não é realmente a tarefa mais fácil que existe. Ainda mais quando essa mesma história será incorporada a uma de temática jovem, com seus principais padrões completamente alterados. Imagine que, sim, Romeu e Julieta casam-se e até amam-se. Porém, uma espécie de deslumbramento toma conta do "mocinho" que o leva a condenar a vida da adorada Julieta Capuleto à morte em troca de sua imortalidade e de um futuro melhor para ela, que ficaria desmoralizada na sociedade, tendo aceitado um casamento proibido, desvirginada. Sente como é doce o amor? Pois é... Até dói. Imagine também que esse final trágico, pouco romântico, os tenha levado a fazer parte de dois grupos poderosos, com vidas bem mais longas que as de qualquer ser humano. Romeu, com a missão de partir corações, entra para os frios, de aura negra, Mercenários. Julieta, em contrapartida, com a missão de unir as almas gêmeas, torna-se um dos seres de aura dourada, supostamente bondosos, os Embaixadores da Luz. Duas almas que alojam outros corpos e vagam pelos séculos, sete séculos, enfrentando-se para ou manter ou para destruir o amor. Amantes? Certamente que não. Rivais? Com muito afinco.
Ao início, achei estranha, completamente estranha, toda essa "viagem" com os mocinhos do romance mais famoso de todos os tempos. Pensei até que poderia ser um insulto à memória do mais que póstumo Shakespeare em alterar tão drasticamente os caminhos de suas criaturas com uma temática muito semelhante à do livro mais recente de Stephenie Meyer, A Hospedeira. Ainda que não tenha lido integralmente este último, foi simplesmente inevitável compará-los. Também neste volume, Julieta começa com sua alma residindo um novo corpo, o de Ariel, uma mocinha introvertida e amargurada com a qual a protagonista compartilhará memórias e sentimentos. Muito perto dela, Romeu tem Dylan como hospedeiro, um rapaz que apostou com os amigos que seduziria Ariel, a Esquisita,
Após uma briga violenta entre os rivais seculares, Julieta vai parar no carro de Ben, um rapaz jovem para o qual pediu socorro antes que seu "amado" a encontrasse e a matasse novamente, como tinha ocorrido na verdadeira tragédia. E é então que o livro começa, com o verdadeiro mocinho encantador vindo do México, zeloso por aquela menina louca que se jogou na frente de seu carro, tão necessitada de auxílio e, ao mesmo tempo, tão incrivelmente forte. Paixão à primeira vista? Acho que coube bem, no caso. Impossível não se deslumbrar com a gentileza e a preocupação de um desconhecido que lhe salva sem pedir nada em troca.
"- E não deixarei ninguém mais machucar você. Prometo - seus dedos acariciam meu rosto.Sei que deveria me mover. Deveria abrir a porta e sair dali antes que o momento esquentasse, mas não consegui. Por alguma razão... não consigo. Estou perdida nele, na paixão de seus olhos, na suavidade do seu toque, na certeza de suas palavras."
Tudo acontece muito rapidamente na história e, às vezes, é difícil de acompanhar o ritmo frenético, as paixões repentinamente eternas. A própria protagonista, narradora, à exceção de alguns raros trechos de Romeu, apresenta uma mudança de pensamento, no mínimo, esquisita, ao longo do livro. Achei-a irritante em algumas partes, extremamente frívola, boba, falando coisas que simplesmente não precisavam estar ali.Descrições desnecessárias, muito supérfluas, especialmente quando começava a falar de almas gêmeas. "Não posso ficar com ele, não somos almas gêmeas". Ou, "Romeu é minha alma gêmea e eu o odeio, ÓÓÓÓ". Romeu também é inconstante. Em alguns momentos, ama a moça. Em outros quer matá-la e debocha de tudo. Ambos acabam mudando bastante no final, felizmente.
Algo que, se comparado a outros fatos, não tem tanta importância e, ainda assim, acabou me cativando, foi a forma com a qual a moça tentou ajudar Ariel, reaproximando-se da mãe da menina após tantos anos ressentida e temerosa de desagradar a filha; fazendo-a enxergar, com o auxílio de Ben, que as cicatrizes por um acidente deixadas em seu rosto não a tornavam feia; reatando a amizade com o turbilhão que é Gema, tentando ajudá-la acima de tudo, de seus próprios sentimentos.
Se o decorrer da obra não me fez morrer de amores por alguns fatos importantes que foram deixados para trás, dando a impressão de terem sido "atropelados" pela paixão da história, creio que a conclusão tenha vingado em muito o que considerei uma história bonitinha, mas muito surreal por vezes. Impossível não darmos aquele sorriso bobo de quem consagrou o casal que se formou em apenas dois dias; não torcermos para que dê tudo certo para Ariel, a Esquisita e sua amiga Gema, sua mãe, Melanie; não desejarmos que, em algum momento, Romeu e Julieta ainda sejam Romeu e Julieta, eternizados pelas eras.
Recomendo o livro aos mais românticos, que certamente vão adorá-lo. Uma visão muito distinta, mas não menos interessante da obra shakesperiana e de que, acima de tudo, a pessoa amada não é necessariamente a sua alma gêmea. Ame uma, duas, três vezes na vida como se fosse a última!
Avaliação Geral:
Nota 3 de 5 (Bom)
Uma boa quinta-feira a todos,