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27 maio 2013

Destino Sombrio, de Luís Dill

O tempo é, talvez, uma das questões existenciais que mais intrigam o homem. Também caracterizador ou descaracterizador de uma narrativa, vem sob o papel de protagonista em Destino Sombrio.

Dividida entre duas perspectivas que, por sua vez, narram fragmentos do passado, do presente e do futuro prestes a coincidirem, a história introduzida ao leitor é a de Gildo, um jovem que avança misteriosamente pela estrada, em clima de tensão, como quem tem algo a esconder. Paralelamente a isso, uma mulher conta algumas de suas desventuras amorosas em tom cáustico e aquele mesmo Gildo, no futuro, faz uma visita ao irmão e à cunhada, que acabaram de ter uma filha.

Num tom desconexo e aparentemente sem sentido, Luís Dill conduz seu romance de maneira genial, com a habilidade reconhecida de quem sabe contar histórias, até mesmo aquelas em que a simplicidade é palavra de lei. Em meio a conversas de bar, a uma festa qualquer, a uma visita à família e a muitas gírias típicas de jovens, o livro esconde algo deveras sombrio em sua essência, como aponta o título.
" - E outra - ela continua -, se eu não encontrar a minha metade da laranja, vou procurar minha metade do limão mesmo, botar açúcar, cachaça, gelo e pronto, tudo resolvido."
p. 81

24 maio 2013

A Elite, de Kiera Cass

Atenção: Tentei evitar dar spoilers do primeiro livro, mas como se trata de uma sequência, é inevitável a citação de fatos do primeiro livro.

Em "A Elite", a narrativa continua em primeira pessoa e sendo narrada por America Singer, uma adolescente que foi escolhida para participar da Seleção, um grande reality show onde o príncipe escolhe sua princesa e futura rainha de Illéa. Na segunda "etapa" que forma a elite, America, Natalie, Celeste, Marlee, Kriss e Elise ainda estão disputando o coração do príncipe Maxon.

No segundo volume também são esclarecidos mais fatos sobre a criação da Illéa e de como aconteceram a Terceira e a Quarta Guerra Mundial. É super envolvente o modo com o qual a autora nos traz isso.

Os rebeldes estão cada vez mais perto. E os conflitos estão aumentando no mundo. É hora de fazer contatos políticos e de, talvez, se preparar para uma guerra.

23 maio 2013

O Cavaleiro Fantasma, de Cornelia Funke

Jon Whitcroft acabou de ser mandado a um internato e sua mãe está de namorado novo, existe algo mais lamentável? Sim! Ele deixou pra trás seus amigos, irmãs e cachorro, além de ter  passado dias tendo pesadelos com a sua mais nova escola. Como se tudo já não estivesse ruim o bastante, ele passa a ser perseguido, na nova cidade, por assustadores fantasmas que desejam vingança por coisas que aconteceram até mesmo antes da mãe de Jon ser nascida. 

Ninguém na nova escola parece acreditar que Jon realmente viu fantasmas, o que o leva a inventar uma desculpa para o seu surto no dia anterior. Apenas Ella acredita no garoto e vai até ele descobrir exatamente o que está acontecendo. Ela é uma garota esperta, neta de uma estranha senhora, que cria sapos e leva a vida fazendo visitas guiadas sobre fantasmas nas igrejas locais. Zelda entende tudo de fantasmas, e Ella não fica atrás, a garota ajudará Jon a desvendar um dos maiores mistérios sobre o passado de sua família.

O Cavaleiro Fantasma carrega o selo jovem da Companhia das Letras e foi escrito por uma das mais premiadas autoras da literatura infanto-juvenil atual. Cornelia Funke encanta sempre em suas obras e esse livro não fica atrás, ela mistura o sobrenatural com o cotidiano de um jeito que fica fácil acreditar que fantasmas realmente existem e é nesse contexto em que se desenrola o livro. 

20 maio 2013

ENCERRADA: Promoção de "A Queda dos Reinos"

PROMOÇÃO ENCERRADA: CONFIRA O RESULTADO ABAIXO

Em minha resenha, tentei deixar claro o quão envolvida fiquei pela leitura de "A Queda dos Reinos":
"Surpreendente em quase todos os sentidos possíveis, incrivelmente maduro e com algumas visíveis referências literárias a outras séries épicas talvez "maiores", A Queda dos Reinos é um belo início para uma coleção que, por essência, já nasceu promissora." Trecho da resenha publicada no blog
Com o auxílio da Editora Seguinte, então, trago agora a oportunidade de que outro leitor possa ser privilegiado com esta leitura.

04 maio 2013

A Queda dos Reinos, de Morgan Rhodes

Gosto muito de romances épicos e de aventuras, embora não pertençam ao gênero que cultuo com mais frequência. Foi sob esta premissa, então, que comecei a ler A Queda dos Reinos numa tarde dessas, de maneira extremamente descompromissada, e que acabei também me surpreendendo com a vastidão de conteúdo e de ação que a história tinha a oferecer. Repleto de intrigas, conflitos, surpresas e dono de enorme fluidez, é um daqueles livros cuja leitura a gente conclui em questão de umas poucas horas sem sequer notá-las.

Marcadas por uma narração que se divide entre as perspectivas de quatro personagens principais (semelhante à da série Crônicas de Gelo e Fogo, mas sinalizada pelos nomes de três diferentes reinos em vez de aqueles pertencentes ao elenco), o leitor conhecerá aqui as histórias de Cleo, Magnus, Jonas e Lucia num momento em que elas convergem e passam a representar uma única narrativa. Quatro jovens de idades e criações distintas que, em nome de uma guerra próxima entre os reinos de Auranos, Limeros e Paelsia, acabam irreversivelmente conectados.

26 abril 2013

Um Motim No Tempo, de James Dashner

Quem nunca pensou em viajar no tempo?

Um motim no tempo é o primeiro volume da série Infinty Ring, escrita por James Dashner. É um livro sobre tecnologia, ciência, historia, presente, passado, futuro e viagens no tempo.

Sera e Dak são dois melhores amigos. Dak, fanático por fatos históricos e história em geral; Sera, um gênio da ciência. Acabam se envolvendo com o Infinty Ring, um anel que possibilita a viagem no tempo. Soa fantástico, não? Eles também acreditavam nisso... Até se darem conta dos problemas que desencadearam e da confusão em que se meteram.

Deste modo que Sera e Dak acabam descobrindo muitas coisas que eles não sabiam, além de a confirmação de outras que já supunham, como, por exemplo, de que há algo errado com o mundo e a sociedade onde eles vivem. A SQ controla tudo. De uma filosofia completamente oposta da SQ, existem os Guardiões da História. Um grupo secreto desde os tempo de Aristóteles. A missão deste grupo é repassada a cada geração, como acontece com o SQ também, que, assim como os Guardiões da História, existem há muitos anos.

29 março 2013

Adeus, por enquanto, de Laurie Frankel

E se o amor continuasse além da vida?

Adeus, por enquanto é um livro um tanto quanto excêntrico: ele nos traz uma realidade fictícia, onde é possível, de certo modo, conversar com as pessoas que já faleceram. Já imaginaram como seria discutir sobre assuntos cotidianos com a sua falecida avó? Ou com o seu falecido filho? A ideia, é, de fato, extraordinária e incomum. Contudo, essa é a situação com a qual se depara Meredith, cuja a falecida vó ainda a chama para conversas no Skype.

Esse é um dos tipos de livro dos quais, se eu ficar aqui contando uma sinopse ou tentando dar uma ideia geral da história, acaba perdendo a graça. Então, não contarei a vocês mais do que já disse aqui. Hoje a situação é um pouco fora do habitual. Assim, o resto da resenha será mais voltada às minhas impressões e opiniões sobre o livro.

De início, esperava um P.S.Eu te amo com mais tecnologia, mas estava errada. O livro está longe de ser isso. Essa leitura nos faz refletir sobre o luto, sobre como as pessoas em luto o encaram, sobre como as pessoas ao redor delas agem e tudo que o luto nos proporciona. Perder uma pessoa amada não é fácil, normalmente a pessoa ainda é bem viva em nossa memória e é tão difícil se desapegar e seguir em frente... A maioria das culturas impulsionam as pessoas de luto a seguirem em frente. Só que cada um tem seu tempo. Cada um tem direito ao seu momento de luto. Agora, imagine se pudéssemos dizer todas as coisas não ditas? Acertar o pontos e relembrar o passado de uma forma mais viva do que a morte em si?

27 fevereiro 2013

Post Mortem, de Patricia Cornwell

Patricia Cornwell é um premiada escritora estadunidense, ganhadora de prêmios como o Galaxy British Book Awards e o Sherlock Award, dado à sua personagem, Kay Scarpetta, por melhor detetive criado por um escritor estadunidense. Em seu romance de estreia, Post Mortem, Patricia inaugura sua série de romances policiais protagonizados por Kay.

Kay Scarpetta é médica-legista e chefe do Departamento de Medicina Legal da Polícia de Richmond, muitas vezes subestimada por seus colegas pelo fato de ser mulher. É extremamente inteligente e comprometida com seu trabalho. Kay está envolvida na investigação de uma série de casos de estupro e estrangulamento que tem aterrorizado toda a cidade de Richmond. 

Post Mortem é um thriller incrível onde, desde o primeiro momento, se sente o clima de suspense e mistério que paira sobre o escritório da doutora. Além de dedicar-se quase que completamente a pesquisas forenses que ajudem na investigação do caso, a médica-legista ainda tem que lidar com a sabotagem de sua investigação, o que a torna cada vez mais descrente em sua própria capacidade de trabalho. Kay tem como parceiro em sua investigação Pete Marino, um policial conservador e preconceituoso, que, por muitas vezes, duvida de sua capacidade de julgamento apenas por ser uma mulher. 

23 fevereiro 2013

A Menina que Fazia Nevar, de Grace McCleen

A fé, tanto quanto a política, por exemplo, é um conceito extremamente subjetivo, sujeito aos mais diferentes credos e capaz de causar grande disparidade entre opiniões. Para alguns, é motivo de ódio, de conflito e intolerância. Para outros, com o tempo, passa a ser incredulidade. Há aqueles, por outro lado, que apenas recorrem a ela nos instantes de desespero e agonia, como uma última solução. E há ainda os seus fiéis seguidores, que a convertem num eixo em torno do qual giram suas vidas. É neste último caso, então, que Judith, a protagonista de A Menina que Fazia Nevar, se encaixa. Regida por um cotidiano cristão até o último fio de cabelo, a garota vive sob a constante sombra da solidão, do preconceito e da melancolia.

Desde o começo, são apenas a menina e seu pai, John. A triste rotina dos dois, no entanto, é marcada pela ausência da Mãe, o primeiro e único amor dele, que deu a vida pela filha no parto e, após uma grave hemorragia, se recusou a fazer uma transfusão sanguínea em nome de sua forte religiosidade. A partir daí, a casa dos McPherson jamais foi a mesma e Judith passou a acreditar veemente que nunca seria capaz de ter o afeto de seu pai, um homem repentinamente infeliz, cansado de tudo e que refugia na igreja, na Bíblia e nas ponderações suas frustrações ao longo dos anos.

Paralelamente a isso, na escola, Judith enfrenta a repressão, a violência e o preconceito de seus colegas, mais uma vez em decorrência da fé e de sua ingenuidade. A garota é constantemente alvo de brincadeiras de mau gosto por parte de Neil Lewis, que faz de tudo para diminuí-la na frente dos outros e tornar sua vida um inferno. Com todos os fardos que a menina carrega aos precoces 10 anos, então, seu único refúgio passa a ser uma maquete construída por ela em seu quarto, através de todos os tipos de sucata, de um mundo com coisas boas que sempre almejou, a Terra Gloriosa. E algo de muito estranho ocorre quando, após conversar com um pastor, a protagonista passa a acreditar que é capaz de fazer milagres. Isto porque, certo dia, quando joga algodão, açúcar e espuma em sua maquete pelo pedido de uma voz desconhecida, a neve chega também à sua cidade e impede o acontecimento de fatos ruins que Neil havia prometido.

22 fevereiro 2013

Nada é para sempre, de Ali Cronin

Da autora de Skins, livro em que foi baseada a série de Tv, Nada é para sempre também é um livro voltado ao público jovem.

Ali Cronin retrata de forma muito fiel as inseguranças dos adolescentes e até mesmo as diferenças de personalidades entre eles. Ou como isso afeta cada um dentro de um grupo. São sete amigos de muitos anos, cada qual com sua persolidade e seu jeito. Tenho certeza de que você vai identificar uma amiga sua ou um amigo ali. Temos Ashley, a destemida, a experiente e a descolada;  Cass, que está presa em um relacionamento com Adam, que suas amigas dizem que não presta, mas ela própria não vê isso; Sarah, que sempre esteve esperando o garoto certo para a sua primeira vez, a garota que nunca mente para os pais e também, a narradora do livro; e das meninas, por último, temos Donna, que só quer aproveitar a vida e também é a melhor amiga de Ashley; Ollie é o mulherengo dos meninos; Rich é sempre misterioso e as meninas, intimamente, desconfiam que ele possa ser gay; Jack é a versão da Sarah de menino, está esperando a garota certa. Ambos são sempre os focos das zoações em grupos por terem esse pensamento.
"Não me faça perguntas e não mentirei para você."

13 fevereiro 2013

O Senhor dos Ladrões, de Cornelia Funke

Cornelia Funke é uma premiada escritora da literatura juvenil, autora também de Coração de Tinta, a escritora teve êxito também em sua primeira obra, O Senhor dos Ladrões. O livro conta a história de um grupo de crianças órfãs que vivem em um cinema abandonado, em Veneza. Esse livro é a minha primeira paixão italiana. Cornelia escreve de uma forma a descrever o ambiente que, se você fechar bem os olhos, consegue ver os pombos se alimentando na Piazza San Marco e consegue ouvir o barulho de suas asas batendo.

Próspero e Bo fugiram da casa de sua tia, que pretendia separá-los, mandando o mais velho dos meninos a um internato. As crianças fogem para Veneza, onde se juntam a outras crianças que são protegidas pelo renomado "Senhor dos Ladrões". Seus roubos estão sempre em jornais e é a partir deles que as crianças conseguem sobreviver. A história toma outro rumo quando Scipio, O Senhor dos Ladrões, é contratado para um serviço especial. Ele deve roubar uma asa de madeira na casa da fotógrafa Ida Spavento.

01 fevereiro 2013

Stieg Larsson - Biografia, de Jan-Erik Petterson


Nunca tive vontade de ler uma biografia. Sempre optei por ler romances, eu estava convicta  de que a vida da pessoa teria que ser muito interessante para fazer valer a pena a leitura. Entretanto, assim que soube que a biografia de Stieg Larsson seria publicada, inesperadamente quis lê-la. Comprei então o livro esses dias, demorei para comprá-lo, já que ele não é um livro barato. Mas não me arrependo.

"Em um ponto, sem dúvida, ele provou ter razão: seus livros foram um sucesso.[...] Stieg não era propriamente um gênio financeiro. Agora, que deixara seu emprego na agência de notícias, eu me perguntava como ele se arranjaria financeiramente e se teria feito alguma reserva para o futuro. Ele declarou, confiante, que iria escrever uns romances policiais que o deixariam multimilionário. Quase não pensei mais nos planos dele depois daquela noite, mas, quando ele me mostrou o contrato de seu editor, percebi que bem que poderia ter razão."
Stieg Larsson não foi só um autor dos romances policias que conquistaram a Suécia e o mundo, como foi também um ativista político, jornalista e antirracista. A impressão que tenho ao ler a biografia de Larsson é de que estou lendo um livro de história, mas não, a vida dele foi marcada por partidos de extrema direita, nazistas e etc. A Suécia foi alvo de assassinatos em série, brigas de ruas entre partidos opostos e da influência do punk. Stieg viveu a história, ele estava lá quando tudo isso aconteceu. Ele lutava para que as verdades fossem reveladas em sua revista Expo, assim como Mikael Blomkvist na Millennium.
"A máquina de escrever era a sua companheira constante."

13 janeiro 2013

Promoção de "O Pacifista"

PROMOÇÃO ENCERRADA: CONFIRA QUEM FOI A VENCEDORA NO GADGET DO RAFFLECOPTER ABAIXO


Imagino que vocês tenham percebido o quanto gostei de "O Pacifista", em minha resenha publicada aqui há algum tempo. Considero John Boyne um autor completo e, neste livro, definitivamente, sua sensibilidade está à flor da pele.
"De todos os livros que tive a oportunidade de ler neste ano, ainda que já tenha feito listas e mais listas, arriscaria dizer, sem vacilar, que O Pacifista foi o mais duro, o mais triste em seu contexto e, de uma forma ou de outra, também um dos mais belos. Boyne, ao trabalhar numa linha paradoxal, mostrou a grande desgraça humana no período de guerra, ao mesmo tempo em que deu ao amor uma forma de esperança e, por outro lado, de desilusão. Os conflitos psicológicos do livro estão expressos nas poucas personagens de destaque com as quais ele conta e conferem maior relevância à obra, aprofundamento. São batalhas internas da mente e o desgaste constante de um Tristan extremamente solitário, triste e confuso."

Trecho da resenha publicada no blog
Pensando nisso, achei que era muito merecido trazer uma promoção a todos os leitores do blog de forma que também um de vocês possa ler essa bela história.

07 janeiro 2013

A Trama do Casamento, de Jeffrey Eugenides

Ganhei A Trama do Casamento no ano passado, dia dos namorados, sem ter namorado, no entanto. Numa dessas promoções que as editoras promovem, e todos nós adoramos  - a Companhia das Letras, neste caso -, acabei levando para casa um livro que rendeu muitos elogios da crítica literária e foi tudo, menos aquilo pelo que eu estava esperando. Uma observação que, todavia, deve ser vista de uma perspectiva positiva, pois Jeffrey Eugenides, também autor de As Virgens Suicidas, é, sem sombra de dúvida, talentoso e arrojado.

Lembrando um pouco a atmosfera em que são ambientados livros como Resposta Certa e Um Dia, A Trama do Casamento aborda um complicado contexto romântico, em meio ao período universitário dos anos 80 e, mais temido que ele, aquilo que o sucede, a vida adulta, nua e crua. Como protagonista, temos Madeleine Hanna, uma jovem bonita e apaixonada por literatura vitoriana, também capaz de gerar muitas paixões. Entre os longos períodos de solteirice e curtição, então, a moça conhece Leonard Bankhead, seu companheiro de turma nas aulas de Semiótica, uma espécie de gênio descompromissado, ligado às áreas biológicas e que faz um grande sucesso entre as outras garotas. Paralelamente a essa relação chamativa que passa a existir entre os dois, dada a beleza, a inteligência e a popularidade de ambos, há Mitchell Grammaticus, igualmente genial, um estudante de teologia que acredita seriamente num futuro em que ele e Maddie serão casados.

Leviano é pensar, contudo, que o livro seja basicamente um romance no qual há o espectro de um triângulo amoroso. Muito mais que isso, Jeffrey Eugenides oferece ao seu leitor uma obra repleta de metalinguagem em que a visão feminista de mundo passa a pegar força, acompanhada dos pensamentos revolucionários e liberais dos anos 80. Através de uma narrativa bem desenvolvida e inteligente, temos um retrato do mundo particular de três jovens que convergem ao mesmo centro, de recém-formados que seguem caminhos diferentes pela vida, loucos para dar forma à perturbadora intelectualidade da qual são dotados.

04 janeiro 2013

Desventuras em série, de Lemony Snicket

Fonte: Flickr
Aqui não é o início da resenha em si, mas um comentário. A resenha abaixo é sobre todos os treze livros das Desventuras em série e, mesmo assim, não há spoiler de nenhum deles, nem do primeiro ou do último. A ordem completa da série está embaixo, após a resenha.

Desventuras em série conta a história que foi reunida por Lemony Snicket sobre os órfãos Baudelaire, os quais tiveram seus pais mortos em um incêndio. Como Violet, a mais velha entre os três irmãos, só tem apenas 14 anos, até que ela atinja a maior idade é necessário um tutor para os Baudelaire. O primeiro tutor deles, assim, acaba sendo o conde Olaf.

A partir daí, os órfãos só passam por diversas desventuras, já que o tutor está sempre tentando bolar um jeito de pôr as mãos na fortuna dos Baudelaire. Os pobres órfãos acabam tendo diversos tutores e nenhum lar, paralelamente, enquanto tentam descobrir mais sobre seus pais que, ao que tudo indica, escondiam mais segredos do que se podia imaginar.
“Uma das coisas mais difíceis da vida é pensar nos arrependimentos. Algo nos acontece, então fazemos o que não deveríamos ter feito, e anos depois, desejaremos que tivéssemos agido de outra forma.”
Trecho do segundo livro,"A sala dos répteis"

29 dezembro 2012

O Pacifista, de John Boyne

John Boyne já havia conquistado a admiração de seus leitores com livros como O Menino do Pijama Listrado e O Garoto no Convés, por exemplo, dois best-sellers de extrema sensibilidade, repletos de emoções. Comigo, por outro lado, a comprovação de que o autor era realmente bom veio em O Palácio de Inverno, um livro como poucos que tive a oportunidade de ler neste ano. Logo - assim também pensaram outros de seus admiradores -, não tardei a me interessar por este lançamento e, uma vez com ele em mãos, tive certeza de que O Pacifista se tratava de mais uma obra de peso no seu rico acervo literário.

Para os seus romances com os quais pude ter contato até agora, considero que haja algumas palavras de ordem, sendo elas: delicadeza, tristeza e amor. Não apenas o romântico, o convencional. Mas aquele que se amplia a todos os relacionamentos possíveis, como forma de salvação e auxílio mútuo. Nesta nova história, então, temos contato com Tristan Sadler, um homem marcado pela solidão que se tornou soldado, na Primeira Guerra Mundial, ao ser expulso de casa pela família. Em meio ao cenário hostil dos treinamentos e dos combates, no entanto, ele conhece o adorável William Bancroft e passa a ter uma amizade complicada com o rapaz; uma relação cercada de outros sentimentos ainda mais complexos e duros em meio a um mundo que tem tão pouco a lhes oferecer. 

24 novembro 2012

Uma Garrafa no Mar de Gaza, de Valérie Zenatti

Desde o início do século XXI, a situação palestina na Faixa de Gaza é constantemente noticiada nos meios de comunicação de todo o mundo.O antagonismo existente entre a região e o país de Israel deixa os espectadores confusos com certa frequência e, acima de tudo, horrorizados ao assistirem à tamanha violência.

 Triste notar, no entanto, que ao vermos os conflitos com tanta frequência e por termos uma cultura ocidental, acabamos alienando os povos árabes a uma mesma esfera, julgando-os através das imagens de grupos radicais e civis desesperados. Em Uma Garrafa no Mar de Gaza, todavia, o leitor jovem tem a chance de conhecer um par, no mínimo, inesperado em sua singularidade. Pois mesmo com tantos anos de ódio em torno de suas origens, Tal, uma jovem israelense, e Naim, um rapaz palestino, começam a se corresponder pela força do acaso, compartilhando seus medos, sonhos e sentimentos, indo contra tudo aquilo que seus povos lhes fizeram acreditar um dia. 

Ela tem 17 anos, vive em Jerusalém e sonha em trabalhar com cinema. Ele tem 20 anos, assiste em Gaza e espera poder deixar o lugar em nome de suas aspirações acadêmicas. Ela não aceita o fato de palestinos e israelenses nutrirem tanto ódio uns pelos outros. Ele culpa os israelenses por toda dor que seu povo enfrenta.  Eles, que aparentemente nada têm em comum, são unidos por um pedido que Tal faz a seu irmão: levar uma garrafa, com uma carta sua, endereçada a ninguém, ao Mar de Gaza. Quando Naim então a encontra e repentinamente se vê tocado pelas palavras daquela moça “inimiga”, os dois passam a conversar através de e-mails secretos em que os conflitos entre seus povos são questionados. Não de forma agressiva, mas muito genuína, como se pode esperar de dois jovens sonhadores e talvez apaixonados.

10 novembro 2012

O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde

"A vida moral de um homem é parte do tema do artista, mas a moralidade da arte consiste no uso perfeito de um meio imperfeito."
Prefácio
Sou partidária da opinião que defende que bons começos, quase sempre, conferem forte impacto a toda a extensão de uma obra. E isso, não se pode negar, após um prefácio fantástico, confirma-se em O Retrato de Dorian Gray. Impacto, também, na verdade, é uma palavra ideal para definir a vasta gama de emoções experimentadas pelo leitor ao longo da leitura deste romance genial.

Tido como a obra prima de Oscar Wilde, é um clássico muito celebrado pela Literatura moderna, publicado em sua versão final no ano de 1891. Através de uma linguagem extremamente rica e de uma narrativa que faz um culto ao artístico, conhecemos aqui a história do jovem Dorian Gray, um homem cuja beleza é capaz de influenciar até os menos influenciáveis. Muito vaidoso, quando uma vez pousa para seu amigo Basil e se enxerga no retrato mais perfeito que o mundo já viu, lamenta que, com o tempo, o envelhecimento haverá de roubar sua juventude. Deseja daí, com fervor, que a partir daquele instante, o quadro envelheça e ele, em contrapartida, conserve sua bela aparência. Neste momento, então, é que a grandiosidade de Oscar Wilde entra em ação, quando, de alguma forma surreal, o desejo de Dorian se concretiza e o quadro, antes tão intocado, passa a ser manchado com cada pecado cometido por ele.

26 setembro 2012

A Idade dos Milagres, de Karen Thompson Walker

"Mais tarde, eu pensaria naqueles primeiros dias como o momento em que, como espécie, nos demos conta de que temíamos as coisas erradas: o buraco na camada de ozônio, o derretimento das calotas polares, o vírus do oeste do Nilo, a gripe suína e as abelhas assassinas. Mas acho que aquilo que preocupa mais é o que acontece, no final das contas. As catástrofes reais são sempre diferentes - inimagináveis, desconhecidas, impossíveis de prever."
p. 28
Numa época literária em que as distopias repletas de ação vêm sendo publicadas a todo o vapor, era de se esperar que A Idade dos Milagres, com seu subtítulo que promete futurismos ao questionar "E se os dias ficassem mais longos?", seguisse esses mesmos padrões. E até um certo ponto ele segue mesmo, no próprio enredo em que a Terra, mais uma vez, está um verdadeiro caos. Todavia, não tarde até que a autora rume em direção a uma estrada diferente, através de um olhar mais atento e, principalmente, uma abordagem reflexiva que há de tocar a consciência do leitor mais alienado.

11 agosto 2012

Serena, de Ian McEwan

"Ele era o meu projeto, o meu caso, a minha missão. A arte dele, o meu trabalho e a nossa história eram uma só coisa. Se ele fracassasse, eu fracassava. Simples, então - nós íamos triunfar juntos."p. 239
Ao contrário de alguns resenhistas que se mostram reticentes a tal prática, tenho um curioso feitio de ler opiniões prévias de lançamentos que estão em minhas listas de leituras, especialmente para poder ter uma imersão maior no que eles abordarão e até qual ponto poderão ou não me surpreender. Com Serena, o resultado foi bastante positivo. A crítica era favorável, o nome de Ian McEwan já carregava sua reputação por Reparação e a história da espiã engajada no mundo literário só me deixou mais e mais curiosa a cada página de uma narrativa consistente, sem muitos floreios, mas elegante à sua maneira.